sábado, 25 de maio de 2013

UM ENGRAXATE PRINCIPIANTE

O engraxate, nos dias de hoje, é uma figura em extinção. Normalmente, são senhores, experientes que a duras penas procuram manter a classe ainda viva. No meu tempo de garoto, entre 9 a 13 anos, era comum o bando de engraxates pelas ruas. Os moleques tinham pontos fixos e muitas vezes tentavam conseguir mais de um, e por esta invasão provocavam muitas brigas. Para ser engraxate, naquele tempo, era preciso ter algumas características básicas de um empreendedor de hoje. Precisava, principalmente , ter experiência no ofício. Não podia ter medo de enfrentar as dificuldades, saber inovar, e principalmente ser persistente. Todo guri que se prestava, tinha como sonho construir sua própria caixa de engraxar e sair pelas ruas, com ela nas costas, praticando o ofício. Eu não fugi a regra. A caixa de engraxar representava uma figura que conhecemos por trapézio. Basicamente montada por duas bases paralelas, uma menor e outra maior, e dois lados, não paralelos, que uniam estas duas bases. Normalmente, a base menor era formada por um caibro chanfrado nos seus lados para receber os lados não paralelos da caixa. O topo do caibro era chanfrado também, onde era pregado a madeira de apoio ao pé. Dentro da caixa eram armazenados os materiais necessário para o cumprimento do ofício de engraxate - As latas de graxas de cada cor; as escovas de dente para cada graxa; uma garrafa com água; um pano para limpeza do calçado; escovas para o brilho, pelo menos para cada cor de graxa; flanelas para cores diferentes e protetores de meia. Eu era um praticante do ofício desde bem pequeno. Meu pai me ensinou e eu, como paga pelos conhecimentos adquiridos, engraxava todas as semanas os sapatos dele. Não ganhava dinheiro mais ganhava experiência. E assim, um dia... Para ganhar alguns trocados e poder ir ao matinê e comprar alguns gibis, ampliei meu campo de ação atingindo um mercado diferenciado - comecei a prestar serviço para algumas famílias de alto poder aquisitivo, destas que tem mais calçados que pés para calçá-los. Já estava quase com minha liberdade econômica decretada, quando surgiu o desejo de ampliar ainda mais o mercado, e atingir outro segmento - O segmento das ruas, onde os andantes precisavam manter sempre brilhantes seus lindos sapatos. Eu olhava com inveja aquela molecada, com as caixas nas costas.Necessitava urgente conhecer melhor este nicho e traçar as estratégia de ação. Estudava comigo, no grupo escolar, um moleque engraxate. Ele sabendo de meus desejos me incentivou, ajudando no meu intento. Para minha aprendizagem, ofereceu-se para me levar nas suas andanças como companheiro nas engraxadas. Apresentou-me a seu grupo, num ponto frente a um bar. A aceitação pelo grupo foi imediata. Nos primeiros dias iniciei, ao lado dele, apenas observando. Aos poucos fui me aventurando na busca do cliente. Entendi que nesta profissão você tem que usar um marketing pessoal muito agressivo - deve ser falante, simpático, mas continuar sendo moleque. Conhecer o gosto e o jeito de cada cliente é fundamental. Aprendi tudo isto com meu amigo, e até iniciei, algumas vezes, engraxando alguns calçados de seus fregueses com a caixa dele. Gostei e me achei capaz. Teria agora que ter minhas próprias ferramentas e correr na conquista do mercado, trazendo clientes para minha caixa de engraxate. Esta era a meta. Com a ajuda de meu amigo, fiz a caixa, e com o dinheiro que tinha economizado comprei e preparei o material para o inicio das atividades. Pronto! lá estava eu indo todo feliz transvestido de engraxate com a caixa nas costas. O mercado exigia, e era uma estratégia de marketing pessoal, o garoto ir engraxar descalço, camisa semi aberta, calça curta e cabelos limpos e em desalinho. Eu era o protótipo do engraxate. Comecei o trabalho. O mercado dos engraxates era dividido em alguns segmentos - A estação de trem, a porta dos bares e o melhor segmento deles era os salões de barbearia. Na porta do bar que estagiei, protegido pelo meu amigo, fiz algumas engraxadas, sentindo-me interdependente, senhor de si. Com a autoconfiança adquirida, no dia seguinte, querendo administrar o negócio com independência, e atingir níveis crescentes de competitividade e rentabilidade, em busca de mais oportunidades, eu e minha caixa fomos a porta de um bar um pouco mais movimentado - era um ponto de ônibus. Minha auto confiança esbarrou no conflito de interesses. No momento em que começava a atender o meu primeiro freguês, naquele movimentado bar, fez com que o grupo de engraxates que dominava aquele ponto viesse animadamente até mim, e sem perguntas ou qualquer tipo de explicação, cobrisse meu pobre esqueleto de porradas por todos os lados, Quebraram minha linda caixa, pisoteando toda minha ferramenta de trabalho, Fui obrigado a bater em retirada. Entendi o recado que me deram! Sou um forasteiro, um invasor. Todo esfolado e dolorido, voltei ao antigo segmento de mercado, mais seguro, de pleno domínio meu, e sem os truculentos concorrentes. Até hoje, eu acho que, naquele tempo, não ampliei o negócio por falta de persistência. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

