MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
domingo, 7 de dezembro de 2014
E O CAVALO TROPICOU
Das histórias que meu pai me contou, esta aconteceu comigo, diz ele sério na sua fala entusiasmada. Não me recordo disso, talvez porque naquela época ainda de cueiro, ficaram confusos os registros e por isso, neste momento, não tenho acesso a eles na minha memória.
Assim ele me contou, e eu a escrevo da minha maneira.
Montar e se locomover de um lugar ao outro no lombo de um cavalo, para meu pai era maneiro como se tivesse dirigindo um carro qualquer. Era um transporte seguro e rápido para a época.
Praticamente toda a logística dependia do cavalo. As carroças e os lombos dos muares povoavam as estradas poeirentas.
Meu velho adorava galopar.
Quando sentou praça, foi encarregado pelo comando geral do 5º Batalhão de Sapadores, por ser o mais experiente cavaleiro do batalhão, para conduzir uma tropa de mulas de Pedra Preta*1 a Lages. Levou mais de um mês cavalgando. As mulas chegaram vivas e com boa aparência ao destino, principalmente pela competência de seu condutor.
Meu pai, com certeza, tinha naquela época uns calos na região carnuda das nádegas. Grande parte de seu dia morava em cima do cavalo. Certa feita, só para matar a minha vontade, experimentei pilotar um pangaré, por alguns minutos, e acabei saindo de pernas abertas, todo assado, meio troncho com dores horríveis na bunda.
Meu pai desde pequeno já acompanhava meu avô, pai dele, pelas cercanias onde morava no lombo de um cavalo, seja para passear ou então para conferir o que estava sendo produzido pela roça. Montava em pelo como ninguém, e com facilidade conduzia o animal no ritmo que ele queria.
Aos bailes e aos encontros com minha mãe, lá ia ele, todo garboso, senhor absoluto de si, galopando o seu bom galopar, pelas veredas sinuosas, durante o dia ou durante a noite.
Quando nasci meu pai gostava de sair para fazer os passeios troteando seu alazão. Sempre me levava preso em seus braços. Ele era um ginete dos bons. Se o cavalo aporreado velhacava com ele, sabia como ninguém domar o animal, pondo-o obediente à rédea. Olhando-o na montaria, parecia uma pintura clássica, de tão altivo e nobre que era.
Minha mãe ficava encantada, mas não deixava de fazer suas recomendações.
Foi numa destas tardes mornas quando o sol ao longe pungia tristemente os campos, que meu pai resolveu dar uns galopes comigo em seu braço.
Tudo parecia normal e agradável.
O cavalo não era nem velhaco e nem aporreado, mas de repente alguma coisa tirou o animal do sério. Meu pai acha que foi uma serpente, que por ali rastejava, a causa da confusão.
O cavalo deu uma tropicada, relinchou assustado, peidou soltando o que tinha em excesso nas tripas, e de forma inesperada empinou, corcoveou feito um maluco como se seus grãos estivessem sendo esmagados pelo arreamento. Meu pai permanecia grudado em seu lombo me protegendo, mas no momento em que o cavalo se dispôs a iniciar uma eletrizante correria, meu pai saltou, deu um meio rodopio no ar caindo em pé na estrada, um pouco desequilibrado se apoiando no chão com uma das mãos; Eu permaneci são e salvo preso em seu braço forte.
O espetáculo foi rápido.
A cena, pelo seu incrível acontecimento, seria digna de registro cinematográfico.
Ainda não refeito do susto, coração acelerado, vendo seu cavalo troteando lá mais adiante, e como um cisco desparecer no meio da poeira da estrada, olhou preocupado para mim acomodado em seu braço como que para conferir se tudo estava bem.
Ficou admirado do que viu, e sorrindo beijou minha testa.
Meu pai completou a história dizendo:
- Você estava rindo muito feliz batendo palmas como se tivesse aplaudindo tudo aquilo pedindo para que eu fizesse novamente.
