MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
domingo, 24 de setembro de 2017
UM VAPOR, UM RIO E UMA SAUDADE
Era uma daquelas madrugadas fria, final de primavera. As flores em profusão, respingadas do suor da serração, ainda em êxtase, exalavam mil perfumes pelo ar. As borboletas ainda dormiam embriagadas ou dopadas pelo néctar roubado nos jardins. Tudo era maravilhosamente deserto em descanso profundo, e assim, maculando este cenário, caminhava eu a esmo no ritmo da dança das recordações.
Mais adiante avistei o solitário vapor Pery. Ele me viu e feliz, bocejando, acenou para mim. Mecanicamente acenei também.
Cheguei, como quem não quer nada, e me postei encostado nele como puta velha buscando soluções para coisas impossíveis e insolúveis.
- Oi! Velho camarada, disse a ele batendo várias vezes com a palma da mão no seu casco.
- Oi, respondeu-me ele parecendo um pouco triste e saudoso.
- O que acontece? Algum problema? Sempre o vi alegre e esperançoso?
Ele suspirou, num suspirar de imensa tristeza e como se estivesse num divã desfiou suas mágoas em torrentes sem fim.
O Pery estava ali, preso, estaleirado como um corpo inerte numa cirurgia completa de restauro. De onde ele estava tinha uma visão privilegiada do rio, e por isto, perdia-se em tantas ferrugens almejando desesperadamente o singrar por aquelas águas como dantes navegara. Tinha esperança e, de qualquer forma, isto alentava a sua vida metal.
- Há tempo não vejo meus amigos vapores Leão, Paraná, Iguassu, Sara, Vitória e tantos outros! O que é feito deles? Perguntou-me em voz rouca.
Bateu-me a saudade e uma imensa tristeza invadiu minha alma.
Pensei um pouco e disse que estavam felizes aguardando a volta dele nas águas do rio.
Foi para ele uma gota de alento esta informação.
Contou-me da alegria quando, rio acima ou rio abaixo, cruzava com seus amigos. O silvo rouco, a chaminé soltando fumaça e fagulhas era o conversar deles na solidão do rio, que feito uma serpente, com suas águas deslizando transparentes e lépidas lambendo sôfregas as margens que as continham. Ele, numa voz quase sumida, contou-me dos lenços brancos nas mãos dos passageiros ao cruzar das embarcações.
Subi até ao convés para melhor conversar com ele.
Para não desanimá-lo completei dizendo que os amigos dele estavam também sendo preparados para a grande festa da volta. A certeza que todos tinham é de que sem tardança aquelas águas novamente estariam felizes acolhendo todos os barcos e vapores; E no vai e vem das ondas espumantes provocadas pelas rodas d’água, transportariam felizes mercadorias e pessoas. Seria tudo como dantes.
Ele sorriu!
Fui até a proa, passei a mão nela, e sentado por alguns momentos olhei o rio que se perdia numa curva mais adiante. Olhei demoradamente, e colocando-me no lugar dele pude perceber a angustia que meu querido vapor passava, estaleirado ali, e tanto tempo sem o contato com as águas.
O gigante estava no ancoradouro, quase inútil preso, um tanto carcomido pela ferrugem, sendo aos poucos restaurado, apenas para servir de deleite para alguns curiosos que se postarão junto a ele para fotos futuras de recordação. A condenação para a inutilidade do Pery estava numa situação irreversível. Ninguém tinha mais paciência para estas viagens de prolongado tempo, e o rio maculado pela imundície e de leito aterrado pelo areal não se prestaria para qualquer tipo de navegação.
E o pobre Pery isolado, triste desconhecia tudo isto.
Estava ali, tal qual um moribundo que lhe escondem a doença, acreditando que ainda navegará pelo rio Iguaçu.
E continuei meu conversar.
Lembrei com ele a beleza e o encantamento da procissão de Nossa Senhora dos Navegantes. O Rio ficava apinhado de barcos e vapores enfeitados que deslizavam graciosos pelas águas do rio. Sumiam na curva da nascente e apareciam logo mais para o delírio, com palmas e vivas, gritadas pelo povo que se aglomerava na margem direita, na entrada do porto.
Lembramos dos momentos festivos, e o burburinho buliçoso do povo no embarque e desembarque. Da retirada das entranhas dos vapores as mercadorias, e da cena bucólica das senhoras de vestidos longos e chapéus enfeitados e de seus homens em terno e gravata. A chegada do vapor no porto, anunciada pelo seu silvo rouco, era motivo de festa. A população se enfeitava, e feito criança descia para ver, para saber, para fofocar, e para participar.
Ele riu um pouco do jeito dele, matutou por alguns segundos e perguntou depois de um longo suspiro:
- Você acredita mesmo que eu posso novamente singrar todos estas milhas de água novamente?
