MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
A MALDITA GUERRA
Um dia, eu vi minha mãe muito mais feliz que em outros dias. Não chorava de angustia, mas chorava de felicidade.
Eu ainda não tinha completado meus cinco anos, mas me recordo muito bem daquele momento de imensa alegria reinando lá em casa.
A vida por si só é uma tragicidade, e quando surgem fatos novos não resolvidos, a angustia toma conta tornando a coisa mais complicada ainda.
Minha mãe não era uma filósofa na teoria, mas na prática ela desenvolvia e criava os momentos, que muitas das vezes eram fugazes, mas de desmesurado prazer.
A segunda guerra se desenrolava carnicenta envolvendo praticamente o mundo todo. As forças aliadas mandavam à frente da guerra milhares de soldados. Eram moços, de mil sonhos, e imbuídos de uma vontade enorme em defender seus ideais. A guerra os recebia, e os trucidava sem piedade. Mães, namoradas, irmãs e esposas ficavam chorosas no último adeus quando o navio num apito estridente, e fúnebre começava singrando o mar rumo à morte.
Os lenços brancos acenavam, e um grito imenso de desespero ficava engolido pelo barulho ensurdecedor das ondas.
Só ficava a esperança, e uma angustia enorme.
Meu pai, cabo pela academia militar, poderia a qualquer momento ser convocado. A convocação era sempre através de telegrama.
Minha mãe não se desgrudava do rádio ouvindo as notícias. Chorava a todo o momento sem que nós, seus filhos soubéssemos o porquê.
Meu pai chegava do seu labor e num longo e amoroso abraço pareciam dizer:
- Mais um dia, sem a visita do telegrama!
- O que será de mim e das crianças se você for convocado?
Meu pai muito religioso e muito prático dizia:
- Deus há de por um fim a tudo isto, e eu não precisarei ir a esta maldita guerra.
A guerra lambia cruelmente ceifando milhares de vida. Queria mais vidas. Queria mais sangue. Milhares de sonhos brutalmente desfeitos.
Meu pai lia as notícias, e minha mãe escutava o rádio; E os dois discutiam as possibilidades.
Minha mãe, vivendo no desenrolar da guerra uma tremenda angustia, e não querendo que isso aflorasse para seus filhos, arrumava sempre algum lazer para nós. Ela participava com a gente ativamente das lúdicas brincadeiras, tais como: - Quem conseguia fazer a melhor careta; quem era o melhor desenhista; quem era o melhor jogador de trilha; quem faria com as mãos a melhor sombra projetada da lamparina na parede.
Vivíamos felizes, e ela criava para ela momentos de frouxidão, de esquecimento.
As brincadeiras são uma arte, e como tal são entendidas, nesta concepção da vida, como catarse.
Meu pai chegava do trabalho, sempre apreensivo, mas sempre o abraço carinhoso na minha mãe não faltava. Para nós um beijo e sempre a mesma pergunta:
- E como foi o dia de hoje?
Dia, após dia, a guerra absurda vomitava rancor e engolia vidas inocentes.
O rádio transmitia continuamente notícias lá onde milhares de corpos, muitos em decomposição, forravam o chão. Eram poucas as propagandas, e as músicas, lá de quando em quando, acontecia para amainar um pouco os ouvidos atentos e apreensivos.
Um dia, eu vi minha mãe muito mais feliz que em outros dias. Não chorava de angustia, mas chorava de felicidade.
Ela ouviu o Repórter Esso, na empostada voz de Heron Domingues anunciar o final da guerra. Ela deu um grito de alegria e feito uma criança nos abraçou, nos beijou e dançou em lágrimas com cada um de nós.
Meu pai veio mais cedo para casa, e os dois, no mais longo e gostoso abraço que já vi, choraram tal qual duas crianças.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O NUDISTA
O nudismo é uma prática, quer queira quer não, que deriva do conceito mais vasto do naturismo. Todos nós sabemos que o naturismo se baseia num conjunto de princípios éticos e comportamentais que estão voltados à natureza como a melhor forma de viver, e de não gastar com vestimentas – não precisa comprar cuecas, calcinhas, sutiãs e outros adereços da moda.
