quarta-feira, 4 de abril de 2012

O CORAÇÃO NO PÉ

De repente um sururu danado no hospital. Lá estava a mãe de minha amiga envolvida no maior qüiproquó da região.
Com os dedos tampando os orifícios das fossas nasais, envolvi-me também no drama e fiquei sabendo do cerne da história.
Tudo aconteceu por medo, afobação, falta de organização e método.
Ha seis meses a mãe de minha amiga em conversa fofocal com o Senhor Volta, lá pelas tantas perguntou de que mal a mãe dele havia falecido.
- Do coração! De pronto o Senhor Volta responde e completa.
- Ela estava bem, assim como você está agora e de repente, bumba, aconteceu!
- Mas, mas, gaguejando a mãe de minha amiga quer detalhes.
- Ela simplesmente não fazia os exames de rotina! Abrilhantou o Senhor Volta e acrescentou em tom de ordenança:
- Pelo seu aspecto seria conveniente você fazer os exames médicos, principalmente do coração!
Colocaram um ponto final no tagarelar e ela, gelada, tremendo, com tonturas, se apoiando no ombro da filha pede para levá-la imediatamente ao médico.
O médico faz todos os exames e conclui:
- Nada de errado com a senhora. Tudo está funcionando adequadamente. Pode ir tranqüila.
- Por favor, Doutor, de-me uma guia para exames do coração.
O médico com pressa e querendo se livrar da mãe de minha amiga lavra a guia e a entrega. Num telefone público qualquer ali ao derredor da clínica a mãe de minha amiga agendou o tal exame.
Ao terminar o telefonema, e dar meia volta para sair, torce desgraçadamente o pé num maldito buraco na calçada. Aos gritos é levada ao pronto socorro para exames. O médico nada constatou, mas forneceu uma guia para raio x da região afetada.
Pelo acúmulo de serviço os exames só seriam possíveis seis meses mais tarde. Guardou a guia para o coração e praticamente dispensou a guia para o raio x do pé. Ela caminhava bem, mas seu coração sabe lá Deus!
O tempo não pra e passou correndo, feito um doido, despreocupado de tudo.
Certa manhã a mãe de minha amiga acorda toda esbaforida. Deita os olhos num calendário qualquer e confirma: - Era a véspera do exame do coração. Ela pula da cama e sai doida à busca da guia.
- Cadê a guia? Foi a pergunta que bailou louca por toda a casa.
- Cadê a guia? E a pergunta foi repetida aos berros, naquela casa, milhares de vezes.
Já sem forças, não gritava, resmungava apenas.
- Cadê a maldita guia? E todo mundo em pavorosa procurando a dita guia. Gavetas, armários tudo ficou revirado, a casa ficou num pandemônio danado, e nada da guia.
Foram inúteis as buscas que se estenderam noite adentro. Por fim a empregada aos prantos confessa que jogou uns papeis na lixeira tempos idos.
A madrugada estava fria e uma neblina cobria a cidade como se fosse um véu macabro de noiva morta no dia do casamento. Era fria e umedecia os ossos. Minha amiga, sua mãe e a empregada no lixão da cidade reviravam afoitas cada centímetro quadrado daquela imundície toda. Restos de comida, merdas e outras nojeiras passavam de mão e mão na desesperança quase incontida de encontrar a maldita guia.
A madrugada rendeu-se ao dia que veio com o sol escaldante. O cheiro do monturo era insuportável e três criaturas, quase irreconhecíveis lá estavam chafurdando tudo ao lado de magros cães, gatos pestilentos e centenas de urubus. Os mendigos chegaram e quase teve o início de um tumulto geral, e a pergunta que não queria calar ecoou no lixão:
- O que vocês três estão fazendo aqui no nosso sagrado ambiente de trabalho?
Um momento de sepulcral silêncio e as três imundas criaturas, aos prantos tentaram explicar e pediram ajuda.
Mendigo é bicho sujo, ignorante e feio, mas tem dentro desta carcaça um bom coração, e assim lá estavam eles também chafurdando aquele monturo atrás da famosa guia.
O sol a pino só não queimava a pele das três porque elas estavam encobertas de excrementos e restos de alimentos.
- Achei!
Como se fosse o uivo da fêmea na hora do orgasmo, um dos mendigos, lá mais no alto, de braços erguidos segurando um papel grita:
- Achei a guia!
Com a guia na mão, as três choravam copiosamente circundadas pelos vagabundos do lixão que aplaudiam e cobriam de imundicie ainda mais as costas das três com suas mãos batendo em felicidade.
As três imundas pegaram o caro e saíram cantando pneus.
Faltava pouco tempo para a hora do exame.
Na portaria o porteiro saiu correndo com os dedos nas narinas. O povo que aguardava atendimento, ao sentir o cheiro de carniça e merda saiu em debandada. Das atendentes apenas uma, com máscara, ficou para recepcionar as três. A polícia foi convocada.
A mãe de minha amiga olha para atendente e apresenta orgulhosa a guia toda suja de merda, amassada e quase desfigurada.
A atendente veste uma luva, pega aquilo, lê com dificuldade e pergunta:
- É o exame de raio X do seu pé direito? Não é?
A mãe de minha amiga dá um urro que ecoou por todo o hospital
- Puta que o pariu achamos a guia errada!
Ela só não caiu porque a polícia com máscaras contra gases chegou e colocou as três em camisa de força, levando-as para o pinéu.
E eu nada pude fazer!

