MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
domingo, 28 de outubro de 2012
FESTA DE ANIVERSÁRIO
A comemoração do aniversário de alguém é um evento que hoje é de praxe. Nem sempre foi assim. Na comemoração é comum ter apenas convidados da família e amigos, mas sempre, algum penetra, cara de pau, acaba festejando junto.
Nos primórdios a festa de comemoração era considerada satânica pela igreja, mas ela acabou estrategicamente cedendo para poder comemorar o nascimento de Cristo. No início, as comemorações eram sérias e cheias de rezas, mas agora, muitas vezes, é uma verdadeira putaria com mulheres nuas saindo de bolos enormes, bolos explodindo, e etc. Eu acho que a Igreja vai acabar proibindo novamente. Antes a festa era pagã, e apenas os pecadores comemoravam, e agora são os sacanas que comemoram.
Segundo pesquisa, o costume de dar parabéns, dar presentes e de celebração, com requinte de velas acesas, era para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança e bem estar no ano vindouro, mas nada está escrito que deva fazer sacanagem e dar festas surpresas. Em lugar algum está escrito que deva ter bexigas, línguas de sogra, para abrilhantar a festa.
Eu acho que a coisa evoluiu com a necessidade de mudanças. Deixaram de lado as rezas e colocaram os cantos profanos, línguas de sogra e as bexigas.
Quando guri não apreciava muito o dia de meu aniversário, e sinceramente não me lembro de tais festas, provavelmente porque meus pais eram cumpridores das normas da Igreja - não realize festas pagãs! No dia de meu aniversário procurava me esquivar de tudo e de todos. Se alguém descobrisse lá vinham os puxões de orelhas e pisadelas no pé, tantos quantos fossem os anos completados.
Hoje a festa surpresa virou moda. Se você tem um grupo de amigos e vai aniversariar, pode saber que vão aprontar com uma festa surpresa. A festa surpresa já nem é mais surpresa. Alguém sempre te avisa para ir no lugar x ou y com alguma desculpa qualquer. E você vai sabendo que é a tal festa surpresa.
Para ficar legal é interessante que você faça cara de espanto e felicidade.
Em um aniversário meu, meu filho ainda pequeno veio até a mim e disse que a mãe pediu para não contar que eu teria uma festa surpresa.
Só pelo fato de alguém estar inventando e preparando isto é porque realmente a data é significativa. Fiquei feliz e fiz cara de surpresa quando lá cheguei.
Mas às vezes a festa surpresa acaba sendo surpresa para quem apronta.
Certa feita uma amigo meu freqüentava uma escola técnica noturna e estava afim de deglutir a linda e sensual professora. Ela não dava a mínima para ele.
Na aula, não prestava atenção, e vivia sonhando com ela pelada em seus braços perdida em beijos mil.
No dia de seu aniversário, os bons espíritos pareciam que o estavam ajudando.
A professora veio até ele, mas sem cumprimentá-lo convidou-o para ir a casa dela após a aula.
Foi a aula mais demorada para ele. O relógio preguiçosamente patinava entre os números e ele feito um doido queria xingá-lo
A aula terminou. Foi finalizada bem antes do horário, e a professora docilmente disse:
- eu te espero as dez lá em casa.
Como tinha muito tempo aproveitou para divagar um pouco em seus devaneios.
Deixou solto seus pensamentos. Pensamentos sacanas, pornográficos.
Pensou na sexualidade da professora; Nela despida com seus seios a amostra; Pensou na besteira boa que iria fazer com ela; Foi pensando, ficando cada vez mais excitado, e acabou por chegar um pouco antes do horário no apartamento da professora.
Din don, a campainha tocou.
Ela atendeu, deixando-o na anti sala. Pelos trajes dela parecia ainda estar finalizando o apronto de seu corpo. Ele se deliciou, deslizando seus olhos nas cochas que ficaram um pouco a amostra, e se embebedou dos seios que tentavam escapar da blusa ainda mau abotoada, e ouviu, como num sussurro maravilhoso ela dizendo:
Aguarde só um pouquinho que já te atendo!
Quase doido, em mil pensamentos pornográficos, ficou ali aguardando.
- Entrarei assim vestido ou é melhor tirar a roupa? Ficou remoendo esta indecisão.
Seu corpo todo tremia em êxtase, e como um animal, já com a arma engatilhada, resolveu tirar toda a roupa e aguardar o chamado.
Ouviu finalmente uma voz macia, aveludada encharcada de sensualidade, convidando-o a entrar.
Ansiosamente entrou, cego de amor para dar.
O ambiente estava as escuras, mas ele adentrou pronto para o acasalamento.
Um fósforo é riscado e uma vela se acendeu ao fundo; Fez se ouvir um coro, não de anjos, mas de intrometidos capetas que ruidosamente cantavam:
- Parabéns pra você...
A luz se acendeu.
Olhos arregalados, espantados, e o silêncio sepulcral se implantou no ambiente.