De forma algumas devemos considerar o #nudismo como um feitio de exibicionismo. Até porque o filho de uma puta exibicionista tem desejo incontrolável de mostrar suas genitálias a outros. É uma forma maluca de obter satisfação sexual. Enquanto o nudismo segue uma filosofia de nada estar escondido ou apertado, o exibicionista, por outro lado, prende a coisa e solta estrategicamente em hora oportuna.
Concluindo, e eu acho que isso ficou bem claro, o #nudismo é a forma de refrescar as partes e viver no desapego geral. Você já viu, por um acaso, nudista botando a mão no bolso? Pois é, isto é o que chamamos de desapego.
Muito bem; Havia numa determinada região, próximo ao campo de nudismo, um cientista muito famoso, que era fissurado por pesquisar e estudar as diversas formas de nudismo. Ele era muito recatado e severo com relação ao sexo e libertinagem. Em vidas passada deveria ter sido monge. Era um solteirão convicto, porque nunca admitiu mostrar-se nu a uma mulher. Tomava banho de roupa só para não se ver pelado.
Certa feita foi realizado um encontro de naturalistas, e rolou diversas #palestras – como, por exemplo: Sentar ou não sentar com a buzanfa pelada na areia; Como fazer sexo na praia sem que o saco salpique de areia as partes íntimas da mulher; e outros princípios do bom viver do peladão. E muitos outros temas importantíssimos. No evento o palestrante mais comentado e mais esperado era o nome do cientista famoso.
Ele de início não quis aceitar, mas acabou concordando em fazer uma palestra, até porque a grana que receberia era polpuda.
Ficou muitos dias se preparando.
O grande dia chegou.
Para lá, todo nervoso foi ele.
O cientista descuidado não perguntou para quem faria a palestra.
Ele não viu, estava na coxia aguardando, mas o auditório estava completamente lotado com mais de dez mil pessoas do mundo todo. A maioria fundamentalistas e xenófobos que consideravam o naturalismo com aversão.
- Mais alguns minutinhos e será a sua vez! Disse o mestre de cerimônias.
O cientista estranhou o fato do cara estar todo vestido, mas se concentrou na sua palestra.
Ele ouviu que alguém, lá dentro anunciava o seu nome e ouviu o público efusivamente gritando, assoviando e batendo palmas.
Ele deveria então entrar.
Pensou:
- Meu Deus! Vou fazer uma palestra para nudistas, de que maneira deverei entrar? Será que vestido? Ou será peladão?
O povo já está finalizando os aplausos, e curioso para saber o que o cientista vai falar sobre o nudismo.
O cientista ainda na dúvida de como deveria entrar. Arriava a calça e imediatamente a vestia.
A dúvida é uma doença filha de uma puta mesmo.
Optou, por fim, em tirar toda a roupa, e assim entrou todo poderoso só de meias e com o discurso na mão.
- Ohhhhhhh!, Foi o que se ouviu do auditório furioso.
Colocando o discurso para cobrir as genitálias, e a mão na bunda, desapareceu do palco e da cidade.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 26 de janeiro de 2014
NÃO DESONROU A FAMILIA
Gosto de escrever minhas crônicas, principalmente com cenas onde sou um dos atores, mas muitas vezes acabo escrevendo também sobre cenas engraçadas que me disseram.
Esta história me foi contada por alguém um dia.
A menina, desabrochando para a vida, em estonteante beleza, provocava olhares famintos nos machos abobados por onde ela passava.
Seus seios se avolumavam, parecendo duas apetitosas ameixas, escondidas nas blusas extravagantes da menina rebelde.
Suas pernas roliças, sempre a amostra, numa provocação medonha do seu saracoteado andar, mostravam a menina florindo para uma vida de muito amor e paixão.
