MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
domingo, 19 de maio de 2013
O CAMINHO PARA O CEMITÉRIO
E o corpo embalsamado permanece, e irá permanecer ainda por muito tempo, na tapera!
Seu Zé estava conformado. Sua morte estava com data marcada, e pronto!
Ele amealhou durante sua vida alguns centavos a mais, mas vivia parcamente, como Deus queria, numa tapera lá no limiar da cidade. Um dia alguém, bem vestido, com uma pasta executiva na mão, chegou-se, bateu palma, e ao ouvir o chegante seu Zé grita lá de dentro:
- Pode entrar!
E, autorizado, entrou vagarosamente dizendo:
- Seu Zé, vim vender um plano funerário.
- O que, vivente? o que você ta trazendo prá mim? perguntou perplexo o franzino e mal cuidado Zé.
Vendedor que é de fato vendedor, vende geladeira no pólo norte com a mesma facilidade que um bêbado empurrado rola escada abaixo. Argumentou isto e aquilo, apresentou as facilidades de uso e...
Eu acho que este vendedor estava em treinamento, e como prova final para ser aprovado para o cargo, teria que vender um plano a um miserável qualquer. E seu Zé foi a vítima.
- Mas eu não tenho dinheiro para pagar!
- Não se preocupe, assine aqui e eu pago este auxilio funeral.
E vendeu o plano.
Agora seu Zé estava feliz protegido para uma boa morte. De tudo que o apavorava era não ter um lugar para cair morto. Agora tinha, e dos grã-finos, elegante mesmo.
O plano era lindo. Dava direito a caixão, flores, 2 carpideiras, um carro preto para levar o esquife até o cemitério e pelo menos 4 pessoas para pegar nas alças do caixão e carregar até a cova. A rua até o campo santo estaria revestido de pétalas de flores, e isto foi o que mais o encantou - A rua toda transformada num tapete de flores.
Seu Zé embora magro, grisalho, aparentava saúde, mas um dia a coisa aconteceu.
Levantou cedo, como sempre fazia, e ao se por de pé, sentiu uma dor aguda no baixo ventre.
A dor se embrenhou por entre as tripas, e seu Zé, se contorcendo todo, foi ao pronto socorro.
A espera foi longa e a dor lancinante fez com que, langoroso, caminhasse, diversas vezes, de um ponto ao outro para beber água, e voltar a sentar. Dormiu, acordou e finalmente chamaram pelo seu nome.
- O que você tem? perguntou o médico.
- Se for dinheiro, não tenho nada, ainda tentou abrandar a dor com uma gracinha, mas acabou revelando o que estava sentido no seu combalido corpo.
O médico examinou, examinou, franziu a testa, olhou com aquela cara de Maria Madalena menstruada para o Zé, e antes que ele falasse qualquer coisa o Zé interpela:
- É grave seu doutor? Vou morrer? tenho quanto tempo de vida?
Quase todo médico é um vidente, e olhando aquele esqueleto a sua frente e conhecendo a gravidade do problema disse:
- Você tem medo da morte?
- Tenho não seu dotô.
- Tem plano de saúde?
- Só tenho plano funerário.
- Tem alguém que possa cuidar do senhor?
- Tenho só meu guapeca pulguento.
O médico, pelo diagnóstico, sabia que o miserável estava com os dias contados e desamparado dos planos de saúde. Pegou carinhosamente suas mãos e olhando fixamente nos seus olhos disse lentamente:
- Aproveite fazer tudo o que quiser, pois você tem no máximo três meses de vida.
Seu Zé agradeceu e saiu da sala do médico confortado, incrivelmente feliz, como se tivesse saindo de uma Igreja, de um puteiro ou então de um boteco.
Sentiu uma vontade enorme de cantar, e começou a cantar com sua voz desafinada, mas alegre. Cantou, e cantou muito na dolência da morte. Criou coragem, e finalmente, depois de muitos anos, declarou seu amor para aquela que a vida toda foi seu amor secreto.
Gritou no portão da casa dela:
- Eu te amo!, eu te amo! mas ela não escutou porque já velha e surda.
