MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
REUNIÃO DE CONDOMINIO
Tenho certeza que você mora em condomínio ou já morou, e nunca foi a uma reunião. E se foi, jurou, de pés juntos, nunca mais ir num encontro infernal desses. Pelo seu semblante pode-se notar que isto é a verdade.
Eu duvido que exista alguém, neste mundão de Deus, que tenha prova concreta de ter participado de uma reunião de condomínio já na primeira convocação. A lei permite, e por isto elas sempre acontecerão no segundo momento com qualquer número de participante. Isto é lei e pronto, ninguém se apresenta na primeira convocação. Nenhuma reunião começa na primeira convocação. Isto é cultural.
Afinal, o que é uma reunião ou a que se presta? Segundo alguns atrevidos estudiosos e delirantes pesquisadores, uma reunião nada mais é que um encontro de duas ou mais pessoas com um propósito ou tema pré definido.
Mas por que as reuniões dos condomínios acabam sendo putrefatas?
Segundo Christian Barbosa, um dos maiores especialistas em gerenciamento do tempo e produtividade pessoal e empresarial, escreveu, certa feita, um artigo, onde relata sete itens para serem aplicados em uma reunião para que ela tenha bom êxito. No fundo, no fundo, sobre reunião de condomínio ele não se atreveu a ressaltar muita coisa. Não trouxe grandes novidades.
Vou me ater apenas em um deles.
Diz ele que se devem estabelecer previamente os propósitos da reunião para que os condôminos venham preparados, e a reunião seja mais produtiva. Não vejo criatividade alguma, visto que no regimento dos condomínios está escrito que a reunião deve ser marcada com antecedência, e deve apresentar a pauta; Desta forma o Barbosa não está apresentando qualquer novidade. Mas a multidão ínfima, que se predispõe pagar os pecados na reunião, já vem com o último item da pauta na cabeça apenas. Para os condôminos o último item da pauta – outros, é o melhor e mais importante. Outros no final da pauta é como o etc. O etc. e outros sempre é o que sobrou, o que não tem importância, o que não é lembrado, mas para o condômino que está na reunião é o momento mais esperado. É como o orgasmo no ato sexual. É o momento para criar grandes polêmicas sobre pequenas coisas tais como: O Cachorro do visinho late muito fino; A vizinha anda de salto alto no apartamento; A descarga da privada do vizinho é muito prolonga e está gastando água; O pessoal anda falando muito alto no hall dos andares; O elevador está demorando em abrir; O porteiro anda de cara feia comigo; O casal do apartamento de cima anda fazendo sexo muito prolongado e barulhento; A garagem é muito apertada; Roubaram o meu chinelo; Riscaram minha bicicleta; O morador do andar tal é um taradão; etc.
Bem, a conclusão é que, se a pauta da reunião tem 10 itens, sempre o mais importante vai ser o último, - o item outros. O outros sempre é o que o morador ao lado faz ou deixou de fazer, mas nunca os pecados do santificado que vem à reunião para vomitar os queixumes.
Numa dessas reuniões, marcada com antecedência, constava apenas dois itens na pauta. Um item era sobre segurança e o segundo, outros.
A galera do outros compareceu feliz em peso; A reunião não seria enfadonha e os participantes poderiam vomitar impropérios, fazer acusações, reclamações e xingar os vizinhos ausentes.
Uma onda de assaltos e invasões em condomínios se alastrava mais que fofoca em salão de beleza. O síndico preocupado com isto convocou a reunião para tratar e resolver especificamente sobre isto.
Os condôminos como de praxe, só compareceram para a segunda convocação. E compareceram em peso porque a pauta só tinha dois itens e com isto sobraria mais tempo para o outros.
O síndico, seguindo as orientações do Barbosa, de pé colocou um enorme relógio na mesa deixando bem claro o motivo da reunião.
- Agradeço a presença dos senhores! O assunto que vamos tratar hoje é bastante delicado e importante, por isto não vamos nos perder em questiúnculas paralelas e vamos controlar o nosso precioso tempo.
Foi assim que o síndico iniciou a reunião.
- Este cara é um chato!
