MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
CAVALGANDO UMA BICICLETA# MUITO LOUCA
Quem, quando guri não morreu de vontade de andar de bicicleta? Pois sou um destes indivíduos que quando imberbe ainda, e não pubescente sonhava com a magrela dia e noite. Implorava insistentemente uma para meu pai, mas ele impassível ignorava as minhas doridas súplicas. No meu tempo, lamentavelmente não tinha ainda a grande motivação de –“Não esqueça de minha caloi”.
A bicicleta povoava meus sonhos. Era uma coisa boa e um tormento ao mesmo tempo. Eu sonhava com aquelas lindas propagandas de bicicletas que apareciam nos jornais e revistas. A sueca Monark, por exemplo, era considerada a rainha das bicicletas e era feito em aço de primeira, acabamento esmerado e cores lindas. Era a preferida do Brasil segundo a propaganda. Era a minha preferida também. A danada vinha com dínamo Hackel para os faróis Riemann e estava acoplada com a bomba pneumática Progress. Uma belezinha. Eu vivia fazendo coleções de recortes destas propagandas. Nos meus sonhos eu já havia andado milhares e milhares de quilômetros deslizando ruas, estradas, vielas e campos. Eu estava perito no assunto em botar a bunda no selim.
Para mim, um estilingue no pescoço, um picuá carregado de pedras na cintura, um pião, umas bolinhas de gude e uma magrela para me carregar era o máximo de minha ambição. Nada mais eu queria. O estilingue, o picuá, o pião e as bolinhas de gude eu os tinha, mas a bicicleta em meio a névoas ficava turva em meus anseios. Quando eu a teria? Martelava constantemente em meu cérebro esta pergunta. Quando?
Um dia vou possuir uma, pensava otimista olhando demoradamente aqueles recortes de propaganda.
Este dia não demorou a chegar.
No meu tempo, todo bom moleque que já sabia ler e escrever# tinha que procurar alguma ocupação ou ofício para desenvolver. E lá fui eu aprender o ofício de marceneiro. Tinha 12 anos de pura inocência e muitos sonhos a realizar. Muito mais sonhos e pouca realidade.
Na marcenaria trabalhavam alguns marmanjos, eram os meus professores e a um canto, lá mais para o fundo do barracão, tal qual uma princesa encantada permanecia sempre uma linda e indescritível sueca. Pareceu-me, algumas vezes que ela dava umas piscadelas para mim. Eu acredito que foi amor à primeira vista.
Minha iniciação na arte# de construir tranqueiras em madeira estava indo muito bem, mas minha paixão pela sueca aumentava desesperadamente dia a dia. O percurso de casa até a oficina de artes em madeira era bem longo, mas minha motivação em estar lá antes da hora e sair depois da hora era esta linda e graciosa sueca que impassível permanecia lá como se estivesse obcecadamente me esperando. Era uma atração fatal.
Dois tímidos. Eu de um lado fazendo minhas tarefas, jogando de quando em quando um olhar furtivo e enamorado e ela de outro lado, calada, linda me espreitando.
Um dia o dono da oficina me surpreendeu passando a mão nela. Fiquei sem jeito, esperei uma bronca, mas ele simplesmente me disse:
- Cuidado com ela, moleque#, ela é minha e sou muito ciumento, mas como sou bastante liberal, se você quiser um dia eu o deixo sair com ela.
Minha alegria foi tanta naquele momento que quis gritar, dar um abraço nele, mas apenas timidamente agradeci.
Isto nos fez, eu e a sueca mais próximos um do outro. O nosso namoro estava cada vez mais forte. Ela era caladona, mas me permitia que eu ficasse ali ao seu lado falando qualquer coisa, sobre mim, sobre meus amigos; Era um bla bla danado sem fim.
A minha paixão pela sueca estava em proporções descomunais. Quando em casa não via a hora de retornar ao trabalho para estar ao lado dela. Os finais de semana me pareciam longos e intermináveis.
O grande momento de realizar o meu sonho chegou! Meus lindos sonhos seriam realidade agora. Vou finalmente andar de bicicleta.
Alguém da oficina precisaria ir fazer uma entrega de uma encomenda qualquer do outro lado da cidade. Eu fui o escolhido.
- Você sabe andar de bicicleta? Perguntou-me o dono da Marcenaria.
Esperei um pouco dei um tempo para responder. O treinamento que fiz nos meus muitos e variados sonhos me pareciam reais. Eu sabia, é claro que eu sabia andar de bicicleta e muito bem. Recompus-me não acreditando ainda na pergunta e de imediato, meio gaguejando respondi.
- Sim, sim eu sei.
Colocaram com cuidado a obra de arte restaurada no bagageiro da bicicleta dizendo-me:
- Cuidado com esta peça, ela é antiga e de muito valor.
- Sim, gaguejei.
- Guri, cuidado com a minha Monark, ela é uma coisa preciosa que tenho, acrescentou o dono da marcenaria.
Finalmente a sueca estava em meus braços e logo logo estaria sob minhas pernas. A minha alegria era tanta que acabei acreditando que sabia realmente bicicletar e com isto tive um orgasmo precoce.
Olhei aquela formosura toda reluzindo de impecável pintura preparada para a missão quase impossível.
Os primeiros 100 metros eu os fiz apenas empurrando a sueca. Fui num monólogo tranqüilo com ela. Queria estar longe das vistas do dono dela no memento sublime de dar à primeira trepadinha. A cidade até parecia que parou para me permitir andar sem problema. Suas ruas em colossal areal se estendiam desertas por quase todo o trecho. Até os cachorros vadios se recolheram.
Criei coragem, mas tremendo de medo frente a uma enorme descida me encavalei desajeitadamente em cima dela. Pareceu-me ouvi-la dizendo:
- Vá com calma meu amor!
Eu estava tarado, estava afoito, na realidade eu era naquele momento o noivo virgem doido pela primeira foda e não atendi ao seu reclamo, comecei a descida em desembalada corrida. Ela gemia sob meu corpo que quase solto queria escapulir.
Meus cabelos soltos ao vento acenavam felizes e eu em início de operação radical começava a suar frio. O medo estava solto correndo lado a lado comigo. Meu anjo da guarda suplicou aos céus e me abandonou. A Monark desgovernada, zig zagueando doida engolia a distância, gritando frases desconexas. Meus pés soltos não encontravam os pedais e o selim fazia bolhas na minha bunda.
A sueca gritava frases de ordem, rebolava toda, mas eu juro que ela estava feliz pela liberdade incondicional que eu estava lhe proporcionando.
Como um peão nos corcovos da mula xucra eu tinha presa apenas uma mão no guidão da desgovernada Monark.
Pouco mais de 50 metros, nada mais do que isto foi palco da mais ousada e radical desembalada corrida ciclística que se tem notícia coroando ao final com um fenomenal acidente.
Um banco de areia ao nos ver doidamente se aproximando gritou, acenou, gesticulou, quis sair do lugar e nos seus braços espetacularmente fomos parar.
A sueca quando colocou seu rodado dianteiro no areal, deu um espetacular corrupio no ar, xingou largando-me em pleno vôo. Planei por alguns segundos e vertiginosamente de cabeça cai. A minha fuça foi a primeira a chegar ao areal vindo logo em seguida a Monark que num baque se enrolou toda em mim para amaciar sua queda.
A logística da entrega foi estancada neste ponto. Apenas 50 metros de adrenalina pura. Foi uma experiência incrível cavalgar numa xucra sueca que acabou culminando na realização do meu sonho – Andar de bicicleta. Desastrosa experiência, mas foi o início. Finalmente andei de bicicleta.
No local uma boa alma me ajudou a se desvencilhar da magrela# que toda retorcida prendia-me a ela num abraço funeral; juntou cuidadosamente os pedaços da obra de arte que levava na garupa e me entregou com cuidado.
Eu estava todo empoeirado e sangrando, mas estava muito mais feliz que preocupado.
De repente, recompondo-me um pouco bateu loucamente em minha memória a recomendação:
- Cuidado com esta peça ela é uma obra de arte e de muito valor. Cuidado com a minha bicicleta, ela é bla e bla e mais bla.
Comecei a chorar desesperadamente reunindo os restos mortais da obra de arte e juntando do areal maldito a linda sueca toda retorcida.
- O cara vai me matar, pensei eu, enquanto caminhava de volta.
Pensei em fugir, desaparecer deste mundo, mas criei coragem e continuei o meu regresso. Como um bom empregado, ao emprego estou retornando.
Ao chegar de volta com aquele monte de ferro e lata retorcida disse ao dono da marcenaria:
- Fui atropelado e não me lembro de nada.
A sueca, no seu último suspiro teve forças e me deu um beliscão pela mentira. O dono da marcenaria, esbravejou, vomitou impropérios e quando quis me bater desmaiou caindo espetacularmente ao chão.
Mudei de cidade, fui para o seminário e até hoje não tive coragem de ir lá receber o meu salário.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 11 de junho de 2017
ORIGEM DO TROVÃO
Eu, quando guri, sempre brigava com as malditas nuvens que vomitavam chuva.
Dizem que de louco e físico cada um tem um pouco, mas disso tudo eu fui lesado. Definitivamente não sou físico, mas vou explicar de como eu entendia, quando criança, aquele barulhão filho de uma puta que acontecia lá nas alturas do céu. Muito das coisas aprendi com minha mãe.
O trovão já era tema de muitos estudo pelos antigos filósofos e, segundo pesquisa, foi Aristóteles, pai que era de muitos filhos, ao ser inquirido a origem do trovão, imediatamente, para se livrar da molecada, deu uma explicação plausível sobre a barulheira toda que acontece lá pelos altos.. Ele disse para seus filhos, e depois dizia para seu alunos, que o trovão é o som provocado pela trombada das nuvens umas contra as outras.
Era bem engraçado, mas eu imaginava as nuvens como carros, soltos, desgovernados, de um lado para outro, lá nas alturas.
Quando era guri pequeno entendia que as nuvens eram dirigidas pelos anjos e almas boas que moravam nela, mas pelo jeito traquinas, e com pouca experiência no trânsito, provocando assim as focinhadas das nuvens.
Lendo Aristóteles fico imaginando, nestes choques violentos das nuvens, os anjos e almas caindo lá do alto. Talvez seja por isso que anjos e almas nascem novamente ou vem povoar as casas mal assombradas.
Tenho uma vaga lembrança de uma aula de física que assisti, na qual o professor dizia que, o trovão é um evento, que acontece pela velocidade incrível do raio, que vai passando, e rasgando tudo pelo caminho criando um vácuo super aquecido que acaba explodindo.
Depois desta aula, eu olhava para o céu nublado e via o raio, sendo montado por um imbecil qualquer - uma dessas almas que não tem o que fazer. O raio xucro, querendo derrubar a alma inoportuna, galopava feito um lazarento, como se tivesse pimenta no fundilho, peidando feito um doido.
Corcoveia daqui, corcoveia dali!
Corcoveava e ao passar corcoveando em alta velocidade, provocava uma confusão entre as nuvens, as quais ao se chocarem, derrubavam muitas almas e muitos anjos, em forma de chuva na terra. Os urros nas nuvens, na realidade eram os gritos de desespero das almas que tentavam se segurar para não caírem.
Uma vez alguém me disse que o trovão é um gigantesco empurrão de ondas sonoras. Eu olhava para as nuvens, e via as almas mais saradonas surfando estas ondas, e com isto provocando o som do trovão.
De todas estas figuras, entre Aristóteles, professor de física e outros, a minha mãe foi a que mais me convenceu com sua sábia teoria.
- Meus filhos, dizia ela explicando a origem do trovão, é São Pedro lavando o céu e afastando os móveis.
Imediatamente eu imaginava a nossa casa sendo lavada.
E continuava ela na sua didática explanação:
- A chuva é a água que São Pedro lava o céu.
Quando a nossa casa era lavada, eu via debaixo do assoalhado a água vazando pelas frestas em forma de chuva.
Era a prática na teoria.
Eu sempre imaginava todos os santos e anjos empurrando, de um lado para outro, os imensos móveis lá no céu. Pelas frestas do assoalhado do céu eu via a água que corria em profusão. Quando trovoava, incontinente pensava:
- Lá vem a turma fazer faxina!
Ao ameaçar um temporal, minha mãe imediatamente nos punha por debaixo da mesa, e corria, medrosa, queimar alguns ramos verdes.
Ela dizia para nós, justificando a mesa como proteção:
- Quando estão lavando o céu é muito perigoso para nós as coisas que acabam caindo lá de cima!
De fato, as chuvas de pedra me davam medo. Para minha mãe era apenas o medo do temporal destelhar a casa, e cacos de telha cair por cima de nossas cabeças.
Ainda hoje, quando avisto alguma nuvem que passa sorrateira, rápida, ziguezagueando pelo céu, com saudade vejo minha mãe toda feliz brincando nela.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 5 de junho de 2017
MOLEQUE PIRRACENTO
Chorando, então voltei, e fui enxugar as lágrimas na saia de minha mãe.
Você já foi birrento, pirracento? Não tem na memória, ou está mentindo? Pergunte então para seus pais.
Eu acho, apenas acho que não fui nada birrento, mas, por ironia da vida, infelizmente tem uma cena registrada em minha cachola, que diz o contrário.
Por mais que queira apagar, ou negar, tem meu pai para dela me lembrar.
Diz a lenda que o fedelho, a partir dos dois ou três anos até uns aos cinco, começa a se manifestar ruidosamente principalmente em público. Dizem os psicólogos e pedagogos que os pequenos projetos de gente começam a radicalizar suas vontades, a apavorar seus pais, ao descobrirem, por encanto, que é através dessas manhas, dessas birras que eles conseguem se fazer ouvir rapidinho.
As birras muitas das vezes vêm para extravasar um descontentamento ou então um aviso: - “Ei, eu estou aqui e quero ser atendido!”
Se os pais ou responsáveis pelo menor não o atender vai, com certeza, pagar o mico.
Na minha época umas boas chineladas na bunda e puxões de orelhas resolvia rapidinho o beco sem saída, mas hoje isso é considerado violência, e o aplicador dos tapas pode apodrecer na prisão.
Recebi injustamente muitas chineladas, isso muito bem me faz lembrar.
A cidade em que a gente residia era de chão vermelho. Era tão vermelho que o pessoal usava a terra para tingir roupas e pintar as casas. Era um torrão grudento, incrivelmente pegajoso, tão aderente que a polícia usava para engessar os bandidos. Era o terror para as mães, principalmente quando chovia.
Quando levava umas chineladas de minha mãe, lá ia eu me vingar dela me espojando, quase chafurdando, naquela imundície. Rapidinho ela tinha que me lavar para não virar moleque de pedra.
Eu adorava fazer isto para ver minha mãe esbravejando. Era como uma pequena vingança para abrandar o ardume das chineladas.
Um dia, numa viagem de vapor, de Porto Amazonas a São Mateus, aprontei alguns inconvenientes, e recebi como paga umas boas chineladas. Eu achava que era preterido pelos meus pais por causa de minha irmã mais nova. Coisa de moleque ciumento.
Diga-se de passagem, uma viagem de vapor para uma criança, de três ou quatro anos, julgada excluída pelos seus pais, não poderá ser comparada com um passeio pela Disney.
Quando o vapor estava atracando em São Mateus, ainda sentia minha bunda ardente pelas chineladas recebida. Arquitetei um monstruoso plano que iria colocar minha mãe e meu pai numa verdadeira sinuca. Talvez essa atitude fosse a maneira deles me notarem, foi isto que pensei.
Seria uma pequena grande vingança.
O vapor atracou.
O tempo estava chuvoso.
Saí prancha abaixo em direção ao lamaçal, ouvindo minha mãe desesperada gritar:
- Mario, cuidado! Volte aqui menino!
Sem dar ouvidos a ela, só não chafurdei para não sujar a roupa que adorava vestir, mas meti as mãos naquele barro com fé e coragem.
Ao invés de bravos, ouvi meu pai e minha mãe gargalhando.
De imediato, olhei para minhas mãos e não acreditei no que via. Fiquei decepcionado.
Minhas mãos estavam limpas, limpíssimas, apenas cheias de areia, e nada mais.
- Que bosta de terra é essa que não suja? Questionei-me perplexo e desconcertado.
Chorando, então voltei, e fui enxugar as lágrimas na saia de minha mãe, que ainda ria passando amorosamente a mão na minha cabeça.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
domingo, 14 de maio de 2017
MINHA DOCE MAEZINHA - HOMENAGEM PÓSTUMA
A separação é como um elo que se rompe, como uma parte boa de nós arrancada que se perde em pedaços irrecuperáveis. É uma interrupção que causa um desconforto, um mal estar deixando um vazio enorme e uma tristeza que não tem fim.
Nossa mãezinha como um anjo partiu suavemente desta vida bem ao seu jeito, abençoando a todos e com uma expressão feliz no rosto.
Seu corpo frágil, debilitado pela enfermidade, pelas dores cruéis que sofria foi vencido e sucumbiu ao peso da morte.
Nós ficamos tristes, pois se foi a alegria de seu sorriso; foi com ela seu humor irreverente e no fechar de seus olhos foi se embora a eterna mãe sempre preocupada com seus filhos e com seu querido velho Chico.
Gritei por Deus e em vão procurei uma justificativa uma explicação, pois a emoção muito maior que a razão me tapou o raciocínio lógico. Aos poucos, rosto lavado pelas lágrimas, entre soluços, inconsolável bradei ao Senhor que me mostrasse, pelo menos mais uma vez a minha querida mãezinha. Ele atendeu.
Uma luz muito forte, brilhante num primeiro momento tornou-me cego e aos poucos fui me recuperando e fiquei fascinado pela visão deslumbrante que se me apresentou. Uma verdadeira pintura foi o que vi.
Era um lugar muito lindo. Via-se ao fundo uma serraria e um pouco para frente uma casa grande com sótão com as janelas semi abertas. Um riacho de águas limpas serpeava por entre as grotas e se perdia distante banhando a floresta verdejante de pinhais e erva mate.
Parecia um dia de festa. Muita gente rindo, conversando alegremente. Fizeram um corredor enorme enquanto o apito da serraria soava sem parar para receber a ilustre e tão esperada Marina.
Ainda aturdida pela morte e preocupada com o pessoal que chorava a sua volta ficou por momento inerte. A sua frente um pessoal festivo que aguardou impaciente sua chegada e para trás seus filhos, esposo e amigos inconsoláveis com sua partida.
Passou carinhosamente a mão pela cabeça do pai tentando confortá-lo e amparou cada um que a volta de seu corpo sem vida rezavam a Ave Maria.
Veio ao seu encontro o vô Silvestre e a vó Rosália acompanhada pela Alice que disse:
- Oi dona Maria, que bom que a senhora veio, estamos felizes por isto. Vamos cuidar da senhora.
A mãe Rosália pega com ternura em suas mãos e o seu pai diz:
- Vem despreocupada, pois eles vão ficar muito bem e amparados, dizia isto enquanto ainda a mãe olhava para seus entes queridos ao lado de seu corpo já sem vida.
E ela olhou consternada mais um pouco para o pessoal que chorava a sua morte e foi, e muito feliz ficou ao ouvir do seu pai que o baile lá na sala da casa estava preparado e que ele queria dançar a primeira valsa com ela.
Vamos, vamos Maika, pois temos muita coisa para fazer.
E a mãezinha muito feliz passou pelo corredor de gente abraçando cada um festivamente.
Tio Lúcio foi o primeiro e disse quando a abraçava:
- Não fui em vida morar com você, mas acompanhei feliz o teu crescimento, a tua abnegação e o teu amor incondicional para o cunhado Chico e para meus queridos sobrinhos.
Tio Boles ria feliz. tio Valdo, tia Irene, tia Salca tia Amália tio Carlito cercando a irmã que acabara de chegar cada um a sua maneira queriam mostrar as coisas lindas daquele local a fim de deixá-la mais a vontade.
Até o vô Moises, com tio Altino, tia Julinda, tio Ruy e tia Nena vieram abraçá-la.
Assim Deus na sua infinita sabedoria mostrou para mim conforme meu entendimento a outra dimensão da vida. Mostrou a imensa alegria da recepção e da chegada do espírito ao se desprender deste mundo.
Eu não vi o baile, mas vi meu avô gritando pelo pátio da serraria convocando o pessoal.
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