E fez isto todos os dias durante os três meses, e ninguém o contratou como cantor e nem a velha surda veio declarar seu amor por ele. Ele não se importou com isto.
Chegou o dia e ele feliz morreu.
Lá estava o esquife parecendo um buque de flores ladeado pelas carpideiras e pelos quatro carregadores. O carro fúnebre estava a postos, mas as flores, que despejaram na rua principal que leva ao cemitério, desapareceram nas crateras desta via mal cuidada.
O cortejo teve que tomar outro rumo para desviar dos enormes buracos.
E seu Zé, mesmo morto, mostrou uma expressão de tristeza, e para espanto de todos, o espírito dele materializou-se, abriu a tampa do caixão, sentou-se, pediu para parar, desceu, subiu em cima do ataúde e disse:
- Podem me levar de volta para a minha tapera! Eu paguei um pacote completo para o funeral, e está faltando a rua do cemitério coberta de flores.
E completou:
- Quero ficar em casa até que este maldito prefeito tampe os buracos da rua que leva ao cemitério.
Dito isto o espírito desapareceu e seu Zé, de expressão aborrecida, deitou novamente no caixão.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
terça-feira, 7 de maio de 2013
UM MONSTRO DO RABO PELUDO
Aquele sábado estava ensolarado, um tanto morno, sem qualquer vestígio de nuvens que manchasse a imensidão azul; era de fato um lindo sábado. Enquanto eu iniciava a limpeza geral e lavagem do carro a Alice, puxando o carrinho, seguia até a feira, que ficava ali na esquina próxima, para as compras de verduras.
A feira era tradicional aos sábados, e ocupava a rua toda, com as barraquinhas, nas calçadas, de um lado e do outro da rua, formando um corredor entre elas. Nesse corredor fervilhava gente, que aos encontrões, no vai e vem com seu carrinhos e sacolas, comprava coisas aqui e acolá.
Os carrinhos de feiras, naquela época eram todos iguais. O fabricante deles deveria ser um empreendedor monopolista; Com certeza um inventor de saco cheio com a mulher, sogra e filhas, que gostavam de ir a feira, e usavam o porta mala do carro dele, uma Ferrari, para transportar as verduras.
A Alice, como tantos outros, tinha por hábito deixar o carrinho no corredor, e de um lado ao outro, passando por diversas barracas, buscava pelas verduras e legumes, pesquisando preço e qualidade.
O nosso médico proibiu qualquer comida gordurosa e a nutricionista elaborou um cardápio com muitas verduras e legumes.
A Alice fazia questão de seguir religiosamente o que estava prescrito.
Eu ainda estava no processo do embelezamento do meu fusca 66 quando vejo surgir, do meio da multidão, a minha graciosa loira, puxando o carrinho de feira repleto de compra.
Larguei o que fazia e fui ajudá-la.
Deixei o carrinho no meio da cozinha e voltei para a minha atividade inicial.
Tudo parecia normal, mas de repente ouço um grito de pavor vindo de dentro da casa.
O grito ecoou pelas cercanias fazendo os vizinhos saírem à rua, e o povo da feira bater em retirada.
De cabelos arrepiados e de expressão assustadora, sai de dentro de casa a Alice gritando:
- Tem um monstro peludo lá dentro e ele está no carrinho de verdura!
Ela estava desfigurada, em estado de choque.
Corri para protegê-la sentando-a no banco do carro. Alguém trouxe água com açúcar para ela. Eu e uma dezena de vizinhos, armados de cacetes, facas e até revolver, fomos cuidadosamente adentrando a casa afim de liquidar o monstro.
O pavor é o saco encolhido do medo. O medo cria imagens fantasiosas, e proporciona com isto um estado de alerta e de auto defesa. Desta forma ficamos à mercê da fantasia.
Naquele momento, pelo meu anus não passava uma fina agulha de costura, e sentia o gosto de meus grãos, que se recolheram covardes quase na minha garganta.
Ao abrir, vagarosamente, medrosamente, a porta da cozinha, o ranger dela fez arrepiar cada pêlo que cobria meu corpo.