Seu jeito de ser refletia a inocência de uma criança.
Sua mãe, sempre preocupada, orientava seu comportamento:
- Cuidado minha filha, você não pode fazer isto ou aquilo; a vida é... blá, blá, blá, e blá.
Vocês já viram tubo fazer eco? Pois o ouvido dos jovens é como um tubo, entra de um lado e sai de outro sem qualquer aderência.
Mas um dia, a menina arrumou um pretendente, um safadão filho de uma puta que queria só se aproveitar dela. O desvergonhado queria só dar uns amassos e nada mais.
- Posso mãe? Perguntou solícita a menina. Posso sair com ele?
- Posso? Posso? Insistiu a garota.
A mãe preocupada resolveu atender ao pedido, mas antes chamou sua filha para uma reservada conversa. Orientação sexual de última hora – tipo prevenção de acidente.
- Minha filha, precisamos conversar seriamente.
- Sim mãe! O que vamos conversar? Toda curiosa perguntou a filha a mãe.
- Sobre a vida!
- Mas mãe, eu não quero saber agora nada sobre a vida, eu quero sair com o menino.
- Minha filha! Fez uma pausa com um longo suspiro a mãe, e na postura de preocupada, mas com as rédeas na mão, continuou.
- Você é linda e atraente, e os homens, muitas vezes, são como abutres que querem somente devorar a carniça.
- Mas eu não sou carniça! Interpelou a menina.
- Nem os homens são abutres, apenas uma analogia.
- Analo... o que? Não entendeu, mas pediu para a mãe continuar a história.
- Minha filha, hoje você vai sair com um rapaz, nâo é mesmo?
- Sim minha mãe.
A mãe não sabia por onde começar a conversa; gaguejou, pigarreou, adquiriu coragem e desenrolou o assunto.
- Você precisa saber! Parou um pouco.
- Saber o que mãe? Fala logo! Estou curiosa.
- Bem! Quando você conhece um rapaz, e começa a namorar com ele acontece muitas coisas.
A filha curiosa não tirava os olhos da mãe.
A mãe continuou na difícil missão de orientar a filha.
- Ele começa pegando na sua mão, apoia-se no seu ombro como quem não quer nada, fala palavras lindas, decoradas, e a mão boba desce, pouco a pouco, indo acariciar os seus seios.
- Credo mãe!
- Sim filha, ele em seguida, feito um cachorro farejando a cadela no cio, babando feito um tarado, começa a passar a mão nas suas cochas.
- E daí mãe, o que faço?
- Até aí, você não vai fazer nada, isto é normal, mas se ele quiser ficar por cima de você, não deixe de forma alguma.
- Mas por que mãe? Perguntou aflita a filha.
- Porque ele vai desonrar a nossa família! Respondeu de pronto a mãe.
A filha foi para o quarto para o apronto, e na sua cabeça martelava: “não devo deixa-lo por cima de mim para não desonrar a minha família” Repetia desesperadamente isto para não esquecer.
Foi para o encontro e a mãe angustiada teve ainda tempo para a última orientação:
- Não deixe que ele desonre a nossa família!
- Sim mãe! E lá foi a menina, toda feliz, para seu primeiro encontro com um cafajeste do caralho.
A noite foi longa para a mãe.
Os minutos gargalhavam bêbados olhando para a mãe sonolenta e ansiosa.
Eis que o trinco dá o sinal e a porta se abre.
E eis que ela entra. A madrugada, lá fora, lambia a lua, enquanto a mãe desesperada pergunta à filha.
- E aí, como foi o encontro?
- Muito bem! Foi, tin tin por tin tin como a senhora havia me informado. Pôs a mão no meu ombro, passou a mão nas minhas tetas, lambeu minhas cochas, mas quando ele quis desonrar a nossa família eu desonrei a família dele.
E a mãe, num grito agudo, caiu fulminada ao chão, gritando:
O cafajeste filho de uma puta fodeu com a família!
