CORRENDO ATRÁS DO VENTO: A MANDIOCA MUITO ESTRANHA: - Que merda é esta? Você quer matar a tribo toda? O elemento, de que será alvo a minha crônica, é nada mais, nada menos que a apetitosa...
Mario dos Santos Lima
MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
domingo, 27 de abril de 2014
A MANDIOCA MUITO ESTRANHA
- Que merda é esta? Você quer matar a tribo toda?
O elemento, de que será alvo a minha crônica, é nada mais, nada menos que a apetitosa raiz tuberosa comestível.
A índia velha vivia, como qualquer outra, na tribo envolvida em suas atividades normais. Um dia casou, e levou seu amado para longe da tribo. Trocou a floresta verde com todos seus mananciais de águas cristalinas e o voar de lindos passarinhos, pela floresta em concreto armado de águas turvas e fedorentas, e de passarinhos engaiolados.
Na floresta de pedra e concreto nada se planta, nada se arranca da terra, tudo é retirado da entranha dos prédios. A terra, já desnuda das árvores e matos rasteiros, é revestida de um manto preto chamado asfalto. A casca das árvores e frutas foi substituída por latas ou plásticos.
Na floresta de pedra tudo é diferente da floresta verde. A floresta de cimento aprisiona e maltrata os costumes e conhecimentos da floresta verde tornando-os inúteis e incompreensíveis.
O tempo é cruel, e a índia velha foi se desvestindo de sua cultura indígena e se vestindo desta roupagem maldita da cidade.
Um dia, a índia velha foi acometida de uma saudade enorme das coisas de sua tribo. Viu a reportagem de um povo primitivo colhendo mandioca e quebrando suas ramas. No final da reportagem muita gente se deliciando com pedaços do tubérculo.
Ela se encantou, lágrimas brotaram de seus olhos, e teve uma ideia.
- Vou fazer o mesmo para a minha tribo!
Pegou seu amado índio, companheiro das solidões da imensa floresta de pedra, e foram visitar seus amigos, e parentes saudáveis na tribo distante lá na floresta verde.
- Tenho uma surpresa para vocês! Hoje a gororoba quem faz sou eu. Falou toda animada e saudosa a índia Velha para a tribo reunida.
Um pouco desnorteada, e um tanto fora dos costumes da tribo, olhou de um canto ao outro e perguntou.
- Onde tem um pé de mandioca por aqui?
A índia se perdeu no imenso quintal como se dissipa a mente em mil pensamentos. Colheu o que precisava, e se acomodou no fundo da oca. Tudo estava ardendo na panela de ferro pendurada na trempe.
O fogo lambia o fundo da panela enquanto a fumaça ordinária, correndo de um lado ao outro, tentava escapulir de dentro da oca.
A índia velha queria fazer uma grande surpresa para a índia maior, mãe de seu amado.
E fez.
Os índios de cócoras, em volta da trempe, ao iniciar a comilança começaram a rir.
A índia mãe do amado da índia velha ao tentar experimentar a macaxeira, puta da vida, pergunta:
- Que merda é esta? Você quer matar a tribo toda?
A índia velha saiu desenxabida, macambuzia de dentro da oca, e seu amado foi logo em seguir e disse amorosamente.
- Meu amor, eu pensei que você soubesse cozinhar mandioca! Ou melhor, eu pensei que você soubesse o que é mandioca!
- O que é que eu fiz de errado?
- Você, ao invés de cozinhar a raiz cozinhou as ramas!
A índia mãe só deixou seu filho voltar para a selva de pedra depois que a índia velha fez na tribo um curso completo de botânica.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 13 de abril de 2014
O TERRÍVEL INIMIGO DO MEU PAI
O medo era tanto que as veias desapareceram do corpo de meu pai.
A pneumonia é uma doença inflamatória no pulmão, que ainda hoje, se não tiver os cuidados adequados, o paciente pode esticar as canelas para sempre. Naquele tempo, única saída era a cama e muitas agulhadas na carcaça com penicilina. As agulhas eram grossas, fazendo um rombo filho de uma puta na pele, e o medicamento era cruciante para caralho mesmo.
Todo mundo tinha, e por certo, ainda hoje tem medo da famigerada injeção.