Foi assim que se leu na mente dos emburrados condôminos que ansiosos esperavam pelo item seguinte. Cada um já tinha uma lista enorme de reclamações e atrapalhadas sugestões sobre outros. Nada, absolutamente nada, eles queriam saber ou resolver sobre segurança, sobre os assaltos, sobre o perigo de invasão do prédio. Isto não tem importância!
Se eles pudessem em coro gritariam:
- Queremos o item outros! Vamos ao item outros.
Enquanto o síndico se debulhava apresentando argumentos, e cobrava sugestões, o pessoal tranquilamente dormia a sono solto, mas de antena ligada para o início do segundo item. O síndico era como João Batista falando no deserto. Para ninguém. Para o vento.
Quando a reunião já estava prá lá de enfadonha, no entender dos malditos condôminos, que ansiosos esperavam pelo segundo item da pauta, eis que de repente, não se sabe de onde, veio alguém para animá-la.
Entrou educadamente, como quem não quer nada, fez questão de assinar a lista de presença, e se colocou de pé ao lado do síndico.
Ninguém o conhecia e ele se apresentou de uma forma fantástica.
Sacou uma arma e berrou deseducadamente como se todos fossem surdos:
- Isto é um assalto! Todos deitados e com a mão na cabeça!
Ensacou o que pode e saiu calmamente tal qual tinha entrado.
Deixou os homens só de cueca e as senhoras de calcinha.
O pessoal, despojado de suas vestes e pertences, refeito do susto, embrulhado em toalhas, encontrou o pobre porteiro pelado, amarrado e amordaçado.
Com certeza, na próxima reunião o assunto do item outros vai ser unânime: O síndico é incompetente, e deve ser trocado.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
BAITA GENRO
BAITA GENRO
Um assaltante mal encarado entra num Banco em Camaquã com um 38 em punho e exige que o caixa lhe passe toda a "grana".
O caixa, apavorado, entrega o dinheiro.
Na saída, olha para um cliente e pergunta:
- Se tu é macho mesmo me responde ... Tu me viu robá esse Banco?
O cliente mui macho responde na bucha:
- Sim, eu vi !!!
O ladrão atira nele sem piedade.
Logo em seguida, volta-se para outro cliente que está de bombacha parado ao lado de uma senhora e faz a mesma pergunta:
- Vivente... Tu me viu robá esse Banco?
- Mas ...Bah, tchê... Eu tava aqui meio que distraído e não vi nada, mas a minha sogra aqui viu tudo!...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A PROSTITUTA
São muitas as táticas e estratégias a que se recorre para a sedução e conquista de alguém, que se quer, para a satisfação do instinto sexual. Serenatas, cartas, cantadas e etc. Normalmente é o homem que parte para a ignorância no afã de chegar às vias de fato no ato sexual. Não tem muita conversa não, vai à luta para conquistar a coisa. Já no reino animal irracional o processo muitas vezes e racional. O pavão, por exemplo, abre seu rabo colorido em leque para atrair a sua amada para o acasalamento. Os gibões passam um bom tempo cantando em cima dos galhos das arvores até irem para os finalmente. Existem também as formas de acasalamento mais radicais. As meninas gafanhotos, aranhas e escorpiões, puteadas de tanta encenação e perda de tempo, nos ritos de acasalamento, que após o ato sexual matam e comem os machos para que eles não perturbem mais outras fêmeas.
Bem, a vida sexual é um cu para contar e outro para conferir.
As meninas de programa e principalmente as rampadeiras, são elas que iniciam o rito do acasalamento. Elas lá têm suas táticas não muito convencionais. Partem para a ignorância com a exibição de seu corpo quase desnudo ao relento e aos olhos dos machos sedentos. Fazem do corpo desnudo uma isca. Estas vadias se realizam satisfazendo os iniciantes e os marginalizados sexualmente.
Uma destas desvirginadas da vida foi despejada pelo vagabundo carente sexual satisfeito numa rua de pouco movimento. Ela, embriagada, sem as roupas de baixo, segurava desajeitada o vestido a meia altura, acima do umbigo, para assim permitir uma ventilação adequada na genitália em ardência. Cantava desafinada uma canção qualquer. Os cachorros sérios, de raça, nos quintais e os vadios da rua uivavam num coral desastroso acompanhando a desvairada perdida.