por: Mario dos Santos Lima

terça-feira, 3 de abril de 2012

POR QUE FINGIR?

Por que fingir, se gosto de você?...
Por que me iludir se isto é a verdade?...
Pois sinto uma coisa, nem sei mais o que
Quando triste penso em você com saudade.

Creia em mim... eu choro um choro de dor
por não ver seus lábios agora sorrindo,
por não ver seus olhos repletos de amor,
por não ver seus negros cabelos tão lindos.

Sinto-me afogar, num mar de tristeza
por estar distante de minha amada,
meu primeiro amor... mas, tenha certeza,

que das tantas outras mulheres que amei;
morenas ou loiras, você foi a única
que eu de saudade bem doido chorei

por: Mario dos Santos Lima

sábado, 31 de março de 2012

O BARBEIRO

O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo.
Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:
Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
O florista ficou feliz e foi embora.
No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.< br />Mais tarde no mesmo dia veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:
Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
O padeiro ficou feliz e foi embora.
No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro.
Naquele terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo.
Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:
Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
O deputado ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar cabelo.
Essa é a diferença entre os cidadãos e os políticos.

"Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão." (Eça de Queiróz)

NA PRÓXIMA ELEIÇÃO TROQUE UM LADRÃO POR UM CIDADÃO. CAMPANHA PRÓ-FAXINA DOS POLÍTICOS.