Eis que lá estava ele, intacto, do jeito que deixei, esperando para ser descarregado e sem vestígios do monstro.
Entreolhamo-nos, e nos nossos olhos pairou silenciosa a pergunta:
- E o monstro? onde está este famigerado monstro?
Procuramos, com cautela, por todos os cantos; atrás das portas; dentro dos guarda-roupas; debaixo da cama, e nem vestígio do maldito.
Alguém grita apavorado lá da cozinha:
- Encontrei o monstro! o rabo peludo dele está aqui para fora do carrinho.
Incontinente, estávamos na cozinha olhando para o carrinho.
Enfiado por debaixo das verduras, deixando o rabo peludo vazado por entre as fendas do carrinho, lá estava o monstro.
O que estava armado, não perdeu tempo, descarregou o revólver.
Aguardamos alguns minutos, e como o monstro não se mexeu, supostamente estando morto, resolvemos, com cuidado, esvaziar o carrinho.
Enquanto o processo era executado alguém comenta:
- Quero ser convidado para sua feijoada!
Olhando curioso para aquele monte de orelhas de porco, pés de porco e rabo peludo de porco que estavam dentro do carrinho, todo perfurado de balas, conclui:
- A Alice, com certeza, na hora de vir embora, pegou trocado o carrinho!
Já refeitos do medo, olhando uns para outros, caímos na gargalhada.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 29 de abril de 2013
A MARCA NA FORQUILHA DO ESTILINGUE
O estilingue, na mão de um moleque de práticas perversas, é uma arma de grande poder de destruição da passarada e das vidraças, ou então, apenas um adereço no pescoço de um guri que quer apenas exibi-lo para se impor perante o grupo.
Hoje o celular, em tudo, substituiu este artefato - é uma arma de auto-destruição.
No meu tempo, um moleque traquinas era paramentado principalmente com um embornal carregado de bolotas de barro queimado e pedregulho, vestido apenas de calção rasgado, e no peito pelado a forquilha do estilingue pendurado no pescoço.
Meu pai, preocupado com a educação dos filhos, naquele tempo sempre me dizia:
- Meu filho, nós temos dois anjos,um mau e outro bom. Cabe a cada um ouvir e se responsabilizar pela escolha e pelo que se faz.
Por conta disso, acabei materializando e posicionando, em cada ombro, os dois anjinhos. O bom, de um lado, todo de branco, de asas lindas e transparentes, um tanto chato e afeminado, vivia dando bons conselhos. No outro ombro, o considerado ruim, todo de vermelho, chifrudo, cornudo por certo, querendo ser amigo, vivia instigando maldades e afirmando que isto era muito divertido.
Presenciei e tive que apartar muita contenda entre estas duas criaturinhas.
Era de costume marcar no cabo da forquilha os passarinhos abatidos. A forquilha do meu estilingue permaneceu virgem por muito e muito tempo.
As oportunidades para desvirginar o cabo não faltavam.
O anjinho mau me cutucava sempre quando, lá num galho mais adiante, aparecia um voante:
- Mate aquele com tua cetra! Você vai conseguir!
O anjo bom gritava no outro ouvido:
- Não faça isto com o coitadinho!
Sempre o instinto mau vencia e lá estava eu, com a bolota de barro na malha mirando o empenado voante.
Shelept, e la ia o projétil, cortando o ar, gananciosamente em busca do alvo.
O anjo mau às gargalhadas, sentado no meu ombro, batia palmas observando a pedra, que voava em direção ao pássaro, enquanto isso, o anjo bom, tentava, por todos os meios, desviar a pelota da rota. E conseguia. Eu errava mais uma vez o alvo, e por incrível que pareça, me deixando feliz.
Tinha moleque que o cabo da forquilha de seu estilingue era enorme só para conter os milhares de risquinhos, marcando a quantidade de pássaros abatidos.
O do meu pobre estilingue era do tamanho normal, apenas ensebado.
Se me perguntassem de quantas marcas o cabo de meu estilingue tinha, eu simplesmente respondia:
- Este é novo! os outros estão em casa.
Um dia a oportunidade surgiu.