A noite era fria e no céu a lua envergonhada se escondia por detrás das densas nuvens.
A cantilena continuou até que alguém, um macho já sexualmente satisfeito viesse para por fim aquela melopéia infernal, e ao chegar perto da caolha diz:
- Sua cadela filha de uma puta, de o fora daqui!
Depois de todo este elogio ela tentou abraçá-lo e respondeu:
- Queridão, você não quer se divertir um pouquinho?
- Eu vou chamar a polícia!
- Não precisa tanto homem assim, você já me satisfaz.
Foram inúteis as ameaças. Ele se recolheu para refrescar a cachola e na esperança de que ela desse o fora.
O musical continuou no meio da rua.
Um pouco depois, extravasando rancor ele sai e aos gritos comunica:
- Vou buscar minha filha e quando eu voltar não quero ver você aqui, entendeu?
- Oh! Meu amor, você está nervoso! Eu posso te acalmar.
O sangue só não conseguiu sair pelas veias, mas a vermelhidão do seu rosto mostrou toda sua ira contida, e assim sentenciou:
- Se quando eu voltar você estiver ainda por aqui eu fodo com você, sua biscate nojenta!
- Vai garotão que eu te espero!
Ele pegou o carro e saiu cantando pneu.
Mais tarde ele voltou e quem lá estava no meio da rua cantando suas desastradas canções? Ela, a vadia, a persistente prostituta.
- Vem cá, gostosão, estou te esperando! Vou te fazer feliz!
Ele prometeu foder com ela e por isto ela esperou.
Ele entrou furibundo para dentro de casa; Imediatamente saiu, e no jardim ele pegou alguma coisa, e veio ao encontro dela.
Ela bêbada, arregalou os olhos e babou satisfeita quando viu aquela coisa comprida balançando na mão do cara. Para facilitar ela já estava despida, e gritou:
- Vem, meu amor, que eu endureço esta coisa mole!
Ele chegou e sem muita cerimônia apagou o fogo dela.
Ouviram-se gritos que assustou o bairro todo.
Com a mangueira do jardim na mão, se aproximou, ligou a água e deu um belo banho na pervertida.
A doidivanas pelada, molhada, de fogo apagado enquanto fugia gritava:
- Seu filho de uma puta, eu vou à delegacia da mulher!
E perdeu-se na escuridão da noite.
por: Mario dos Santos Lima
sábado, 28 de julho de 2012
RUSTICO
O sol descambando no horizonte cansado atropelava algumas nuvens, e pintava o céu num tom escarlate que ia morrer num amarelo desbotado. As aves em revoada, como que respingando de negro a tela do infinito, buscavam afoitas seus galhos aqui e acolá.
O caboclo puxou a última enxadada, descurvou-se, arredou um pouco para trás seu chapéu de palha e com a manga de sua camisa desbotada enxugou o suor que marejava em seu rosto da mormaceira do dia.
Olhou absorto, por um largo tempo, aquele cenário da natureza, sorriu, fechou os olhos e fazendo um sinal da cruz agradeceu ao Criador pelo dia de trabalho e pela lindeza do entardecer.
Pegou o embornal com a marmita que sua cabocla tinha preparado, ajeitou a enxada no ombro e pegou o rumo da palhoça.
Assobiou uma canção qualquer enquanto caminhava.
Suas passadas firmes fincavam marcas na poeira da estrada.
Sua casa apareceu, mais adiante, na curva da estrada fazendo parte da pintura daquele morrer de dia. Era uma cena bucólica: - o caboclo na estrada e sua cabana mais alem ao entardecer
Enquanto se aproximava foi admirando a paisagem detalhadamente, como se tivesse degustando um vinho precioso. Tudo para ele era belo, um sonho encantado. Olhava feliz para os dois coqueiros que envergados pelo vento pareciam reverenciar a sua casa. Olhava os canteiros floridos que faziam o contorno de sua casa. A fumaça que saia da chaminé, e se perdia bêbada pela amplidão, anunciava que dentro daquela casa tinha alguém que o esperava. Olhou e sorriu. Notou mais adiante, no sitio visinho que os bois em fila se recolhiam aos currais. O mundão para ele era tudo aquilo, nada mais desejava, nada mais lhe faltava.