domingo, 19 de maio de 2013

O CAMINHO PARA O CEMITÉRIO

E o corpo embalsamado permanece, e irá permanecer ainda por muito tempo, na tapera! Seu Zé estava conformado. Sua morte estava com data marcada, e pronto! Ele amealhou durante sua vida alguns centavos a mais, mas vivia parcamente, como Deus queria, numa tapera lá no limiar da cidade. Um dia alguém, bem vestido, com uma pasta executiva na mão, chegou-se, bateu palma, e ao ouvir o chegante seu Zé grita lá de dentro: - Pode entrar! E, autorizado, entrou vagarosamente dizendo: - Seu Zé, vim vender um plano funerário. - O que, vivente? o que você ta trazendo prá mim? perguntou perplexo o franzino e mal cuidado Zé. Vendedor que é de fato vendedor, vende geladeira no pólo norte com a mesma facilidade que um bêbado empurrado rola escada abaixo. Argumentou isto e aquilo, apresentou as facilidades de uso e... Eu acho que este vendedor estava em treinamento, e como prova final para ser aprovado para o cargo, teria que vender um plano a um miserável qualquer. E seu Zé foi a vítima. - Mas eu não tenho dinheiro para pagar! - Não se preocupe, assine aqui e eu pago este auxilio funeral. E vendeu o plano. Agora seu Zé estava feliz protegido para uma boa morte. De tudo que o apavorava era não ter um lugar para cair morto. Agora tinha, e dos grã-finos, elegante mesmo. O plano era lindo. Dava direito a caixão, flores, 2 carpideiras, um carro preto para levar o esquife até o cemitério e pelo menos 4 pessoas para pegar nas alças do caixão e carregar até a cova. A rua até o campo santo estaria revestido de pétalas de flores, e isto foi o que mais o encantou - A rua toda transformada num tapete de flores. Seu Zé embora magro, grisalho, aparentava saúde, mas um dia a coisa aconteceu. Levantou cedo, como sempre fazia, e ao se por de pé, sentiu uma dor aguda no baixo ventre. A dor se embrenhou por entre as tripas, e seu Zé, se contorcendo todo, foi ao pronto socorro. A espera foi longa e a dor lancinante fez com que, langoroso, caminhasse, diversas vezes, de um ponto ao outro para beber água, e voltar a sentar. Dormiu, acordou e finalmente chamaram pelo seu nome. - O que você tem? perguntou o médico. - Se for dinheiro, não tenho nada, ainda tentou abrandar a dor com uma gracinha, mas acabou revelando o que estava sentido no seu combalido corpo. O médico examinou, examinou, franziu a testa, olhou com aquela cara de Maria Madalena menstruada para o Zé, e antes que ele falasse qualquer coisa o Zé interpela: - É grave seu doutor? Vou morrer? tenho quanto tempo de vida? Quase todo médico é um vidente, e olhando aquele esqueleto a sua frente e conhecendo a gravidade do problema disse: - Você tem medo da morte? - Tenho não seu dotô. - Tem plano de saúde? - Só tenho plano funerário. - Tem alguém que possa cuidar do senhor? - Tenho só meu guapeca pulguento. O médico, pelo diagnóstico, sabia que o miserável estava com os dias contados e desamparado dos planos de saúde. Pegou carinhosamente suas mãos e olhando fixamente nos seus olhos disse lentamente: - Aproveite fazer tudo o que quiser, pois você tem no máximo três meses de vida. Seu Zé agradeceu e saiu da sala do médico confortado, incrivelmente feliz, como se tivesse saindo de uma Igreja, de um puteiro ou então de um boteco. Sentiu uma vontade enorme de cantar, e começou a cantar com sua voz desafinada, mas alegre. Cantou, e cantou muito na dolência da morte. Criou coragem, e finalmente, depois de muitos anos, declarou seu amor para aquela que a vida toda foi seu amor secreto. Gritou no portão da casa dela: - Eu te amo!, eu te amo! mas ela não escutou porque já velha e surda. E fez isto todos os dias durante os três meses, e ninguém o contratou como cantor e nem a velha surda veio declarar seu amor por ele. Ele não se importou com isto. Chegou o dia e ele feliz morreu. Lá estava o esquife parecendo um buque de flores ladeado pelas carpideiras e pelos quatro carregadores. O carro fúnebre estava a postos, mas as flores, que despejaram na rua principal que leva ao cemitério, desapareceram nas crateras desta via mal cuidada. O cortejo teve que tomar outro rumo para desviar dos enormes buracos. E seu Zé, mesmo morto, mostrou uma expressão de tristeza, e para espanto de todos, o espírito dele materializou-se, abriu a tampa do caixão, sentou-se, pediu para parar, desceu, subiu em cima do ataúde e disse: - Podem me levar de volta para a minha tapera! Eu paguei um pacote completo para o funeral, e está faltando a rua do cemitério coberta de flores. E completou: - Quero ficar em casa até que este maldito prefeito tampe os buracos da rua que leva ao cemitério. Dito isto o espírito desapareceu e seu Zé, de expressão aborrecida, deitou novamente no caixão. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