O sol já aparecia despertando as borboletas, os entregadores de pão, as fofoqueiras de plantão e tantos outros viventes.
O campanário lá mais para o alto tocou o sino do nascer do dia.
Não respondi. Apenas fiquei olhando condoído para aquele gigante e confesso que vi lágrimas em profusão nas suas feições.
Mudei de direção o meu lacrimejado olhar e olhei saudoso para aquele rio podre, lodoso; Muitas lembranças boas me vieram; Voltei-me então para o Pery, e mais uma vez contemplei condoído o vapor enferrujado; E para não chorar com ele, afastei-me dali no meu passo mole, de um passar incerto que me levou para a realidade nua e crua que me vestia do agora cruelmente.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
MINHA MÃE E O SISTEMA KANBAN
O sistema Kanban, segundo vários autores consultados é um dispositivo sinalizador visual, um cartão que fornece instruções para que a produção inicie a fabricação dos itens marcado no cartão ou então para mostrar quanto de material está em estoque e quanto deste material vai ser preciso comprar. É um sistema largamente usado pelas indústrias e pelos supermercados. A palavra é de origem japonesa e significa, na língua deles etiqueta ou cartão; O sistema se utiliza de um quadro, estrategicamente localizado para colocar estes cartões que servirão de aviso ou de lembrete para as compras ou fabricação.
Por que é dado o privilegio da invenção do sistema Kanban aos japoneses? Somente pelo nome Kanban? Não só por isto. Então vamos ver.
Conta a história que na década de cinqüenta o Japão pós-guerra estava faminto por organizar e deixar com qualidade seu parque fabril. Dependia desta organização para se ter um custo reduzido aos seus produtos fabricados e se ter um controle refinado sobre o terrível desperdício principalmente no chão de fábrica.
A indústria automobilística americana pela pujança e mecanização despertava muita a atenção e muitas vezes servindo de exemplo. para o mundo.
Um grupo de empresários japoneses desesperados por organização nas suas empresas resolveu fazer uma espionagem industrial. Viajaram disfarçados de turistas para os Estados Unidos – óculos escuros, binóculo e máquina fotográfica dependurados no peito, chapeuzinho de pano com aba, ar de besta com suas camisetas e bermudas floridas e um caderninho de apontamentos. Eram os verdadeiros calçudos da época.
Chegaram e cada um foi para a porta de uma fábrica. Disfarçados de operários entraram e conferiram a organização. À noite, no hotel cansados, estropiados, pois tiveram que trabalhar para não despertar a atenção, chegaram a um acordo de que nada do que viram não estava sendo praticado no Japão. Desanimados começaram a fazer as malas para o retorno.
Como naquela época era muito comum quem visitasse os Estados Unidos desse uma chegadinha e fizesse umas compras na Sears, foram então, para cumprir este cerimonial no dia seguinte antes do embarque comprar algumas quinquilharias para suas esposas, filhas ou namoradas ou mesmo amantes. Quando estavam passando pelo caixa verificaram que a atendente retirava uma parte da etiqueta dos presentes e colocava num recipiente. Curiosos perguntaram qual o significado daquela ação. A atendente gentilmente explicou que a etiqueta seria recolhida por alguém que daria comando para repor na gôndola aquele material que eles estavam levando.
- Kanban, gritaram felizes em coro os japoneses. Beijaram a atendente, deixaram um monte de gorjeta e saíram felizes para o aeroporto. A atendente não entendeu nada, mas ficou feliz com a gorda gorjeta recebida. E dizem as más línguas que a partir desta data os japoneses inventaram o sistema kanban.
Mas... Continuemos a história.
Muito antes deles minha mãe, de origem polonesa já tinha inventado este maravilhoso sistema que ela chamava carinhosamente de grepel. Ela quis um dia registrar em marcas e patentes, mas os organismos internacionais recomendaram a ela que desistisse do intento porque achavam de pouca importância o assunto e também, segundo eles causaria um conflito internacional em vista da palavra em japonês já ser de domínio público.
Os malditos filhos de uma puta enganaram minha mãe.
Então vamos aos fatos em defesa do invento desta simpática polonesa.
Ainda quando pequeno, na década de quarenta tenho na memória bem registrado de que maneira minha mãe comunicava ao meu pai a necessidade da compra da casa, principalmente dos mantimentos.
Como ela não gostava muito de verbalizar o pedido, porque sempre esquecia alguma coisa criou um sistema muito legal que visualmente informava ao meu pai o que de imediato precisava comprar para a casa. De tantos vou apenas descrever um.
O café era comprado em grãos verdes que torrávamos em casa. Era acondicionado em uma lata mais ou menos na quantidade de 5 quilos. Minha mãe deixava no fundo uma quantidade de 1 quilo colocando o cartão (grepel) em cima e cobria com o restante dos quatro quilos. Usava, dia a dia até chegar ao cartão. Pegava o grepel e pendurava num prego perto da porta de saída. Meu pai olhava, anotava e trazia o café na quantidade solicitada. O grepel registrava o nome do item e a quantidade que deveria ser comprado. Minha mãe de posse do café comprado procedia religiosamente da mesma forma. O ciclo se repetia sem erro para o café como para todos os outros itens controlados.
Assim, esta polonesa graciosa, geria tanto o estoque de mantimentos como os itens de produtos de limpeza para que não sobrasse e nem tão pouco faltasse nada na despensa de casa.
Por esta razão a minha querida mãe é a verdadeira criadora do sistema controlado por cartões e que vá a merda os japoneses.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
O #SAPATO SAGRADO
Nos tempos idos em que era guri não atinava muito com estas coisas de obediência, de temor a Deus. Queria ter meu próprio reinado. A bíblia, no entanto é muito severa quanto a isto e deixa a criança a mercê dos seus progenitores. Ela coloca a falta de submissão à vontade dos pais na mesma latitude e longitude de outros terríveis pecados que pululam soltos por aí, tais como o tráfico de drogas, pedofilia; corrupções, sonegação ou apropriação indébita com dinheiro em cueca, meia, mensalão e dos diários secretos da câmara dos deputados.
Eu acho que Deus, por preguiça ou por falta de controle, colocou nos ombros dos pais estas leis para se ver livre da molecada. Veja em Efésios: Honra teu pai e tua mãe para que te vá bem e tenha vida longa. Meu pai com seus 96 anos deve ser o exemplo disto. Não sei não se viverei muito! Na bíblia está escrito que os pais devem orientar seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor. Tarefa cruel esta!
No meu tempo de piá, Deus era mais moço e muito severo. Não me afinava muito com Ele. Eu ia com meu pai a Igreja e enquanto ele rezava eu ficava de olho naquele olho cruel dentro do triângulo onde se lia que Deus tudo vê e castiga. Isto me deixava puto da vida e um tanto apavorado. Nunca quis conversar com Ele, mas se fosse conversar iria dizer umas boas. Hoje o meu Deus é mais velho e mais experiente e me permito bater uns bons e saudáveis papos. Tenho aprendido muito com a Sua experiência e ele tem sido mais compassivo, mais tolerante e até mais humano.
Bem eu vivi nesta severidade toda onde a lei de proteção ao menor não era observada e o trabalho menor escravo corria solto sem qualquer fiscalização.
Entre muitas atividades que tinha que fazer a contra gosto em casa uma tarefa odiosa era o de engraxar o sapato de meu pai. E aí eu ficava mais e mais encanado com Deus, pois sempre o sapato engraxado aos finais de semana era para ir visitar a Sua casa aos domingos.
No final de semana minha mãe sempre me lembrava:
- Já engraxou o sapato do seu pai? E lá ia eu furioso com Deus e meu pai executar a terrificante, impiedosa e laboriosa tarefa.
- Por que será que Deus exige que meu pai tenha os sapatos engraxados para ir visitá-lo? Perguntava isto resmungando furioso para mim mesmo enquanto me desgastava, me acabando todo nesta labuta.
Um dia ao iniciar a fatigante e terrível tarefa de engraxar o sapato verifiquei que não tinha a graxa marrom. Não sei se por espírito criativo ou por revolta mesmo peguei a graxa preta e fiz o processo tranquilamente.
- Meu pai nem vai perceber e até vai gostar, pensei cá com meus botões.
O sapato ficou com uma cor toda atrapalhada que variava do marrom ao preto. Ficou da cor de vão de cerca. Talvez uma nova cor tenha sido criada. Não gostei muito, mas a tarefa foi cumprida.
No dia seguinte é que fui sentir as conseqüências do inconseqüente ato. O sapato da cor marrom era de exclusividade para a casa do Senhor e o da cor preta para trabalho. A cor que elaborei e compus no sapato certamente seria para conduzir à casa do capeta, pois meu pai quando viu aquilo virou o bicho e como servo obediente daquele Deus rigoroso, fez sua oração ali mesmo. Não pode ir a Igreja e me aplicou umas lambadas na parte posterior traseira amaciada. Passei o dia todo sem poder sentar removendo a graxa preta do sapato sagrado.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
MALDITA SOMBRINHA
Minha mãe# sempre foi de uma prestimosidade a toda prova e cheia de cuidados com todos os filhos.
O tempo, aquele dia estava muito feio. Nuvens negras e carregadas passeavam alegres no céu fazendo faísca com seus puns barulhentos. Eu estava admirando as diferentes figuras formadas por estas criaturas do céu. Era um homem deitado logo depois um coelho correndo ou então um galo cantando. Era tudo tão rápido tão mágico tão lindo que eu ficava desejando um dia poder fazer o mesmo numa folha de papel.
Estava absorto, perdido em pensamentos por algum instante embevecido namorando aquelas nuvens. Achava-as linda, graciosas, mas que às vezes mijava aqui na terra.
Minha mãe tinha outra explicação para estes traques e para este líquido vomitado pelas nuvens. – Meu filho, dizia ela, São Pedro esta lavando o céu e para lavar é necessário afastar os móveis, cadeiras e mesas do lugar e jogar muita água e é por isto os grandes barulhos e a água que cai.
Não botava muita fé nisso; Divertia-me os ruidosos puns e fugia da urina quando as nuvens mijavam.
Ainda absorto com tudo isto minha mãe chega perto de mim e fala:
- Guri, vá pegar suas coisas que está na hora de ir para a escola.
Freqüentava já, nesta época o segundo ano do grupo escolar. Tinha nove anos e já quase um homem maduro embora ainda sem pelo no saco e na cara.
Coloquei meu guarda-pó branco, cruzei no pescoço as alças do embornal de tecido – costurado pela minha mãe e já ia saindo quando minha mãe me interpelou: - Lavou as mãos, penteou os cabelos? E lá ia ela fazer uma vistoria completa nas orelhas, unhas e cabelo.
Quando finalmente ia saindo me entregou sua sombrinha# de seda toda florida com um colorido muito lindo, mas admiravelmente extravagante. Antigamente não se escamoteava facilmente as sombrinhas; Eram enormes e continuavam enormes o tempo todo e muito maior quando abertas, escancaradas, chamando a atenção como putas velhas de pernas abertas.
- Não minha mãe, eu não vou levar isto, imediatamente interpus à sua vontade acrescentando – nem vai chover hoje.
Neste momento as nuvens filhas de uma puta, rindo e fazendo diversas caretas no céu soltaram estrondosos puns obrigando minha mãe a fazer três vezes o sinal da cruz.
Não tive argumento contra este fato.
Peguei a maldita colorida e tentei camuflar por entre o embornal e o guarda-pó. Meu andar ficou troncho, mas consegui chegar até o Grupo e me esgueirar até a sala de aula. Dispensei as brincadeiras no pátio antes da aula e consegui camuflar a sombrinha perto da parede.
A aula era sobre... Nem sei sobre o que era só sei que passei o tempo todo rezando para que aquelas malditas nuvens fossem embora. Elas me acompanharam de casa até o grupo e ficaram soltando traques em cima da escola. Eu as escutava rindo e dizendo: - Quando a aula terminar eu vou mijar em você, e gargalhavam, peidavam e soltavam labaredas que riscavam rapidamente o céu.
Minha carteira ficava perto da parede debaixo da janela e o tempo todo de duração da aula eu fiquei ouvindo isto.
- Vou mijar em você... Vou mijar em você – e gargalhavam, gargalhavam sem parar.
Certo momento, perdi a paciência e gritei:
- Chega de peidar# e mijar# sua filha de uma puta.
A classe toda se virou boquiaberta para mim.
Fui levado para a Diretoria
O diretor perguntou:
- Por que você disse isto para sua professora#?
- Eu não disse isto para ela eu disse isto para as nuvens, tentei explicar ao Diretor. Foi em vão; além do sermão e de me chamar de doido levei 10 palmatórias na palma da mão e voltei envergonhado para sala de aula com uma tarefa a mais: escrever 500 vezes “não devo xingar a minha professora”.
E as nuvens continuavam lá, peidando, arrotando e vomitando fogo.
O sinal tocou e em alvoroço todos saíram da sala.
Camuflei novamente a sombrinha entre o embornal e o guarda-pó e meio troncho saí da sala. A água descia à cântaros.
A turma se acotovelava a saída uns abrindo guarda-chuva e outros esperando a chuva passar. Por entre a turba, debaixo daquele aguaceiro saí disfarçadamente, vagarosamente, troncho como se nada estivesse acontecendo até virar a esquina.
Tirei a maldita sombrinha da camuflagem para facilitar minha movimentação e saí em desesperada corrida até em casa.
Cheguei encharcado dos pés a cabeça. Já na porta de entrada virei-me mostrando uma banana com os braços para as nuvens, entrei em casa completamente molhado, joguei a sombrinha a um canto e recebi uma puta bronca da minha mãe por estar todo molhado.
- A sombrinha não quis abrir, disse pra ela.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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