Tudo era mansidão e paz e ele sentia-se o homem mais feliz do mundo.
Quando já perto chegava, uma criança abriu a porta e de braços abertos, passou correndo pelo semi aberto portão seguida pelo seu guapeca. Vinha feliz, gritando em sua direção, anunciando:
- Mamãe, mamãe o papai ta chegando!
O caboclo contente, também de braços abertos, se ajoelhou para ficar na mesma altura e esperou pelo abraço gostoso que chegava de seu filho. O cachorro de rabo abanando permaneceu ladrando a sua volta,
Na porta da palhoça a cabocla, de avental, sorrindo viu se repetir, de tantas, mais uma vez, esta linda cena.
Num abraço apertado os dois permaneceram, pai e filho, por algum momento em silêncio como se fosse o regresso de uma longa ausência. O cachorro então, parecendo entender, apenas gania baixinho.
O caboclo levantou-se, pegando no colo seu filho, que em mil perguntas queria saber tudo o que aconteceu com o pai naquele dia. Passou a mão calejada na cabeça do pulguento e rumou para casa.
Na soleira da porta abraçou sua cabocla.
A casa era singela de paredes e assoalho em madeira lavrada coberta de sapé. Uma mesa tosca, com quatro cadeiras em palhinha, era a mobília mais importante presente que fora dado por um compadre seu. Na parede, assentado numa cantoneira, um rádio antigo, valvulado tocado a bateria era a única modernidade daquela família. Um quadro antigo da sagrada família estava pendurado na outra parede abençoando o ambiente. Um lampião a querosene deixava rastros de fumaça na parede onde estava pendurado. O quarto era contiguo a cozinha onde acomodava o casal e seu filho nas camas toscas coberta de colchão de palha de milho.
A lata de água no fogão a lenha de taipa para o banho já estava quase borbulhando. As panelas de ferro já anunciavam que o jantar logo estaria pronto.
Pegou o machado atrás da porta, verificou o fio e foi cortar um pouco mais de lenha. Empilhou-a no puxado ao lado do poço. Com o sarilho tirou alguns baldes d’água enchendo a tina que estava dentro da cozinha. Conferiu as galinhas no galinheiro fechando-o cautelosamente. Deu uma rápida olhada no leitão que engordava no chiqueiro, quando então, escutou a voz de sua cabocla:
- A água já tá quente, amor! Anunciou ela;
A noite já se apresentava vestida de estrelas no brilho do luar que se perdia na amplidão.
O caboclo entrou, acendeu o lampião da cozinha e levou a lamparina para o lugar do banho.
Desceu na roldana o balde de chuveiro, colocou a água fria e em seguida a água quente dosando a temperatura; Ergueu-o na altura adequada, amarrando a corda num prego de caibro que se encontrava cravado na parede.
O caboclo sentou-se à mesa, e em seguida seu filho. A cabocla carinhosamente serviu o jantar e sentou-se também. Na mesa o feijão, o arroz, a farinha de mandioca e o frango tudo do processo do próprio sítio. Um breve silêncio, e a voz de barítono do caboclo elevou-se em oração de bênçãos, e agradecimento pelas coisas que tinham.
Num banco tosco, ao lado de fora recostados na parede os três conversavam tomando banho de luar admirando as estrelas ao som da orquestra da zoina dos mosquitos, dos grunhidos do porco no chiqueiro, do pio das corujas e do muar das vacas nos currais mais distante.
Tudo era melodia quando então o caboclo para completar a sinfonia pegou sua viola e começou a cantar uma modinha qualquer. Seu filho, que brincava com o cachorro, sentou no banco ao lado da mãe para se deliciar com as canções de seu pai.
Sua toada, na voz melodiosa foi além da cerca, além dos currais, perder-se no horizonte escuro.
Quando viu o filho adormecido no regaço da sua cabocla cantou, com alegria e muito amor, sua última canção.
Esta música foi como uma oração que ele dedicou ao seu criador antes de se recolher.
Apagou-se o lampião.
Tudo agora dorme na sinfonia surda do silêncio, apenas o vento, do lado de fora, brinca nos ramos verdes do coqueiro que se curva ainda mais.
por: Mario dos Santos Lima
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