MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
CARTA AO MEU PAI
Carta ao meu querido e eterno pai.
Meu querido, lindo e anjo pai Francisco,
Respeitosamente e humildemente rogo-lhe proteção.
Era meu desejo que esta carta encontrasse-o muito bem de saúde, mas Deus precisava de um guerreiro, de um valente homem cheio de fé e caridade junto Dele, e o levou. Ao escrever esta carta estou rogando ao Criador de tudo e de todos que na sua infinita bondade e eterna misericórdia acolha-o junto Dele, e derrame muita paz, muita luz e muito amor em nossas vidas.
Poucos são aqueles que tiveram o privilégio do pai presente aos 100 anos, e nós tivemos. Agora temos uma luz muito forte que brilha lá no alto e nos protege.
Vamos então festejar o maravilhoso dom da vida cheia de amor, de exemplos mil que o nosso pai nos deixou.
A solenidade que nós, seus filhos, sobrinhos, netos, irmão e amigos, iriamos celebrando seria um justo tributo aos seus 100 anos de vida. Vida primorosa; vida permeada de exemplos; vida de eterna responsabilidade com tudo e com todos; vida incansável na luta pelo bem, pela caridade, e pela constante preocupação em nos encaminhar pela vereda do bem, do respeito à pátria, pelo reconhecimento e culto aos mais velhos e autoridades, pela verdade por mais sofrida que seja, pelo amor ao próximo, pelo reconhecimento e gratidão de benesses recebida, pelo amor a natureza, e pelo eterno agradecimento ao Eterno criador de tudo e de todos.
Pai, sentimos eternamente orgulhosos pelo que o senhor foi, pelo que o senhor fez, e pelo grande amor que nos dedicou. O senhor sempre foi e sempre será eternamente o nosso guia, o nosso grande guru, o nosso grande mestre. A felicidade não é só sua, principalmente por manter a nossa família sempre unida, sempre respeitosa, mas também é nossa por ter tido como um grande e honrado guia a sua presença entre nós.
Pai, o senhor nos ensinou, nos orientou e nos conduziu sempre para a realização do bem, mas o que marcou mesmo em nós foi seu exemplo de vida. Esta é uma marca indelével que nos direcionará sempre.
Eu acho que Deus nos privilegiou com sua longevidade para garantir que nós, seus filhos, caminhassem o bem caminhar, e hoje, com certeza, lá do céu, junto com nossa meiga mãezinha, estará sempre nos protegendo. Só podemos eternamente agradecer a Deus pelos pais que tivemos.
O senhor, meu lindo e querido pai, em seu pensar, muitas vezes foi um filósofo grandioso.
Outro dia, entre um chimarrão e outro, no bate papo gostoso e ouvindo e anotando suas histórias o senhor me confidenciou:
- Meu filho, tudo passou tão rápido! Sua mãe já nem está mais com a gente!
Meu pai, realmente a vida é um piscar de olhos. Há pouco tempo eu tinha 14 anos e de repente estou com meus 75. A vida é sucessões de momentos. Devemos viver cada um desses momentos intensamente, pois só assim teremos boas lembranças para revivê-las depois. Eu digo também, a sua vida, para nós, passou tão rápida!
Meu pai eu aprendi contigo esta máxima: “Construa agora o lugar que você quer morar depois”. Muitas vezes as dores que temos hoje são mágoas que deixamos passar lá no passado.
Todo o amor que devotamos ao senhor será sempre insuficiente para mostrar a eterna gratidão pelo pai amoroso, desvelado, respeitoso e exemplar que tivemos,
Hoje, em nome de todos seus filhos me aconchego através desta carta para respeitosamente pedir uma benção muito especial, ai do alto para este filho que o ama, que o venera e que enquanto eu viver vou tentar seguir seus bons exemplos.
Parabéns pela sua exemplar vida, enquanto esteve aqui entre nós!
Seu filho
MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 12 de junho de 2016
PARA TODAS AS MENINAS!
PARA TODAS AS MENINAS.
Viva! hoje é o dia dos namorados!
Os marmanjos que me desculpem, mas quero aqui, em especial, homenagear todas as meninas, as eternas, lindas, encantadoras e graciosas namoradas!
Um apreço especial para minha linda e amável e sempre namorada Irene!
Um beijo carinhoso para você mulher que ainda procura, mas não encontrou o seu namorado; para você, menina que tem, mas está triste porque ele se esqueceu de te dar um abraço, eu empresto o meu. Para você mulher que, desiludida, chora o último namoro desfeito, eu te acolho para ouvir seus lamentos. Para você casada, que deveria ser sempre a eterna namorada de seu marido, e é por ele esquecida, desamparada, coloco-me a disposição para te acolher e intermediar uma negociação para que ele volte a trata-la bem, e carinhosamente como sua namorada. Enfim, a todas as meninas, noivas, casadas, viúvas, solteiras, virgens ou não; Para minhas cunhadas, minhas noras, minhas irmãs, minha filha e netas, minhas sobrinhas, para minhas colegas professoras e para minhas lindas alunas que já foram e que ainda são, meu abraço, meu beijo num desejo ardente que o dia dos namorados seja alegre, amoroso, na paz e na esperança da eterna felicidade.