Com as mãos em concha no meio das pernas, apavorado tentou acalmar o monstro e ouviu e viu mãos assustadas na boca, e gritinhos de ui ui ui!
por: Mário dos Santos Lima
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
EXAME DA PRÓSTATA
Jamais jogue um bumerangue a esmo, principalmente se você não estiver revestido de todas as habilidades para fazê-lo. Ele vai, volta e te atropela.
Conversa de botequim, na grande maioria das vezes é só lamúria, vomitada por boca mole anestesiada pela cachaça, mas, muitas vezes, é um abre coração, um desabafo total. Palavras soltas, bêbadas, para a redação de uma boa crônica.
E foi num desses encontros encharcados que meu amigo, um Major aposentado da aeronáutica, já chamando Jesus de Genésio, me contou uma passagem amarga e cruel de sua vida.
Este meu amigo tem um conjunto de opiniões pré concebida quanto a raça e quanto ao sexo. Sexo para ele só pode ter dois, masculino e o feminino. O invertido para ele não existe, e ele o abomina. A mulher, quando muito, deverá estar pilotando, mais ou menos, um fogão e nada mais.
Quando na ativa, tinha ele por tarefa dar treinamento de todas as manobras em terra aos aspirantes da aeronáutica.
Era a primeira fase antes de assumir os treinamentos de vôo nos jatos; O aspirante tinha que ser muito macho e persistente para agüentar e passar pelas agruras da primeira fase com o machista e discriminador meu amigo.
Ele pensava e agia assim, e desta forma eram poucos os que sobreviviam. Para ele só os caras de saco roxo poderiam passar para a segunda parte.
Um dia a terra se abriu e o inferno veio à tona quando ao responder a chamada uma voz fina, macia, musical se fez presente no meio daqueles truculentos machões da tropa.
Ele parou a chamada, ficou em silêncio externo, mas na maior confusão internamente. O batalhão, que conhecia bem suas opiniões, permaneceu sepulcralmente em silêncio aguardando o pior.
Meu amigo petrificado grosseiramente perguntou:
- Quem é você e o que está fazendo aqui?
- Sou médica e aspirante em treinamento para vôo de caça.
Aquilo foi o fim da picada para o troglodita. Engoliu à seco a informação e deu início a operação de treinamento, com muito mais rigor com o intuito de eliminar, o mais rapidamente, aquela coisa perniciosa que se fazia presente ali.
- Um dia eu como o cu desta filha de uma puta e coloco-a no lugar que ela merece. Ela não vai agüentar o repuxo! pensava raivosamente meu amigo.
Dos dez aspirantes em treinamento apenas dois conseguiram sobreviver ao duro calvário imposto pelo Major. Para sua infelicidade a médica conseguiu êxito em primeiro lugar. Imitando Hitler, se negou a entregar o certificado e cumprimentar a aluna.
O cu da médica estava intacto.
O tempo passou.
Meu amigo agora um pouco mais flexível com relação às suas opiniões está aposentado e gozando das benesses do plano médico da aeronáutica.
Um dia, o urubu da sorte pousou no ombro dele.
Precisou fazer uns exames médicos preocupado com umas dores que sentia entre os grãos do saco e o final do tubo digestivo. Marcou consulta e se apresentou na horta marcada.
O enfermeiro preparou-o, deitando-o de costa, só de roupão - aquela vestimenta branca, ordinária, que cobre a frente mas deixa a bunda livre para o vento e para quem quiser ver.
Pediu que ficasse com as pernas dobradas e abertas para facilitar o serviço - estava tipo mulher grávida preparando-se para o parto.
- A médica já vem, completou o enfermeiro.
- A médica? perguntou espantado o Major. Quis levantar, mas foi impedido pelo enfermeiro que disse:
- Calma, a médica é um capitão e é muito competente.
- Uma mulher vai botar o dedo no meu cu! pensou desesperado o meu amigo.
Os minutos que se seguiram foram séculos intermináveis de mil péssimos pensamentos para ele, e eis que surge na porta, colocando uma luva e metendo o dedo na vaselina, vestida de branco uma esbelta e sorridente mulher.
- Bom dia professor! cumprimentou-o fazendo solene continência e se dirigindo direto ao orifício final do tubo digestivo do Major.
Era sua odiosa aspirante que agora estaria fazendo nele o que ele gostaria de estar fazendo nela. Suava frio, e parecia que o dedo da maldita ex aspirante, ao se aproximar, criava uma dimensão enorme. Ele via no sorriso dela, um sarcasmo parecendo evidente que estava ali, por vingança, e a fim de fazer um estrago.
O dedo da médica era maior que ela. Meu amigo jura que ouviu o maldito dedo escrachadamente dizendo ao se aproximar do orifício:
- Se prepare machão que agora vou te cutucar. O dedo ria loucamente, e o meu amigo, de pernas abertas, sofria tristemente.
A coisa enfim aconteceu.