*1 - Pedra Preta hoje é Tunas do Paraná.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 30 de novembro de 2014
O DESENCONTRO
Sentado, ali ao seu lado, saboreando um gostoso chimarrão, pedi que meu pai contasse mais alguma coisa de seus tempos idos; Ele pigarreou, franziu a testa e contou mais uma interessante história dele.
Escutei atento, fazendo algumas anotações.
Escreverei tentando ser ao máximo fiel a sua narrativa.
Assim...
Ainda vivendo os pungentes momentos do falecimento da mãe, Francisco resolve servir o exercito. Sua noiva Gertrudes tentou demovê-lo da ideia, mas tudo foi inútil.
Todo jovem, no fervor incandescente de seus 20 anos se apaixona doidamente, inconscientemente, mas especificamente no caso do Francisco foi muito mais a carência dos carinhos que sentia de sua amada mãe do que um amor verdadeiro desperto.
Foi um amor fugaz e inconsequente.
Ele conheceu Gertrudes num baile em Bonito. Pé de valsa como era, não perdia oportunidade, e sempre ia lá acompanhado do Armandinho Ribas, um velho amigo casado com sua prima.
No exército, lá de quando em quando algumas cartas trocadas, e nas folgas algumas horas juntos. Era véspera de carnaval quando recebeu um recado da Gertrudes informando que ia passar uns dias na casa do tio dela na Lapa.
Ótima oportunidade para se reverem.
No exército a disciplina é rude e não perdoa deslizes. Francisco tinha consciência disso.
Ganhou uma licença, mas não poderia arredar o esqueleto de Curitiba. Maquinou uma estratégia e foi a Lapa ao encontro da Gertrudes.
Era um risco que deveria valer a pena.
Chegou à boca da noite na casa do tio dela e a encontrou com umas tantas amigas, todas prontas para o baile.
- Já deixei a cama arrumada para você! Disse ela ao noivo já se despedindo dele.
Francisco um tanto chateado e magoado perguntou:
- Mas você vai mesmo a esse baile?
- Sim! Amanhã se vemos.
E elas lépidas, rindo atafulhadas, se despediram de Francisco.
E ele, acabrunhado, olhou aquelas meninas, feito potrancas soltas no pasto, se afastar rapidamente perdendo-se na curva da estrada.
Desenchavido pelo atrevimento da noiva, e com pouco assunto no momento, apenas trocou evasivas palavras com o tio dela, deu meia volta e bateu em retirada.
Era uma boa pernada até a pensão na Lapa.
Passou pelo clube dos alemães; A festa de carnaval estava rolando solta e muito animada, convidativa; Isto foi o suficiente para ele parar e entrar. Afogou as mágoas dançando o bom dançar como só ele sabe fazer.
Trocou a cama arrumada lá da casa do tio dela pela cama da pensão que ficava perto da estação do trem.
O sol ainda preguiçoso não tinha dado as caras, e o dono da pensão bateu na porta dizendo:
- Acorda soldado que o misto já tá chegando!
O misto parou, deu um tempo, e num apito rouco, nervoso, como se dissesse pelo jovem Francisco o adeus a Gertrudes.
Preguiçosamente o trem, preso nos trilhos, resfolegou ganhando velocidade despejando no ar um negrume da chaminé da máquina, deixando para trás a saudade, o amor e a ingratidão.
Francisco retornou sem problemas ao quartel.
Remoeu, meditou e decidiu.
Uma carta breve endereçada a sua noiva dizia.
- “Se suas amigas e o baile foram mais importantes para você do que eu, considere rompido o nosso compromisso”.
Ao final da narrativa aplaudi, dando um abraço no meu pai dizendo:
- Ainda bem que isso aconteceu meu pai, fico feliz em ter tido como minha mãe a doce e meiga Maria, a linda menina dos olhos azuis.
por: MARIO DOS SANTOS LIMA
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
FIEL CAPATAZ
Das muitas histórias que meu pai me contou, esta vale a pena ser registrada.
Lagoa das Almas, nas cercanias da Lapa, era uma localidade hostil, macabra, e de enormes desavenças entre fazendeiros. Resolvia-se tudo na ponta da faca ou no aperto do gatilho.