terça-feira, 7 de maio de 2013

UM MONSTRO DO RABO PELUDO

Aquele sábado estava ensolarado, um tanto morno, sem qualquer vestígio de nuvens que manchasse a imensidão azul; era de fato um lindo sábado. Enquanto eu iniciava a limpeza geral e lavagem do carro a Alice, puxando o carrinho, seguia até a feira, que ficava ali na esquina próxima, para as compras de verduras. A feira era tradicional aos sábados, e ocupava a rua toda, com as barraquinhas, nas calçadas, de um lado e do outro da rua, formando um corredor entre elas. Nesse corredor fervilhava gente, que aos encontrões, no vai e vem com seu carrinhos e sacolas, comprava coisas aqui e acolá. Os carrinhos de feiras, naquela época eram todos iguais. O fabricante deles deveria ser um empreendedor monopolista; Com certeza um inventor de saco cheio com a mulher, sogra e filhas, que gostavam de ir a feira, e usavam o porta mala do carro dele, uma Ferrari, para transportar as verduras. A Alice, como tantos outros, tinha por hábito deixar o carrinho no corredor, e de um lado ao outro, passando por diversas barracas, buscava pelas verduras e legumes, pesquisando preço e qualidade. O nosso médico proibiu qualquer comida gordurosa e a nutricionista elaborou um cardápio com muitas verduras e legumes. A Alice fazia questão de seguir religiosamente o que estava prescrito. Eu ainda estava no processo do embelezamento do meu fusca 66 quando vejo surgir, do meio da multidão, a minha graciosa loira, puxando o carrinho de feira repleto de compra. Larguei o que fazia e fui ajudá-la. Deixei o carrinho no meio da cozinha e voltei para a minha atividade inicial. Tudo parecia normal, mas de repente ouço um grito de pavor vindo de dentro da casa. O grito ecoou pelas cercanias fazendo os vizinhos saírem à rua, e o povo da feira bater em retirada. De cabelos arrepiados e de expressão assustadora, sai de dentro de casa a Alice gritando: - Tem um monstro peludo lá dentro e ele está no carrinho de verdura! Ela estava desfigurada, em estado de choque. Corri para protegê-la sentando-a no banco do carro. Alguém trouxe água com açúcar para ela. Eu e uma dezena de vizinhos, armados de cacetes, facas e até revolver, fomos cuidadosamente adentrando a casa afim de liquidar o monstro. O pavor é o saco encolhido do medo. O medo cria imagens fantasiosas, e proporciona com isto um estado de alerta e de auto defesa. Desta forma ficamos à mercê da fantasia. Naquele momento, pelo meu anus não passava uma fina agulha de costura, e sentia o gosto de meus grãos, que se recolheram covardes quase na minha garganta. Ao abrir, vagarosamente, medrosamente, a porta da cozinha, o ranger dela fez arrepiar cada pêlo que cobria meu corpo. Eis que lá estava ele, intacto, do jeito que deixei, esperando para ser descarregado e sem vestígios do monstro. Entreolhamo-nos, e nos nossos olhos pairou silenciosa a pergunta: - E o monstro? onde está este famigerado monstro? Procuramos, com cautela, por todos os cantos; atrás das portas; dentro dos guarda-roupas; debaixo da cama, e nem vestígio do maldito. Alguém grita apavorado lá da cozinha: - Encontrei o monstro! o rabo peludo dele está aqui para fora do carrinho. Incontinente, estávamos na cozinha olhando para o carrinho. Enfiado por debaixo das verduras, deixando o rabo peludo vazado por entre as fendas do carrinho, lá estava o monstro. O que estava armado, não perdeu tempo, descarregou o revólver. Aguardamos alguns minutos, e como o monstro não se mexeu, supostamente estando morto, resolvemos, com cuidado, esvaziar o carrinho. Enquanto o processo era executado alguém comenta: - Quero ser convidado para sua feijoada! Olhando curioso para aquele monte de orelhas de porco, pés de porco e rabo peludo de porco que estavam dentro do carrinho, todo perfurado de balas, conclui: - A Alice, com certeza, na hora de vir embora, pegou trocado o carrinho! Já refeitos do medo, olhando uns para outros, caímos na gargalhada. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A MARCA NA FORQUILHA DO ESTILINGUE