Eu amo incondicionalmente todas vocês!
quinta-feira, 2 de junho de 2016
OS LINDOS CABELOS DE MINHA IRMÃ
Eu sempre tive uma queda para grandes obras e ações que exerçam impacto emocional nos outros e em mim mesmo. Não me satisfaz a pequenez dos atos ou a insignificância de atitudes mesquinhas. Quero sempre aparecer e dou-me por satisfeito e quase chego ao orgasmo quando chega o elogio franco ou dissimulado. O mundo é um teatro.
Eu com quatro anos e minha irmã com três anos éramos uma dupla de botar de pé os cabelos loiros acastanhados de minha mãe e de deixar seus lindos olhos azuis fuzilando incontidos na órbita ocular.
Minha mãe tinha nos cabelos loiros, longos e encaracolados de minha irmã algo de muito lindo e precioso para ela. Era seu enlevo penteá-los e admira-los. Lembro-me de minha irmã correndo e o vento buliçoso vindo doidivanas se enrolar, se esconder para feliz despentear seus lindos cabelos loiros. O sol apaixonado se misturava a eles e na tentativa de defendê-los dava uma cor doirada de beleza inacreditável.
As professoras na escola queriam por inveja doida que seus cabelos longos fossem tosados e tentavam, de qualquer maneira encontrar neles algum piolho, alguns ovos de insetos anopluros, mas minha mãe, como sempre muito zelosa não deixava que estes insetos pediculídeos, sugadores malditos se alojassem no couro cabeludo de minha irmã.
Nas nossas brigas pueris, por respeito nunca puxei seus cabelos.
Um dia na casa de nossa avó estávamos brincando os dois ou então fazendo alguma peraltice, não me recordo, quando então surgiu a grande oportunidade para a minha consagração.
Minha irmã tinha acabado de tomar seu banho. Estavam no seu cabelo, dois laços em fita azul, como borboletas enormes sugando o néctar, uma de cada lado de sua cabeça, separando ao meio seus loiros cabelos.
Sua franja, cuidadosamente alinhada acima da sobrancelha dava o tom angelical ao seu rosto. Quando vi aquilo, brotou em mim a seiva da criatividade e eu, como que possuído por um ser criador e renovador de cabelos diferentes fui atrás de uma tesoura.
A tesoura, ponte aguda estava ali na mesa chamando minha atenção. Até parecia que ela me dizia:
- Vem me possuir que em suas mãos mágicas criarei coisas lindas. Vem moleque, vem.
Hipnotizado não resisti e quando me dei conta estava com a maldita ferramenta entre os dedos num abrir e fechar frenético apontando-a para minha irmã.
- O que você vai fazer com esta tesoura, perguntou um tanto apavorada e curiosa minha irmã.
- Vou deixar seus cabelos mais lindos, respondi com entusiasmo, caminhando ao seu encontro.
- Mas a mãe não vai gostar, replicou se afastando medrosa.
- Vai gostar sim. Seus cabelos vão ficar mais lindos.
E para que ela participasse desta imaculada operação completei dizendo:
- Eu corto primeiro e você corta depois meus cabelos.
Como ela sempre acreditava em mim e eu possesso estava falando com a convicção de quem sabe o que vai fazer se inclinou oferecendo sua cabeleira para o sacrifício.
Tal qual um mestre da tesoura iniciei a remodelação daquele cabelo imaginando algo fantástico que pudesse arrancar aplausos de minha mãe.
Corta daqui, repica dali amontoando no assoalho ao derredor de nossos pés sua loira cabeleira até que a tesoura maldita, invejosa, sacana tal qual uma jararaca maluca furou a testa e em seguida o pescoço de minha irmã. O sangue jorrou, encobrindo buliçoso seus olhos e como moleque travesso manchou seu vestido branco respingando saltitante no assoalho. Minha irmã gritou de dor. O grito dela retumbou na sala em que estávamos e foi buscar os ouvidos de minha mãe e minha avó na cozinha.
A obra ficou inacabada.
Minha mãe arrastada até a sala pelo som do grito agudo de minha irmã não resistiu ao que viu e se pos desmaiada no chão. Incontinente minha avó socorreu primeiro minha irmã.
Não tive o orgasmo com o esperado elogio, mas quase me urinei todo com as chineladas que recebi de minha mãe.
Por um longo tempo minha irmã usou esparadrapo na testa e pescoço e um chapéu de pano na cabeça.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
terça-feira, 31 de maio de 2016
JURITI
Até prova em contrário, eu sei que toda criança gosta de animais. Um cachorro, um gato ou um pássaro são os mais comuns do afago interesse das crianças, e eu fiquei nesse comum, pois tive um cachorro como animal de estimação. Na realidade era uma linda cachorrinha vira lata.