A tarde já ia dando mostras de cansada, e com isto, aos poucos, se vestia com seu manto escuro.
Estava sentado, debaixo de uma enorme árvore, descansando da correria do dia antes de me recolher em casa.
Um bando de andorinhas, em revoada aos milhares, procurava abrigo, e foi exatamente nesta árvore que desceram. Com o peso a árvore quase veio ao chão.
Eu debaixo dela não acreditava no que via. Estava completamente municiado e tendo o apoio irrestrito do anjinho cornudo que aos pulos no meu ombro gritava:
- Hoje você vai fazer muitos riscos no cabo de seu estilingue!
O anjinho bom, apavorado, já estava lá em cima na árvore tentando espantar a passarada.
A passarada, aos milhares, chilreava já quase dormitando.
Carreguei minha arma e a estiquei apontando para o alto.
Soltei a pelota.
Nesse momento uma grande confusão lá em cima e a passarada iniciava o vôo em fuga, e eu pensei:
- Maldito anjinho bom, espantou minhas vítimas!
O anjinho cornudo ficou possesso e disse palavrões no meu ouvido.
A pelota rasgou o espaço e atravessou a folhagem da árvore.
Alguma coisa cruzou na frente da trajetória do projétil vindo despencar lá do alto aos meus pés.
Era um gavião enorme, com um pássaro ainda pequeno entre suas garras, e meu anjinho preso no bico.
Naquele momento entendi que a passarada entrou em revoada não por causa de meu anjinho e sim por causa da predadora.
O gavião estava atordoado e a jovenzinha penada se debatia entre as garras da ave de rapina.
Meu anjinho, meio tonto, meio depenado se recompunha aflito a um lado.
Enquanto libertava a pequena criatura das garras afiadas da monstrenga, o anjinho mau gritava a todo pulmão:
- Mate as duas! Mate! Mate que você poderá fazer dois risquinhos
no cabo de sua cetra! Mate! Mate!
Neste momento, toda apavorada pousa na minha mão uma passarinha que feliz, com lágrimas em seus olhinhos, choraminga para mim.
- Muito obrigado, guri por salvar meu filho querido.
Mãe e filho levantaram vôo, e junto com eles lá se foi o risquinho desejado.
A pedrada não foi suficiente para quebrar nada no gavião, mas antes de levantar vôo, puto da vida me diz:
- Moleque imprestável, você quase me matou, e para completar atrapalhou minha caçada, e agora não tenho comida para levar para meus filhotes.
O anjo vermelho ria dando cambalhotas no meu ombro, dizendo:
- Bem feito, ficou sem os risquinhos, seu babaca!
Puto da vida, meti a mão com força no meu ombro matando de vez o anjinho pestilento. Cheiro de enxofre, e penas vermelhas por todos os lados, foi o que sobrou do maldito.
O anjo bom, agora sem emprego, bateu asas e foi morar em outro ombro.
Peguei a forquilha e feliz fiz a tão desejada marca pensando.
- Na verdade não foi um pássaro que matei, mas o diabinho cornudo, e ele tinha asas , e é como se fosse um passarinho, e completei meu pensamento:
- Ninguém vai precisar saber!
E fui feliz para casa.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
sábado, 20 de abril de 2013
O PORNOGRÁFICO MENINO HOLANDÊS
A troça, ou chamada comumente de trote, é geralmente uma situação armada para produzir o que seu agressor arquiteta, e imagina que seja um resultado físico ou emocional humorístico, às custas da sua vítima. Hoje em dia isto é crime chamado de bulling.
Mas vamos a história.
A vítima foi um inocente menino holandês.
Moleque no meu tempo de guri, para ser dos bons, tinha que ser arteiro. Aprender e falar besteiras; Pegar ovos dos ninhos das galinhas; Pegar, às escondidas, frutas no pomar de um velho ranzinza; Tocar, e sair correndo, as campainhas das portas das casas; Mostrar, mesmo imberbe, orgulhoso o número de pentelhos que brotavam cobrindo o saco; Andar descalço, sem camisa, de calção rústico e rasgado; Mapear todos os ninhos dos passarinhos; Jogar futebol na rua com bola construída de meia; Andar armado de estilingue no pescoço e bolsos cheios de pelotas; Subir em árvores; Fazer e empinar papagaio; Rodar pião; Jogar bolinha de gude; e quando tinha uma guria no grupo brincar com ela de paciente e médico, e se apaixonar doidamente por uma menina ranheta qualquer.
