Um dia talvez quando cansada e remida
volveres no mesmo caminho que hoje tu partes
esmolando um abrigo, na esperança de um aparte,
uma luz no caos em que me deixaste a vida.
Talvez, um dia quando por este caminho
que nos viu tantas vezes em juras de amor,
volveres, buscando consolo meu, e carinho
no abraço sincero, quente e cheio de calor...
Se um dia rever quiseres quem deixas então
na infinda tristeza, numa angustiante dor...
Talvez só pra ter um pouquinho de afeição.
Se talvez assim vires tão cheia de ardor,
acharás apenas por aqui um coração
cansado de esperar, de um pobre sonhador.
por: Mario dos Santos Lima
MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sábado, 28 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
saudade
Tenho saudade... saudade tenho
De minha infância, vida feliz
Da vida livre; correr nos campos,
Nos belos prados; nas cercanias;
Atrás de ninhos; de borboletas;
Eu, buliçoso, sempre queria...
Tenho saudade do grupo amado,
Daquela casa que me ensinou
Como se vence nas horas duras,
Na senda ingrata da desventura...
Tenho saudade daquela mina
Onde contente brincava n’água;
Chorando às vezes, em triste pranto,
Falava quedo de minhas mágoas.
Tenho saudades das tardes belas,
Daquelas tardes lindas, fagueiras;
Sol descambando... tudo alegria,
Vento soprando... morrendo o dia.
Tenho saudade das brincadeiras,
Do corre-corre; da cobra-cega;
Da cirandinha... do vira-mundo;
Do bate-roupa...do pega-pega...
Tenho saudade... saudade tenho,
De minha infância... vida feliz!
por: Mario dos Santos Lima
esta foi a primeira poesia que me atrevi a escrever.
De minha infância, vida feliz
Da vida livre; correr nos campos,
Nos belos prados; nas cercanias;
Atrás de ninhos; de borboletas;
Eu, buliçoso, sempre queria...
Tenho saudade do grupo amado,
Daquela casa que me ensinou
Como se vence nas horas duras,
Na senda ingrata da desventura...
Tenho saudade daquela mina
Onde contente brincava n’água;
Chorando às vezes, em triste pranto,
Falava quedo de minhas mágoas.
Tenho saudades das tardes belas,
Daquelas tardes lindas, fagueiras;
Sol descambando... tudo alegria,
Vento soprando... morrendo o dia.
Tenho saudade das brincadeiras,
Do corre-corre; da cobra-cega;
Da cirandinha... do vira-mundo;
Do bate-roupa...do pega-pega...
Tenho saudade... saudade tenho,
De minha infância... vida feliz!
por: Mario dos Santos Lima
esta foi a primeira poesia que me atrevi a escrever.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
AME
Ame... num torvelinho louco como se ele fosse
sempre seu único amor. Deixe seu coração
tão puro de menina, no descompasso doce
que a adrenalina traz, no aflorar d’uma paixão.
Feche seus lindos olhos... mergulhe suavemente
no sonho que você aos poucos vai tecendo,
e beba da bebida que produz sua mente
tornando realidade o sonho que está tendo...
Ame mesmo, com a força do silêncio que acalma
o mais arrebatado ser na mansidão em paz...
Ame sem preconceito... ame com toda s’a alma...
E quando o sonho se desvanecer fugaz
lhe deixar triste, enfim... no seu âmago desça,
se embriague, chore, grite... e depois esqueça.
Fiz em 97 para minha filha Izabela no acalento de seus lindos sonhos.
por: Mario dos Santos Lima
sempre seu único amor. Deixe seu coração
tão puro de menina, no descompasso doce
que a adrenalina traz, no aflorar d’uma paixão.
Feche seus lindos olhos... mergulhe suavemente
no sonho que você aos poucos vai tecendo,
e beba da bebida que produz sua mente
tornando realidade o sonho que está tendo...
Ame mesmo, com a força do silêncio que acalma
o mais arrebatado ser na mansidão em paz...
Ame sem preconceito... ame com toda s’a alma...
E quando o sonho se desvanecer fugaz
lhe deixar triste, enfim... no seu âmago desça,
se embriague, chore, grite... e depois esqueça.
Fiz em 97 para minha filha Izabela no acalento de seus lindos sonhos.
por: Mario dos Santos Lima
sábado, 14 de janeiro de 2012
A FALSA VIRGEM
A liberação dos comportamentos sexuais permitida pelo uso de contraceptivos químicos ou mecânicos, e a emancipação social das mulheres alterou profundamente a visão da virgindade nas sociedades contemporâneas. Ao mesmo tempo em que o contraceptivo permitiu separar o ato sexual do ato de procriar, a virgindade perdeu o seu papel de garantir a filiação do casal. Estas mudanças fizeram com que o papel da virgindade perdesse o atributo de caráter sagrado, e hoje, não tanto pela expansão de movimentos religiosos mais conservadores, e sim, muito mais pelo medo das doenças sexualmente transmissíveis tem levado a uma renascença da virgindade como um ideal positivo e desejável para alguns. Medo apenas, eu acredito.