Naquela época os fazendeiros usavam um cinturão em couro para segurar as calças, assim como também para dar guarida a sua algibeira com seus réis, bainha com seu punhal e o coldre com seu trinta e oito. Era normal esta ostentação em público. Este aparato denotava fortaleza, segurança, e respeito.
Os réis, dinheiro da época, eram guardados em casa, e a grande parte protegidos e ostentados nas algibeiras. Quando havia um assassinato de gente fina, abastada, os aproveitadores e saqueadores caiam feito urubus famintos em cima do morto para depená-lo do punhal, revolver e os réis da algibeira. Por esta razão, os fazendeiros procuravam selecionar bem seus capatazes para garantia de sua vida e do patrimônio. Estes guarda-costas acompanhavam seus patrões aonde eles iam, defendendo-os ou tentando fazer isso. Nas contendas, os capatazes, de cada lado da rinha, se respeitavam, e por isso nenhuma ponta de punhal ou chumbo feriam suas peles, apenas a de seus patrões.
Seu Libório, nome fictício aqui, fazendeiro de malquerença na região, vivia trocando farpas com outros fazendeiros. Tocaias com desperdício de chumbo eram comuns. A cada instante muitos viventes se tornavam defuntos. Nos velórios, entre uma oração e outra, um mar de lágrimas, desespero, e a promessa de vingança, entre mil rancores, acontecia ali mesmo, babando por cima do cadáver.
Deus por certo não tomava conhecimento disso.
E as terras da Lagoa das Almas iam aos poucos se tornando férteis com o adubo de seus defuntos.
Um dia seu Libório, corpulento, em seu alazão, acompanhado de seu fiel capataz, foi tocaiado e entre milhares de balas e reluzir de punhais caiu fulminado estrondando seu esqueleto no chão poeirento.
O capataz do seu Libório tentou de todas as formas defende-lo, mas foi inútil. Ali a seus pés o seu patrão estendido, ensanguentado, não respirava mais.
E os vingadores, ao ver o Libório fulminado, gritaram em festa.
- Matamos o filho de uma puta! Estamos vingados! E saíram cavalgando deixando uma nuvem espeça de poeira na estrada.
Da mesma forma que os assassinos se fizeram em debandada, os saqueadores chegaram.
Alguns tiros para o alto, e os gritos austeros do capataz foram o suficiente para colocar em desembalada correria aqueles urubus malditos.
Não demorou muito, e a polícia chegou para conferir o ocorrido, mas foi veemente barrada pelo capataz que disse:
- Só deixarei o meu sinhô quando a patroa chegar! Ninguém vai tocar nele não!
Foram várias as tentativas de a polícia chegar ao cadáver; Lá estava o fiel capataz, de joelhos e de armas em punho, protegendo o corpo estatelado do seu patrão.
O sol a pino esquentava o tempo e apodrecia o corpo. Alguns urubus, famintos, ansiosos pela carne farta, animados se empoleiravam mais adiante numa árvore.
A esposa chegou desesperada, escabelada, e em prantos tantos se jogou por cima de seu inerte esposo. O capataz pacientemente, de joelho ainda, ao lado do corpo esperou o banho de lágrimas da esposa derramado no defunto; Esqueceu seu jeito bruto, e com cuidado e esmero retirou do corpo morto o punhal, o revolver e da algibeira deis mil contos de réis entregando para a lamuriosa esposa. Levantou-se, ajeitou sua rústica roupa, colocou seu roto chapéu, conferiu seu amolambado cinturão, apalpou sua algibeira, montou lépido seu pangaré, e sem dar a menor atenção aos homens da lei, afastou-se vagarosamente enxugando com o dorso da mão, disfarçadamente, algumas lágrimas que teimavam em banhar sua espessa e desalinhada barba.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Meu Blog tem mais de 50000 acessos. São acessos por este mundão todo.
Eu quero agradecer sinceramente a todos vocês. Faço um convite.
Ficaria mais feliz ainda se vocês dessem uma olhada no Recanto das Letras, e não deixassem de comprar o meu livro para você e para seus amigos. Vocês vão gostar, e rir muito de minhas histórias.
My blog has more than 50,000 hits. Are accesses through this whole big world .
I want to sincerely thank you all . I invite .
I would be even happier if you give a look at the Nook Letters , and not let you buy my book for you and your friends . You will enjoy and laugh a lot of my stories .
Mein Blog hat mehr als 50.000 Zugriffe . Sind greift durch diese ganze große Welt.
Ich möchte ganz herzlich . Ich lade .
Ich wäre noch glücklicher , wenn Sie einen Blick auf die Nook Briefe zu geben, und lassen Sie nicht mein Buch für Sie und Ihre Freunde zu kaufen. Sie genießen und lachen viel meiner Geschichten .
Мой блог имеет более 50 000 обращений . Есть доступ через весь этот большой мир .
Я хочу искренне поблагодарить всех вас . Я приглашаю .
Я бы еще счастливее , если вы дадите взглянуть на Nook Letters, а не позволяют купить мою книгу для вас и ваших друзей . Вы будете наслаждаться и смеяться много моих рассказов .
Moy blog imeyet boleye 50 000 obrashcheniy . Yest' dostup cherez ves' etot bol'shoy mir .
YA khochu iskrenne poblagodarit' vsekh vas . YA priglashayu .
YA by yeshche schastliveye , yesli vy dadite vzglyanut' na Nook Letters, a ne pozvolyayut kupit' moyu knigu dlya vas i vashikh druzey . Vy budete naslazhdat'sya i smeyat'sya mnogo moikh rasskazov .
Blog saya mempunyai lebih dari 50,000 hits. Adakah mengakses melalui dunia ini besar keseluruhan .
Saya dengan ikhlas matur nuwun semua . Saya menjemput .
Saya akan lebih bahagia jika anda memberikan melihat Surat Nook , dan tidak membiarkan anda membeli buku saya untuk anda dan rakan-rakan. Anda akan menikmati dan ketawa banyak cerita saya.
Mon blog a plus de 50.000 visites. Sont les accès à travers toute cette vaste monde .
Je tiens à vous remercier sincèrement . Je vous invite .
Je serais encore plus heureux si vous donnez un coup d'oeil aux lettres Nook , et ne vous laissera pas acheter mon livre pour vous et vos amis . Vous pourrez profiter de rire et beaucoup de mes histoires .
Мій блог має більше 50 000 звернень . Є доступ через весь цей великий світ.
Я хочу щиро подякувати всім вам . Я запрошую .
Я б ще щасливішим , якщо ви дасте поглянути на Nook Letters , а не дозволяють купити мою книгу для вас і ваших друзів . Ви будете насолоджуватися і сміятися багато моїх оповідань.
Miy bloh maye bilʹshe 50 000 zvernenʹ . YE dostup cherez vesʹ tsey velykyy svit.
YA khochu shchyro podyakuvaty vsim vam . YA zaproshuyu .
YA b shche shchaslyvishym , yakshcho vy daste pohlyanuty na Nook Letters , a ne dozvolyayutʹ kupyty moyu knyhu dlya vas i vashykh druziv . Vy budete nasolodzhuvatysya i smiyatysya bahato moyikh opovidanʹ.
Min blogg har mer än 50.000 träffar. Är åtkomst genom hela denna stora värld .
Jag vill uppriktigt tacka er alla . Jag inbjuder .
Jag skulle vara ännu gladare om du ger en titt på Nook Letters , och inte låta dig köpa min bok för dig och dina vänner . Du kommer att njuta och skratta en hel del av mina berättelser .
Acesse meu blog: www.mariolaje.blogspot.com
Veja também: www.recantodasletras.com.br/autores/mariolaje
Adquira meu 1° Livro: http://livrosdapaco.com.br/detalhes_produto.php?cod_produto=393&cod_categoria=0
Adquira meu 2° Livro: http://livrosdapaco.com.br/detalhes_produto.php?cod_produto=640&cod_categoria=0
Assinar:
Postagens (Atom)