domingo, 25 de março de 2012

O MEDO DO VIRGEM

Diz a lenda que o medo é um sentimento de enorme inquietação ante a opção de um perigo real ou imaginário. O medo é uma merda mesmo; Podemos sentir medo tanto de fatos reais, como por exemplo, de um rato, de uma barata, de um raio que pode cair sobre nossa cabeça, de um cão bravo que pode morder nossa bunda ou da sogra que pode nos atacar, como também de coisas fantasiosas, além da estratosfera, tais como medo de fantasma, medo de políticos honestos, medo do medo, medo do escuro, medo do bicho papão, etc.
Quando estamos frente a frente com este maldito sentimento nossas mãos se congelam, nosso coração dispara, uma onda de calor percorre desde a saída do tubo digestivo até a nuca, a respiração se torna ofegante e quando tentamos falar cuspimos mais que cão enlouquecido.
O medo causa insegurança, baixo auto-estima e depressão.
Para o homem a fisiologia do medo se inicia nas amígdalas e termina no encolhimento do saco escrotal.
O maior problema deste sentimento é o medo de outras pessoas. Isto é cruel e parece uma maldição. O fóbico social tem dificuldade de se relacionar principalmente com o sexo oposto. O sexo oposto sempre vai ser para ele um monstro. Quando o sexo oposto se aproxima o fóbico abaixa os olhos, segura as mãos na frente da genitália como que para defendê-la e se tiver que falar alguma coisa não consegue bulhufas alem de um balbuciar respingado de saliva e, pernas para que te quero, escafede-se mesmo. Foge incontinente.
Meu amigo Donaldo dos Pomares é um desses tipos que vive se acovardando principalmente diante dos convites indecentes das meninas para tirar uns amassos debaixo do ededron.
Este meu amigo, pela educação sexual que teve quando criança, faz questão e preserva com unhas e dentes a sua virgindade. Foi incrustado nele o medo da dor da primeira relação sexual, das doenças sexualmente adquiridas e que são fulminantes levando o tarado ao óbito. Ele quase se caga todo de medo destas coisas e por isto optou por fazer os votos de castidade e celibato. É um virgem convicto.
A minha amiga Anacréia Ruela arrasta uma asa por ele e gostaria que ele lambesse um vagão de merda por ela. Mas tudo em vão; Ele é mais liso que bagre ensaboado, foge dos cercos que ela apronta.
Ela chora, a um canto, desconsolada, e ele, de medo, treme igual vara verde no outro canto. Ela pede a todos os santos um milagre de conversão e ele freqüenta assiduamente os terreiros de macumba para deixar seu corpo fechado. No fundo, no fundo ele curte certo encanto pela Anacréia, mas tem medo de perder a virgindade.
Um belo dia aconteceu uma festa de formatura. Ambiente propício para o assédio e envolvimento emocional. Umas cachaças na cabeça e pronto, tudo resolvido pondo o medo em debandada geral. Será que o cenário foi propício para a realização do fato? É uma incógnita.
O ambiente na penumbra era envolvido por uma música romântica dos anos 50 que deixava os mais brutos, românticos delicados. O vozeio do povo era um coral num ensaio geral.
E o donzelo espera nervoso a Anacreia chegar. Combinou com ela. Ele se sentia infeliz e inseguro ao meio de milhões de olhos gulosos que o despiam sem piedade. Queriam lambe-lo, queriam se saciar da beleza bruta que ele tinha. Queriam descabaçá-lo de qualquer forma.
E de repente ela chegou como uma mariposa doidivanas atraída pela luz; Infelizmente não a Anacreia, como ele esperava, mas uma voluptuosa, frívola e sensual deusa escultural. Seus cabelos caiam safados apalpando seus seios que quase escapuliam da blusa; Suas pernas, quase desnudas mostravam no andar destemido a vontade de um encontro. Tudo nela era lindo como se fosse uma deusa sedenta de sexo. Era o próprio capeta em forma de gente. E ela veio quase flutuando e, aos pouco se chegou, como quem não quer nada, mas querendo tudo, e tão perto ficou que seu hálito divino era um perfume tentador. Provocadora, com o dedo indicador tocando seu ombro, seus olhos verdes nos dele fixo e quase que suas coxas encoxando nas suas, em suave encanto de sua voz em canto, pergunta:
- Vamos dançar Donaldo?
Ele se encolhe, treme, abaixa os olhos, sua garganta seca, sufoca, quase se urinando de medo gagueja:
- Ah?! E foge tropicando entre as mesas perdendo-se na multidão, e a deusa escultural, boquiaberta, ficou plantada ali sem nada entender.
Mais tarde alguém o encontra escondido no banheiro e pergunta:
- Por que você fez isto com aquela linda mulher?
- Ela é muito nova. Deve ter uns quinze anos e me pegou de surpresa! E num suspiro prolongado, virando os olhos murchos para cima diz:
- Ah! Se eu tivesse coragem, teria comido aquela mina!
E o virgem se safou de mais uma!

por: Mario dos Santos Lima