A virgindade hoje para a mulher é uma questão de opção. Com relação ao sexo ela está plenamente preparada.
Tudo é uma questão de ponto de vista de uma cultura, de uma época ou de recalques.
Na nossa cultura, aqui nesse Brasil grande, no milênio passado perto da metade do último século a coisa era bem diferente de como é hoje. Para o homem a mulher só tinha valor se fosse virgem, e isto era pregado pela igreja, respeitado pela sociedade, e cultivado no seio da família. Sociedade machista.
Santo hímen!
O namoro era controlado e severamente vigiado pelos pais. Pegar na mão e dar uns beijinhos só depois de noivos. O sexo era uma palavra proibida entre eles.
Se a moça ficasse grávida era o fim do mundo, ela era expulsa de casa e forte candidata ao prostíbulo. Ela era considerada uma leviana, uma putinha se experimentasse as delícias do ato sexual antes do casamento.
Ao homem tudo era permitido. Ele tinha as primeiras lições de sexo na escola de prostituição, lá na zona, ao derredor da cidade com as putas rameiras professoras ensinando-lhe, e colocando em prática tudo o que elas sabiam. Muitas vezes, a primeira vez eles eram acompanhados de seus orgulhosos pais a este prostíbulo. E as mulheres? Ah! Elas apenas se embebiam das informações truncadas de alguma amiga mais vivida que tinha informações de livros, ou conseguiam isto de casadas indecentes revelando suas tristes vidas íntimas. Para a mulher o sexo era uma coisa feia, terrível e inevitável. Seu corpo em formação sensualmente pedia, mas sua cabeça com informações destorcidas rejeitava.
A primeira noite para a mulher casada era a noite do terror, e se tornava pior ainda quando o cavalo do marido tinha sido um péssimo aluno na escola de prostituição.
Foi neste período que presenciei uma cena de casamento dantesca.
O matrimônio envolvia duas famílias geograficamente distantes. A família do noivo trabalhava na fazenda no estado do Mato Grosso e a família da noiva trabalhava na fazenda no estado de São Paulo. As fazendas tinham um laço íntimo de parentesco, pois pertenciam ao mesmo dono.
O rapaz era capataz do fazendeiro e acompanhava-o muitas vezes por todas as fazendas. Nestas idas e vindas conheceu a bela morena da outra fazenda. A cabocla tinha os olhos negros, cabelos lisos e longos, e um corpo lindo escultural convidando para o pecado. Apaixonaram-se perdidamente e trataram de marcar o casamento. Poucas foram às vezes que se encontraram.
A cerimônia foi realizada na casa da noiva.
A festa rolava solta com os convivas se deliciando com a comilança de mesa farta. Lá num canto alguém riscava uma viola numa cantilena cabocla qualquer. Tentando sorrateiramente escapar, os noivos se recolheram ao aposento nupcial que ficava ali próximo. Todos perceberam e se agitaram. Com certeza o assunto agora era apenas um. O povo todo, num burburinho danado fazia as fofocas. Vi muitas mulheres suspirando e se entreolhando coniventes, debochadas, e outras tantas com risinhos safados fazendo gracinhas, se cutucando, talvez tentando imaginar a pornografia que rolava lá dentro.
Esta cena não perdurou mais que trinta minutos.
De repente, lá dos aposentos íntimos fez-se ouvir gritos disformes. Gritos horríveis, sufocados.
- Será que é ela que grita de dor no ato da deflora, ou é ele que urra cavalarmente por não conseguir penetrar em tão virgem vulva? Eu acho que no início era este o pensamento geral da multidão incontida do lado de fora.
Todos esperavam ansiosos.
Fez-se silêncio sepulcral. A viola parou de chorar, e o povo todo aguardava o desfecho final desta luta sangrenta.
De repente a porta da intimidade se abre e sai o noivo escabelado, gritando:
- Ela não é virgem!
No início o povo quis aplaudir, mas em silêncio se conteve estranhando este anuncio. Na época não era de bom tom e de costume revelar a intimidade do casal. Muito bem que ele tenha conseguido o defloramento, mas não precisava anunciar assim bombasticamente a todos os ventos.
Mas o noivo, de pau murcho, calça mal abotoada, camisa solta no dorso e descalço gritou a todo pulmão.
- Esta vagabunda não é virgem! Ela me enganou! É uma puta vadia!
Dizendo isto, rasgou passagem por entre o público que de boca aberta assistia tudo, e foi direto a um suposto advogado dizendo:
- Vamos acordar o padre e o tabelião para cancelar este maldito casamento.
E desapareceram na escuridão da estrada.
O povo, punidamente olhando os pais da noiva, saiu de fininho e eu pensei cá com meus botões:
- Puta que o pariu, como é que a falta de uma pequena membrana na vulva pode transformar de repente a paixão incontida num ódio infernal?