O estilingue, na mão de um moleque de práticas perversas, é uma arma de grande poder de destruição da passarada e das vidraças, ou então, apenas um adereço no pescoço de um guri que quer apenas exibi-lo para se impor perante o grupo. Hoje o celular, em tudo, substituiu este artefato - é uma arma de auto-destruição. No meu tempo, um moleque traquinas era paramentado principalmente com um embornal carregado de bolotas de barro queimado e pedregulho, vestido apenas de calção rasgado, e no peito pelado a forquilha do estilingue pendurado no pescoço. Meu pai, preocupado com a educação dos filhos, naquele tempo sempre me dizia: - Meu filho, nós temos dois anjos,um mau e outro bom. Cabe a cada um ouvir e se responsabilizar pela escolha e pelo que se faz. Por conta disso, acabei materializando e posicionando, em cada ombro, os dois anjinhos. O bom, de um lado, todo de branco, de asas lindas e transparentes, um tanto chato e afeminado, vivia dando bons conselhos. No outro ombro, o considerado ruim, todo de vermelho, chifrudo, cornudo por certo, querendo ser amigo, vivia instigando maldades e afirmando que isto era muito divertido. Presenciei e tive que apartar muita contenda entre estas duas criaturinhas. Era de costume marcar no cabo da forquilha os passarinhos abatidos. A forquilha do meu estilingue permaneceu virgem por muito e muito tempo. As oportunidades para desvirginar o cabo não faltavam. O anjinho mau me cutucava sempre quando, lá num galho mais adiante, aparecia um voante: - Mate aquele com tua cetra! Você vai conseguir! O anjo bom gritava no outro ouvido: - Não faça isto com o coitadinho! Sempre o instinto mau vencia e lá estava eu, com a bolota de barro na malha mirando o empenado voante. Shelept, e la ia o projétil, cortando o ar, gananciosamente em busca do alvo. O anjo mau às gargalhadas, sentado no meu ombro, batia palmas observando a pedra, que voava em direção ao pássaro, enquanto isso, o anjo bom, tentava, por todos os meios, desviar a pelota da rota. E conseguia. Eu errava mais uma vez o alvo, e por incrível que pareça, me deixando feliz. Tinha moleque que o cabo da forquilha de seu estilingue era enorme só para conter os milhares de risquinhos, marcando a quantidade de pássaros abatidos. O do meu pobre estilingue era do tamanho normal, apenas ensebado. Se me perguntassem de quantas marcas o cabo de meu estilingue tinha, eu simplesmente respondia: - Este é novo! os outros estão em casa. Um dia a oportunidade surgiu. A tarde já ia dando mostras de cansada, e com isto, aos poucos, se vestia com seu manto escuro. Estava sentado, debaixo de uma enorme árvore, descansando da correria do dia antes de me recolher em casa. Um bando de andorinhas, em