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 19 de janeiro de 2014
UM CADÁVER SEQUESTRADO
- Não acho conveniente levar sua mãe! Disse o marido a sua mulher.
- Por que não? Pergunta irritada a mulher.
Depois de muitas discussões acabaram concordando em levar com eles a idosa à praia.
Ele no volante mal humorado, ela do lado caladona, e no banco de trás, toda prosa, a filha com a vó. A viagem, de oitocentos quilómetros, com muitas paradas para os xixis de praxe, e trocas de fraldas na vó, chegou, com muito custo, ao seu final.
Até que enfim, depois de anos, as merecidas férias numa praia.
- Chegamos! Viva! Foi um grito uníssono de dentro do caro.
Final de dia, ainda sobrou um tempinho para um rápido banho de mar.
E foi só.
Diz o ditado: “azar mesmo é quando o urubu de baixo defeca no de cima”, e foi o que aconteceu.
- Por que a vó não se meche? Perguntou a netinha.
- Ela está dormindo, respondeu desesperada a mãe, tentando esconder o choro.
- Eu falei para você mulher! Disse, pra lá de puteado, o pai.
Em pranto a mulher pergunta:
- O que vamos fazer agora?
- Vamos embrulhar a velha e colocar no bagageiro, e zarpar de volta! Falou friamente o marido.
- Isto é um absurdo! É um desrespeito! Toda nervosa gritou a mulher. E se fosse sua mãe? Perguntou ela ao marido.
- Não temos dinheiro para o translado! Vociferou o marido.
- Por que estão embrulhando a vó no tapete, mãe?
- É para ela ficar mais quentinha.
O calor estava infernal. Se não fossem tomadas as providências imediatas o corpo começaria a entrar em estado de putrefação.
Com a mulher triste, aos prantos, no banco ao lado; com a sogra gelada enrolada no tapete e amarrada no bagageiro; o passeio, que teria a duração de um mês, foi estupidamente interrompido tendo início então um retorno fúnebre.
- Por que a vó tá lá em cima?
- Porque, porque... Durma aí menina e não faça tantas perguntas, respondeu o pai pra lá de irritado.
O translado de cadáveres tem uma legislação apropriada. Necessita de autorização e nota fiscal da mercadoria. Nada disso estava sendo cumprido.
A viagem estava tensa.
O guarda dá sinal para parar.
- Puta que os pariu, estamos fudidos!
- O que vocês carregam aí em cima? Perguntou o guarda.
- É a vozinha, respondeu a menina.
Ainda bem que o guarda não escutou, mas deu uma geral em volta do carro para examinar.
Suando frio, quando viu o pé da sogra aparecendo, rapidamente arrumou, encobrindo-o para o guarda não ver.
- É melhor você cobrir com uma lona, pois a chuva está próxima, comentou o guarda.
- Sim seu guarda, vamos fazer isto, mais adiante!
O carro fúnebre retorna a pista e segue adiante.
A fome já estava carcomendo as paredes do estômago e o xixi já umedecia a cueca e as calcinhas. Pararam numa taberna de beira de estrada.
- A vó não quer fazer xixi também?
- Não! Respondeu rispidamente o pai.
Para não despertar muita a atenção, o carro ficou estacionado um pouco afastado do boteco, em uma sombra.
Quando estavam entrando no boteco a pequena grita desesperada:
- Pai, dois homens estão levando a vozinha!
- Seus filhos de uma puta, voltem aqui, eu não paguei o carro ainda!
- Minha mãe, eu quero minha mãe!
E o carro perdeu-se no meio do poeirão na curva da estrada.
O carro foi roubado, levando o pobre cadáver de uma vozinha.
A confusão foi grande.
A polícia foi acionada e a netinha chorando gritava.
- eu quero minha vozinha!
Até hoje o sumiço da velhinha é dado como sequestro, e nunca mais se ouviu falar nela.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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