Estávamos, no finalzinho da tarde, brincando de betes quando lá na esquina, meio arredio, medroso, um tanto acabrunhado, se aproximou um moleque de cabelos muito mais loiros que os loiros cabelos do mais loiro da turma. Olhamos desconfiados imaginando que fosse espião de algum outro bando. Corremos até ele, fazendo um círculo a sua volta, indagando:
- O que você quer?
Com os olhos assustados e lábios trêmulos, numa dicção arrastada, quase incompreensível e um tanto obscuro, tivemos dele, como resposta:
- Mim holandês.
O entendimento é um processo que se relaciona com a totalidade dos elementos que fazem parte da estrutura do relacionamento. Se você é desprovido da voz ou do ouvido, faz-se entender pelos gestos.
Em pouco tempo o menino holandês estava perfeitamente adaptado e enturmado na nossa gangue.
Algumas dificuldades de comunicação começaram a surgir, e decidimos que ele deveria aprender a nossa língua. Resolvemos que ele iria aprender tudo, mas seria do nosso jeito moleque travesso.
E as aulas começaram quase que imediatamente.
O pequeno holandês estava cada vez mais feliz, e nós nos divertindo muito com isto.
A mão era pé; A cabeça era bunda; A língua era o pinto; Pão era bosta e assim na maior sacanagem avançávamos no projeto de alfabetização pornográfica para aquele pequeno e inocente gringo. De todas as partes do corpo, eliminamos o cu, pois para o holandês cu era vaca, e com isto não teria muita graça para nós.
Paramos completamente, por dias seguidos, de praticar qualquer tipo de jogo ou brincadeira para se dedicar única e exclusivamente à missão hilária de ensinar a língua portuguesa equivocada ao nosso novo integrante.
O aluno progredia muito bem ao som de nossas gargalhadas.
A rua, palco de nossas brincadeiras, era um verdadeiro big brother. Das janelas semi abertas, olhos curiosos, maliciosos e contestadores vazavam espiando a nossa safadeza.
Um dia a coisa deu em merda.
O pai do menino levou-o a uma festa religiosa, e todo feliz pediu para que ele exibisse tudo o que tinha aprendido na escola do beco.
- Mostra, meu filho o que você aprendeu com seus amigos! Falando em holandês suplicou ansioso o pai.
E ele, lamentavelmente começou a falar.
As moças, meninas e mulheres horrorizadas, escandalizadas, em debandada correria, como aves assustadas, escafederam-se da sala, e os homens, às gargalhadas, escutavam o pequeno holandês que pedia bosta para comer e no lugar de pedir água para beber, pediu para uma senhora de idade fazer sexo com ele.
Os anjos fugiram, mas Deus ria às escondidas.
As mulheres se evaporaram da sala, e os homens se divertiam instigando mais e mais o pequeno pornográfico.
O pai, todo orgulhoso, querendo entender e participar daquilo tudo, pergunta a um poliglota o que estava acontecendo.
O poliglota todo temeroso, medroso, meio constrangido, levou-o até um canto, e ao pé da orelha explicou, tin tin por tin tin, tudo o que estava acontecendo .
A reação foi imediata. Pegando pelas mãos o escabreado pai do menino levou-o incontinente para casa.
Dias mais tarde, abandonando a nobre missão de professores pornográficos, voltamos as nossas inocentes brincadeiras de rodar pião, jogar futebol com bola feito de meia, brincar de esconde esconde.
Nunca mais vimos o menino, mas a lista de reclamações das malditas mulheres, que espiavam curiosas, se masturbando, pelas gretas das janelas, deixou em cada um de nós as marcas das varas de marmelo na bunda como paga pelas aulas ministradas.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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