Juriti era o nome dela. Apareceu no portão lá de casa ainda pequenina, ganindo de fome e frio. Olhei confuso para ela, por entre as fendas das balaustres do portão, e ela olhou para mim com aquele olhar de súplica que só os cachorros sabem fazer, e eu acredito que isto foi amor à primeira vista.
Catei-a do chão, enlaçando com meus braços acomodei-a no meu peito, e corri feliz, gritando, mostrar o achado para minha mãe.
- Posso ficar com ele? Perguntei num misto de alegre e ansioso.
Minha mãe pegou o animal de minha mão, olhou com cuidado virando-o de um lado para outro como que no desejo de descobrir algo, falou:
- Não é ele, é ela.
- Como é que minha mãe consegue descobrir o sexo dos animais? Pensei admirado, naquele momento. Minha mãe é maravilhosa e competente nisso, ela sabe se é galo ou galinha, se é boi ou vaca, se é cabrita ou bode, se é cavalo ou égua. Quando guri, muitas vezes quis perguntar o segredo disso tudo a ela, mas me contentava simplesmente em acreditar. Ela falou, está falado!
- Eu acho que seu pai não vai gostar, completou ela.
Depois de muitos “deixa me ficar com ela”, “deixa me ficar com ela”, a Juriti finalmente foi adotada pela família. Foi uma festa geral.
Foi crescendo rápida e sapeca, mas morava no quintal, amarrada a uma cordinha para cuidar da casa.
Já adulta sua raça lembrava um pouco de Collie. Tinha uma pelagem média mesclada em branco e marrom que dava a ela uma aparência agradável. A mãe dela deveria ser uma cadela com pedigree, que com certeza, andou em más companhias, de vira latas vadios e sarnentos.
Desta vadiagem toda nasceu a Juriti que por certo foi abandonada por aí, e veio parar no portão de casa.
Eu acho que a Juriti nunca se importou muito com isto, em casa ela era bem tratada e parecia muito feliz.
Eu e Juriti nos dávamos muito bem. Ela era um grude, pois onde eu estava, lá ela queria estar também. Latia, mordia meu calcanhar, lambia meus pés. Ela era toda festa.
Era a companheira dos meus folguedos em casa e na rua. Gostava de sair, quando eu saia para brincar. Lembro-me perfeitamente como ela toda alegre, presa àquela corda, olhava para mim e de seu rabo em movimento quase gerando um tufão, quando de manhã eu levantava para ir buscar o leite na chácara. Era um bom trecho a ser percorrido. Soltava-a da cordinha e lá íamos nós, eu assoviando e ela latindo, em desembalada correria. Ela cheirava os postes, corria afoita e inutilmente atrás de borboletas e de passarinhos, tal qual uma doidivanas latia feliz para coisa alguma. E eu me divertia com isto. Pelo caminho, muitas vezes além das borboletas e passarinhos cruzavam vadios cachorros enormes e ela com medo se enroscava medrosa em minhas pernas pedindo meu colo.
Nem sempre as coisas boas duram para sempre.
Uma noite, nossa família foi acordada por um barulho infernal de briga entre cães dentro de nosso quintal. Tarados cachorros, vadios vira-latas, aos milhares deles quebraram o portão e atacaram a inofensiva, pura e virgem Juriti dentro de nosso quintal.
O que vi naquela noite foi alarmante.
Meu pai aos berros conseguiu com pedaços de paus e pedras afugentar aqueles miseráveis, mas apenas um deles permaneceu e nele, engatada estava a Juriti.
Meu pai sentenciou:
- Não podemos ficar com esta cachorra aqui em casa.
Voltei para cama e triste quase não consegui dormir. Levantei-me de manhã para fazer a minha tarefa de buscar o leite e não encontrei, como de costume, me esperando no quintal a cachorrinha que tanto amava. Chamei-a em vão. Fui, então sem assoviar e sem correr, cabisbaixo buscar o leite. As borboletas e passarinhos pelo caminho voavam desnorteados procurando pela Juriti. Até os vira latas, ao cruzarem por mim, ladrando perguntaram pela medrosa cachorrinha.
- Talvez, engatada tenha, aquele miserável cachorro, levado-a de arrasto para outro quintal. Pensei muitas vezes isto.
Procurei-a em vão por muitos lugares e por muitos dias.
O tempo passou, dois anos talvez, mas a imagem alegre da Juriti nunca me saiu da cabeça. Abatia-me uma tristeza infinda quando de manhã, ao ir buscar o leite não a encontrava ali toda faceira e alegre me esperando.
Certa vez, quase ao romper da madrugada ao passar por uma viela mal iluminada, como numa visão maravilhosa vejo uma cadelinha, magra, maltratada, com as tetas grandes que pelo seu porte e pelagem em cores branco e marrom lembrava a minha cachorrinha. Meu coração acelerou. Não me contive, parei e chamei:
- Juriti!
Aquela cachorra parou de chofre de remover o lixo, virou-se para mim, fez menção de abanar o rabo e com olhar lânguido e triste caminhou cabisbaixa até perder-se na escuridão.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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