Ou pela dor, ou pela raiva, ou pela vergonhosa humilhação ou até pelo medo incontido, o esfíncter interno não ficou devidamente relaxado fazendo com que a penetração inicial do dedo no orifício anal causasse uma dor insuportável. Mijou na mão da médica e fez questão de desmaiou para não presenciar mais nada.
por: Mario dos Santos Lima
SER MÉDICO
É, no despertar da aurora da vida quando tudo ainda é folguedo
na vocação incontida, olhar esta meta, e sem medo
se debruçar em mil livros para pesquisar e estudar
a ciência que os males dos homens vem dar alívio ou curar...
É ser sempre uma criança simples, amável e sincera
quando no trato dos outros... é ser gente... se compadecer
com o sofrimento e agonia do ser que na vida só espera
uma mão amiga... forte... na hora extrema de falecer...
É ver, por entre suas mãos fugir a vida, tranqüilo, porém
estar pelo dever cumprido... é ouvir...ser apoio sempre amigo
e jamais ser mercenário... bem receber o rico e o mendigo...
É não desistir até o derradeiro suspiro de alguém;
É tentar até o impossível... é chorar, abraçar... é ser gente...
É suplantar os defeitos... ser anjo de amor sempre presente.
sábado, 6 de outubro de 2012
EXCESSO DE FUNDO QUEBRA O BANCO
A saúde de uma instituição financeira depende basicamente das entradas das aplicações financeiras que são formadas e mantidas por ávidos, finórios e esperançosos aplicadores. Quanto maior for o fundo de investimento mais sólido é o caminho do retorno esperado por estes gananciosos aplicadores.
Que eu saiba um banco jamais quebraria por excesso de fundo.
A aula transcorria normalmente com minhas informações e discussões a respeito de fundo de investimento, sobre governança do sistema financeiro, sobre a taxa de alavancagem entre os passivos e os ativos da instituição financeira, sobre o risco sistêmico e etc. Pela minha atitude de poucos amigos e de aspecto sisudo a classe com quase setenta alunos permanecia calada na maior abstração. Ou era por não estar entendendo nada ou por medo de se manifestar. Na realidade eu acho que os alunos eram chauvinistas com tendências narcisistas com minomanias extravagantes. Mesmo que fosse uma falácia a minha exposição eles estavam ali quietos e dominados.
O ruído do movimento das asas de uma mosca era perfeitamente audível. Até a brisa que atrevida invadia a classe pelas janelas abertas sussurrando coisas incompreensíveis era notada. Nada mais perturbava ou transgredia a minha ordem de silêncio absoluto enquanto decorria o tema. Até a sutil vibração da mudança de pensamento podia-se ouvir.
O calor que se fazia era cruel e se podia ouvir o ruído das gotas de suor que caiam das faces angustiadas como se este ruído fosse um crepitar de lenha ardendo. Uma a uma rolavam pelo rosto indo se chocar até ao chão e se evaporando célere no ar.
Os alunos hipnotizados não se permitiam nem o piscar.
Se fosse pintado ou congelado este momento por certo a cena seria uma pintura quase macabra.
Eu me sentia o próprio deus no domínio total da sua criatura. Tudo estava dominado naquele ambiente.
Alguém, lá no fundo da sala detentor de um esqueleto que carregava nada mais que cento e cinqüenta quilos de ossos, carne, músculos, tripas e merdas suava a cântaros aguardando em pânico por certo o final da aula.
Tanto mexeu de um lado para outro que a pobre cadeira não agüentando simplesmente abriu as pernas fazendo o animal se esborrachar no chão.
O baque daquele enorme corpo fez estremecer toda a sala. Este impacto quebrou a inviolabilidade do silêncio imposto. Tudo ficou congelado no tempo e no espaço. As gotas de suor deixaram de cair petrificadas de medo. As moscas se escafederam e a brisa medrosa saiu sorrateira da sala para não levar a bronca inevitável. Em cada aluno havia a expressão angustiada do depois. De bocas abertas estavam todos de olhos fixos em mim. O aluno, de peso avantajado em pânico, todo esborrachado ao chão olhava para mim suplicando clemência. A cadeira toda arrebentada destoando do clima ria feliz da situação.
Todos esperavam de mim uma atitude cruel pelo sacrilégio cometido.
Agüentei até onde pude para não rir da situação burlesca. Quebrei então o gelo retirando a máscara de bárbaro algoz desenhando então no canto de minha boca um leve, furtivo e delicioso sorriso.
Os alunos então perceberam. Descontraíram-se. O cenário se descongelou e num ruidoso e alegre burburinho incontinente se viraram para trás olhando a vítima estendida ao chão em meio à coitada da cadeira quebrada.
Voltaram-se então para mim e provocantes disseram:
- Mas o professor não afirmou agora a pouco que excesso de fundo não quebra um banco?
Tive que admitir a brincadeira e quebrando o protocolo rir com eles.
por: Mario dos Santos Lima
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