Eu acho que naquela época a cabocla foi expulsa de casa, e sem saída transformou-se numa professora rameira num puteiro qualquer.
por: Mario dos Santos Lima
A virgindade hoje para a mulher é uma questão de opção. Com relação ao sexo ela está plenamente preparada.
Tudo é uma questão de ponto de vista de uma cultura, de uma época ou de recalques.
Na nossa cultura, aqui nesse Brasil grande, no milênio passado perto da metade do último século a coisa era bem diferente de como é hoje. Para o homem a mulher só tinha valor se fosse virgem, e isto era pregado pela igreja, respeitado pela sociedade, e cultivado no seio da família. Sociedade machista.
Santo hímen!
O namoro era controlado e severamente vigiado pelos pais. Pegar na mão e dar uns beijinhos só depois de noivos. O sexo era uma palavra proibida entre eles.
Se a moça ficasse grávida era o fim do mundo, ela era expulsa de casa e forte candidata ao prostíbulo. Ela era considerada uma leviana, uma putinha se experimentasse as delícias do ato sexual antes do casamento.
Ao homem tudo era permitido. Ele tinha as primeiras lições de sexo na escola de prostituição, lá na zona, ao derredor da cidade com as putas rameiras professoras ensinando-lhe, e colocando em prática tudo o que elas sabiam. Muitas vezes, a primeira vez eles eram acompanhados de seus orgulhosos pais a este prostíbulo. E as mulheres? Ah! Elas apenas se embebiam das informações truncadas de alguma amiga mais vivida que tinha informações de livros, ou conseguiam isto de casadas indecentes revelando suas tristes vidas íntimas. Para a mulher o sexo era uma coisa feia, terrível e inevitável. Seu corpo em formação sensualmente pedia, mas sua cabeça com informações destorcidas rejeitava.
A primeira noite para a mulher casada era a noite do terror, e se tornava pior ainda quando o cavalo do marido tinha sido um péssimo aluno na escola de prostituição.
Foi neste período que presenciei uma cena de casamento dantesca.
O matrimônio envolvia duas famílias geograficamente distantes. A família do noivo trabalhava na fazenda no estado do Mato Grosso e a família da noiva trabalhava na fazenda no estado de São Paulo. As fazendas tinham um laço íntimo de parentesco, pois pertenciam ao mesmo dono.
O rapaz era capataz do fazendeiro e acompanhava-o muitas vezes por todas as fazendas. Nestas idas e vindas conheceu a bela morena da outra fazenda. A cabocla tinha os olhos negros, cabelos lisos e longos, e um corpo lindo escultural convidando para o pecado. Apaixonaram-se perdidamente e trataram de marcar o casamento. Poucas foram às vezes que se encontraram.
A cerimônia foi realizada na casa da noiva.
A festa rolava solta com os convivas se deliciando com a comilança de mesa farta. Lá num canto alguém riscava uma viola numa cantilena cabocla qualquer. Tentando sorrateiramente escapar, os noivos se recolheram ao aposento nupcial que ficava ali próximo. Todos perceberam e se agitaram. Com certeza o assunto agora era apenas um. O povo todo, num burburinho danado fazia as fofocas. Vi muitas mulheres suspirando e se entreolhando coniventes, debochadas, e outras tantas com risinhos safados fazendo gracinhas, se cutucando, talvez tentando imaginar a pornografia que rolava lá dentro.
Esta cena não perdurou mais que trinta minutos.
De repente, lá dos aposentos íntimos fez-se ouvir gritos disformes. Gritos horríveis, sufocados.
- Será que é ela que grita de dor no ato da deflora, ou é ele que urra cavalarmente por não conseguir penetrar em tão virgem vulva? Eu acho que no início era este o pensamento geral da multidão incontida do lado de fora.
Todos esperavam ansiosos.
Fez-se silêncio sepulcral. A viola parou de chorar, e o povo todo aguardava o desfecho final desta luta sangrenta.
De repente a porta da intimidade se abre e sai o noivo escabelado, gritando:
- Ela não é virgem!
No início o povo quis aplaudir, mas em silêncio se conteve estranhando este anuncio. Na época não era de bom tom e de costume revelar a intimidade do casal. Muito bem que ele tenha conseguido o defloramento, mas não precisava anunciar assim bombasticamente a todos os ventos.
Mas o noivo, de pau murcho, calça mal abotoada, camisa solta no dorso e descalço gritou a todo pulmão.
- Esta vagabunda não é virgem! Ela me enganou! É uma puta vadia!
Dizendo isto, rasgou passagem por entre o público que de boca aberta assistia tudo, e foi direto a um suposto advogado dizendo:
- Vamos acordar o padre e o tabelião para cancelar este maldito casamento.
E desapareceram na escuridão da estrada.
O povo, punidamente olhando os pais da noiva, saiu de fininho e eu pensei cá com meus botões:
- Puta que o pariu, como é que a falta de uma pequena membrana na vulva pode transformar de repente a paixão incontida num ódio infernal?
Eu acho que naquela época a cabocla foi expulsa de casa, e sem saída transformou-se numa professora rameira num puteiro qualquer.
por: Mario dos Santos Lima
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