Meu pai, que hoje goza tranquilo seus noventa e nove anos, lá pelos idos da maldita segunda guerra, cabo reformado pelo exército, era um destemido e corajoso desbravador. O mundo para ele era pequeno e nada o amedrontava. Nada mesmo o fazia tremer de medo. Homem simples do campo, mas de objetivos bem definidos, corria atrás do que queria. De boa leitura e sempre bem informado, conseguia alcançar com sucesso o que pretendia.
A vida é uma luta, às vezes inglória para muitos, mas para este homem, virtuoso, temente a Deus, corajoso, a vida sempre foi de muitas vitórias.
- Eu tenho medo dessa guerra! Dizia chorosa minha mãe para ele.
- Mas medo do que, minha nega? Dizia meu pai afagando carinhosamente minha mãe.
- Que te levem para lá!
Um minuto de reflexão, e então meu pai dizia:
- Estamos na mão de Deus!
Meu pai não foi para guerra, mas enfrentou um inimigo muito mais cruel; Acabou adquirindo a cruel e famigerada pneumonia.
Ele não tinha medo da guerra, dos desafios que a vida lhe apresentava, mas da maldita agulha da injeção isso era terrível para ele.
Uma bala de canhão não era tão violenta e destruidora quanto uma agulha de injeção.
Esta guerra contra a pneumonia ele venceu recebendo muitas cutucadas de injeção.
Eu até acho que não foi a dita penicilina que o curou, mas o medo do monstro chamado injeção.
Este homem forte, valoroso, destemido, sempre pronto para qualquer desafio, quando se defronta com a terrível agulha de injeção, se transforma numa medrosa criança, como se tivesse vendo um fantasma.
Nos procedimentos finais do tratamento ele precisou tomar uma série de injeções intravenosa de cálcio. Único médico que ele confiava era o doutor Enzo Bonato. Doutor Enzo além de médico deveria ser um mestre em hipnose, pois aplicava no meu pai as injeções na veia sem muitas delongas.
Um dia meu pai foi até ao consultório para tomar uma das últimas injeções e lá não estava o Doutor Enzo, estava seu irmão doutor Hélio.
- Francisco, pode entrar!
Meu pai olhou para ele com um olhar de vítima condenado a forca, e num esforço supremo sussurrou:
- Eu espero o doutor Enzo!
- Ele não virá hoje, e pediu para que eu aplique a injeção! Pode vir!
Meu pai adentrou o consultório como quem vai ao encontro do pelotão de fuzilamento. Lá estava o terrível inimigo dele! A maldita agulha.
- Fique calmo que não vai doer nada! Vai ser uma picadinha de formiga.
A agulha, na ponta da seringa, parecia maior que o braço do médico para meu pai. Olhou, aquela coisa enorme, angustiado de tal forma que as nádegas se contraíram prendendo a forração da cadeira.
O medo era tanto que as veias desapareceram do corpo de meu pai.
Doutor Hélio fez um garrote no braço do meu pai tentando encontrar a veia. Friccionou diversas vezes e nada do vaso sanguíneo aparecer. Tentou ser engraçado contando piadas para que ele se descontraisse, mas em vão.
Meu pai suava a cântaros. O suor caia em abundância formando enxurrada pelo piso do consultório.
E o homem forte, valente, varonil estava fragilizado diante de uma agulha.
E nada da veia!
Mas nada pode se esconder em definitivo.
E a veia, finalmente, trêmula, pedindo clemencia, aparece no braço descolorido do meu pai.
Doutor Hélio aproveita a oportunidade e crau!
A agulha levemente tocou o braço, e que foi o suficientemente para meu pai ser nocauteado. Despencou feito um saco de batata desmaiado ao chão.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
sexta-feira, 11 de abril de 2014
CORRENDO ATRÁS DO VENTO: A MULHER E OS PEÕES DE OBRA
CORRENDO ATRÁS DO VENTO: A MULHER E OS PEÕES DE OBRA: A mulher é a arte maravilhosa que Deus caprichou. O ser humano por natureza é sedento por elogios, por coisas que massageie seu ego, e ...
Mario dos Santos Lima
Mario dos Santos Lima
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