revoada aos milhares, procurava abrigo, e foi exatamente nesta árvore que desceram. Com o peso a árvore quase veio ao chão. Eu debaixo dela não acreditava no que via. Estava completamente municiado e tendo o apoio irrestrito do anjinho cornudo que aos pulos no meu ombro gritava: - Hoje você vai fazer muitos riscos no cabo de seu estilingue! O anjinho bom, apavorado, já estava lá em cima na árvore tentando espantar a passarada. A passarada, aos milhares, chilreava já quase dormitando. Carreguei minha arma e a estiquei apontando para o alto. Soltei a pelota. Nesse momento uma grande confusão lá em cima e a passarada iniciava o vôo em fuga, e eu pensei: - Maldito anjinho bom, espantou minhas vítimas! O anjinho cornudo ficou possesso e disse palavrões no meu ouvido. A pelota rasgou o espaço e atravessou a folhagem da árvore. Alguma coisa cruzou na frente da trajetória do projétil vindo despencar lá do alto aos meus pés. Era um gavião enorme, com um pássaro ainda pequeno entre suas garras, e meu anjinho preso no bico. Naquele momento entendi que a passarada entrou em revoada não por causa de meu anjinho e sim por causa da predadora. O gavião estava atordoado e a jovenzinha penada se debatia entre as garras da ave de rapina. Meu anjinho, meio tonto, meio depenado se recompunha aflito a um lado. Enquanto libertava a pequena criatura das garras afiadas da monstrenga, o anjinho mau gritava a todo pulmão: - Mate as duas! Mate! Mate que você poderá fazer dois risquinhos no cabo de sua cetra! Mate! Mate! Neste momento, toda apavorada pousa na minha mão uma passarinha que feliz, com lágrimas em seus olhinhos, choraminga para mim. - Muito obrigado, guri por salvar meu filho querido. Mãe e filho levantaram vôo, e junto com eles lá se foi o risquinho desejado. A pedrada não foi suficiente para quebrar nada no gavião, mas antes de levantar vôo, puto da vida me diz: - Moleque imprestável, você quase me matou, e para completar atrapalhou minha caçada, e agora não tenho comida para levar para meus filhotes. O anjo vermelho ria dando cambalhotas no meu ombro, dizendo: - Bem feito, ficou sem os risquinhos, seu babaca! Puto da vida, meti a mão com força no meu ombro matando de vez o anjinho pestilento. Cheiro de enxofre, e penas vermelhas por todos os lados, foi o que sobrou do maldito. O anjo bom, agora sem emprego, bateu asas e foi morar em outro ombro. Peguei a forquilha e feliz fiz a tão desejada marca pensando. - Na verdade não foi um pássaro que matei, mas o diabinho cornudo, e ele tinha asas , e é como se fosse um passarinho, e completei meu pensamento: - Ninguém vai precisar saber! E fui feliz para casa. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA