sábado, 11 de abril de 2015

SEXO RADICAL

Sexo segundo o dicionário é o conjunto das características que distinguem os seres vivos, com relação à sua função reprodutora. Dentro das quatro paredes, - o mais normal - o sexo pode ser desenvolvido e praticado segundo a criatividade e as taras dos sexuados. Tudo é permitido desde que Deus esteja distraído ou cuidando de outras coisas. Na prática do sexo eu sou tradicionalista e um tanto conservador. Nada de gritinhos que possa atrapalhar o ambiente contíguo. Dou meus uivos, mas sempre sufocado pelo travesseiro. Naquela madrugada algo estava para acontecer e aconteceu. Acordei aos berros com uma forte e insuportável dor causada por cálculo renal. Gritava a todo pulmão - Irene eu não agüento mais... Irene eu não agüento mais. A Irene apavorada medicou um buscopan composto que com dificuldade eu engoli, pois, seminu estava com uma perna cravada fora da cama e outra por entre os lençóis. Uma mão dava apoio ao meu corpo na cama e outra pregada nas costas exatamente por cima do rim. Ridiculamente eu deveria estar parecendo um maluco em êxtase vendo visões aterradoras. Eu continuava berrando de dor enquanto a Irene tentava vestir em mim a calça do meu agasalho. Ela tentava erguer o pé que estava fincado no assoalho e eu gritava: - Eu não agüento mais, me deixe em paz, berrava feito um alucinado. Enquanto a Irene tentava me vestir a vizinhança acordou e alguém mandou chamar a polícia. - Que absurdo, em plena madrugada uma sem-vergonhice desta, aonde já se viu – comentavam os vizinhos por imaginarem que eu estivesse praticando um sexo animal e em pleno orgasmo gritando feito um doido. A cachorrada animada, latindo procurava as cadelas no cio. Os passarinhos acordados, pulando de galho em galho se acasalavam doidamente. Alguns vizinhos, com auscultador na parede se motivavam para um trepadinha que há tempo não faziam. Foi um sururu danado naquela doida madrugada. Eu continuava aos berros quando a polícia chegou. Abrindo violentamente a porta do quarto e me vendo naquele estado crítico a policia recuou rapidamente imaginando que ainda não tinha terminado o meu orgasmo. Como eu continuava gritando colocando o bairro todo em polvorosa a polícia resolveu agir jogando um balde de água fria por cima de mim para tentar aquietar o meu afogueamento sexual. Usou em mim a mesma tática utilizada para o desengate da cachorrada. A coisa só piorou. A noite estava fria e com isto além da dor eu estava agora morrendo de frio. Como a Irene não conseguiu colocar as minhas calças a polícia resolveu intervir. Desceu uma cacetada na minha cabeça e saiu comigo arrastando até ao camburão. Eu continuava aos berros. Na delegacia, a Irene tentava por todos os meios explicar para o delegado que aquilo não era resultado de sexo e sim de uma maldita pedra no rim. O delegado não quis acreditar e mandou chamar o corpo clínico para os exames de rotina. Depois de muitas horas de berros e de espera chega um babaca vestido de branco que as apalpadelas no meu cacete diagnosticou realmente que só poderia ser a pedra no rim. O delegado e os policiais ficaram decepcionados com o resultado, pois imaginavam estar à frente de um caso inédito de sexo radical com um prolongado e gostoso orgasmo. Na enfermaria da própria delegacia fui medicado voltando no dia seguinte para casa. Quando cheguei fui recepcionado por muitos casais com cartazes aonde se lia: “Você é o cara!” “Mostra pra nós o teu segredo” Virei lenda nas cercanias. A vizinha que chamou a polícia foi execrada e expulsa do condomínio. A Irene por força das circunstâncias transformou-se em consultora sexual a fim de explicar como é que ela conseguiu aquela proeza tão animal, tão radical. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

O SURPREENDENTE NOME DE MEU FILHO

A medicina hoje em dia está uma beleza, principalmente quando se trata de reprodução, Em alguns casos até a forma da relação sexual dá o indicativo do sexo da criança. - Como é que você fez o sexo? Pergunta a máquina e o casal informa clicando botões, e então solenemente ela responde: - Ah! Parabéns você vai ter um ... E lá tá anunciado o sexo da criança. No meu tempo acreditava-se que deixando a janela aberta para que a brisa entrasse sorrateiramente, e deslizasse pelos corpos suados do casal em amores carnais, permitiria rachar a coisa do meio das pernas da criança em gestação, e batata, nascia uma menina. Eu sempre fui muito recatado, e o sexo para mim é com portas e janelas fechadas e sem iluminação. Talvez por isso eu tenha três moleques. A filha deve ter sido um descuido meu não fechando a porta ou janela. Bem, a mulher ficou grávida e o coração da criança pulsava a mil. A lista de nomes se desfilava tanto para menina quanto para menino. - Meu bem esse nome fica muito bem se for menina ou então esse muito bem se for menina. A gente ficava horas a fio descobrindo nomes. A lista era interminável e a angustia do dia da chegada da criança era grande. Nós dois fizemos pesquisas em calendários, em almanaques coletados em farmácias, e na árvore genealógica da família. Fizemos sorteios e por fim se apaixonamos por dois nomes, um para se fosse menina e outro se fosse menino. Na véspera do nascimento o médico fez a punção e do líquido amniótico retirado concluiu-se que 80% tinha a possibilidade de ser uma menina. Pronto, começamos os preparativos para receber a Carmela. O dia amanheceu complicado com a bolsa estourando, e correria ao hospital. O parto que era para ser normal acabou sendo Cesária, e exatamente às 13 horas e 40 minutos o menino veio ao mundo. A Carmela ficou para outro parto. A mãe ainda estava em recuperação, e as visitas que chegavam perguntavam: - E o nome do menino? Bem, como veio um menino, tivemos que dar uma passada novamente na lista para escolher um nome. - Talvez João? Ou talvez Francisco? Ou... Passamos quase a noite toda nessa labuta. De manhã a fumaça branca não havia saído ainda pela chaminé da decisão do nome quando chega um casal de amigos. A Sueli e o Edgar Kraemer eram amigos de pouco tempo e vieram com um ramalhete de lindas flores para a mãe do garoto e um álbum do bebê para o garoto. Ajeitamos as flores e fomos dar uma olhada no álbum. Abrimos a primeira página e lá tinha uma dedicatória: - Gustavo seja bem vindo, desejamos que você tenha uma cuca legal. Eu olhei para Alice e nós dois caímos numa gargalhada doida sem que o casal tenha entendido o porquê, perguntando: - O que aconteceu? - Vocês acabaram de dar nome ao nosso filho! Ficamos alguns minutos em silêncio e eu disse: - Pronto o nome de nosso filho será Gustavo. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

domingo, 5 de abril de 2015

O TEMIDO BANDIDO AGNELO

Encanta-me ouvir as histórias que meu pai conta. Fico olhando, auscultando e anotando tudo. Fico principalmente muito atento ao brilho do seu olhar e as expressões faciais no decorrer da narrativa. Ele dá vida ao que ele narra. É um autêntico e brilhante contador de histórias. Uma das histórias que tenho aqui nas minhas muitas anotações é de um tal Agnelo, bandido muito temido na região da Lapa pelo final do século retrasado. Reli com cuidado as anotações, e vou descrever com velada parcimônia. Ele contou, e eu anotei, que esse tal Agnelo era um homem cruel e temido por todos. Poucas vezes visto, mas muito falado, e costumas foco nas conversas de bêbados, e grupos ociosos nos bancos de praças, e esquinas de ruas de parca iluminação. Diziam que quando era visto as mulheres se benziam, os homens se escondiam e os cachorros vadios, de rabos entre as pernas, rosnavam. Comentavam também que se Jesus estivesse entre nós, ao avistar o Agnelo correria medroso para os braços de sua mãe. Não se tem foto e nem caricatura desse temível bandido, talvez por tão poucas vezes ele ter se mostrado ou porque ninguém encarraria a própria morte de frente. Diz a lenda, mas meu pai afirma que é pura realidade, que Agnelo era um justiceiro. Não era arruaceiro nem briguento, mas não levava desaforo para casa. Se o cara esnobasse valentia para ele, imediatamente via suas vísceras dependuradas fora da barriga. Agnelo tinha muitas mortes em sua fúnebre coleção. Normalmente suas vítimas não eram bons viventes. Eram cidadãos perdidos na vida – vagabundos de carteirinha. Sempre, nas rodas das bodegas de beira de estrada, tinha um pseudovalente que gostava de contar vantagens a respeito do Agnelo, do tipo: - Passei pelo Agnelo, e não abaixei a cabeça encarando-o frente a frente. E completava: E o covarde me respeitou! Com certeza esse cara pode até ter passado por perto de onde estava o bandido, mas o certo mesmo é que abaixou a cabeça, saindo correndo com a cueca emporcalhada. E foi num desses encontros, em papos inúteis, muito mais falando sobre o bandido que sobre mulheres que, entre uma pinga e outra, um farfante gabola grita no meio da bodega: - Eu sou o Agnelo! A noite já tinha se anunciado. Eu sou Agnelo, Agnelo, Agnelo, e a frase ressoou mortuária pelo ambiente fazendo correr o mais valente dos homens se estivesse de plantão. Ao ouvir isso os marmanjos que estavam por ali, mijando-se de medo se entocaram por debaixo das mesas. O silêncio foi sepulcral. O lusco fusco, no tremular das lamparinas, fez apenas uma figura alheia lá no fundo da bodega permanecer com a bunda colada na cadeira. Se era de medo ou aleijado não se sabe. O fanfarrão, ao lado do balcão, ignorando a figura desconhecida lá no fundo da bodega e notando o medo dos inúteis bêbados por debaixo das mesas, bate com força na mesa e grita. - Seus filhos de uma puta, medrosos do caralho, podem beber e comer de graça por que eu sou Agnelo. E completou: - Eu mando e não peço. Um e outro aos poucos foram se chegando ao balcão. O dono da bodega, se urinando todo, viu suas parcas economias ser devastada por ordem daquele canalha irresponsável. Todos se fartaram e se embebedaram além do limite. Quando o valentão deu sinais que iria escorregar o esqueleto para fora indo embora, a misteriosa figura levanta-se lentamente, e a passos firmes, com uma reluzente arma na mão se dirige ao fanfarrão. Com a mão forte no colarinho e a arma apontada na testa do metido gabola diz: - Seu farsante de uma figa! Agnelo pode ser bandido, coisa ruim, o capeta vestido de gente, mas respeita o trabalhador e as pessoas honestas! Não pegou o gabola pelo cu das calças porque já estava toda urinada e emporcalhada, mas pela goela gritando: - Vá lá e pague a sua dívida, seu porqueira! A dívida foi paga. Agnelo, sem pressa, pega o cavalo e desaparece na escuridão da estrada. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

domingo, 29 de março de 2015

URINOU NO QUARTO DA NOIVA

A mulher, em todos os sentidos, sempre foi mais recatada, mais discreta, mais delicada que o homem, principalmente quando tem vontade de fazer xixi; Ela vai fazer xixi com elegância, como quem vai passear; Vai disfarçadamente a lugar reservado, e sempre pede a companhia de uma amiga. O homem, pelo contrário, já é mais relaxadão, é um brutamonte, é mais porcalhão; Se estiver com a bexiga para estourar desocupa a urina em qualquer lugar; Atrás de uma árvore, atrás de um carro, atrás de uma moita sempre serão lugares encantadores, apaixonantes para espumar a urina no chão. Vou contar o pecado, mas preservando a figura do pecador. Eram dois amigos inseparáveis. Quase irmãos. Um deles gostava de usufruir em demasia do líquido que os passarinhos se recusam a tomar. Um dia, para o casamento da filha do que sempre se mostrava sóbrio, o amigo bebum foi convidado, como não poderia ser de outra maneira. Ele foi e bebeu pra cacete. A festa se desenrolava solta e alegre na casa da noiva. Muitos convidados se cotovelavam pela sala, pelos quartos, cozinha e quintal. A noite já pintava tudo de negro. A lua cheia, lá no alto, permitia com seu brilhar que as pessoas não se trombassem no quintal. A casa era simples e de madeira. No quarto, na cama de casal, se amontoavam dezenas de presentes. O líquido estonteante, espumando nos copos, rolava solto. As mulheres faziam fila na única privada que existia na residência – era uma casinha em madeira lá no fundo do quintal. Os homens aliviavam-se por de trás da casa. O amigo do pai da noiva sentiu-se na obrigação, no elevado dever de dar conforto a seu esqueleto, e para aliviar sua bexiga começou a dura procura pelo lugar adequado. A mangueira que ele tem no meio das pernas, usada para esvaziar a urina, estava exageradamente endurecida causando certo constrangimento no mulherio presente, que fugiam em gritinhos de temor ou de saudade. Cambaleando, sem se preocupar com o vexame, procura o bêbado incessantemente um lugar adequado para se aliviar. Por fim ele abre uma porta. O lusco fusco do ambiente que se descortinou, misturado com o álcool que ele ingeriu, deu uma visão de uma linda e convidativa privada para o quarto repleto de presentes. Não teve dúvidas e começou com dificuldade abrir a braguilha. A noiva se retocava a um canto na penumbra, e quando viu aquele jumento acomodando, para o lado de fora da braguilha, seu instrumento urinário, pensou que seria estuprada antes do noivo. Quando ela percebeu que não era ela o objeto do desejo do bêbado, e sim o conforto que o atrás da porta trazia para ele, começou a gritar. O bêbado ouvindo os gritos pensou que fosse seu cacete dando à bronca, e com voz entrecortada diz: - Calma meu companheiro, já estou te aliviando! A urina corria, caudaloso rio, por debaixo da porta invadindo o corredor e tomando conta dos aposentos. A noiva aos gritos, fugindo do quarto escorrega naquela imundície e cai de prancha. O pai dela vem em seu socorro enquanto o povo pisando nas pontas dos pés tapava as narinas para evitar o forte cheiro de ureia. Quando o pai da noiva vê o bêbado saindo de trás da porta, pega-o pelo colarinho e espumando de raiva grita. - Seu porco imundo, veja o que você fez! O bêbado, quase caindo, babando, coloca a mão no ombro do amigo para não cair, e com voz conturbada diz: - Bonita festa meu amigo, quero beber para comemorar! POR: MARIO DOS SANTOS LIMA