MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
UM CAVALO MORTO POR UMA BOLA ENSEBADA
Meu grande sonho, naquela época de guri era ter um cavalo. Mesmo que fosse um pangaré, mas que fosse só meu.
A nossa casa era humilde, mas tinha um quintal, quintal esse que era dividido entre plantas frutíferas, horta e um punhado de galináceos. A gente se espremia entre esses animais, as árvores e a horta para brincar. A meu ver, mesmo assim o quintal parecia grande demais e bem que poderia ser um pouco mais otimizado o seu espaço. Em meus projetos poderia ter ali uma cocheira e nele um corcel. Sonhos meus da época e nada mais, bem difíceis de serem realizados.
Como todo moleque que se preza também eu gostava de jogar futebol. Eu tinha uma bola, coisa rara na época e por conta disso sempre tinha lugar garantido em qualquer time da região. Eu era o possuidor da bola, seu guarda protetor e o seu consertador perene.
A bola era feita em couro curtido e por isso sua camada externa apresentava uma rijeza tal qual uma pedra. Toda semana ia ao açougue para comprar sebo. Derretia numa lata no fogão de casa aquela substância nojenta graxosa e consistente, encontrada nas vísceras abdominais dalguns quadrúpedes. A mãe sempre reclamava da carniça que se espalhava pela casa. Eu não ligava e já nem mais a escutava.
Com o sebo derretido e ainda quente passava na bola, deixando-a bem engordurada. Este cerimonial sempre era feito a fim de proteger principalmente os cordéis com que os gomos eram arduamente costurados.
Fiquei mestre na costura. Comprava barbante, mergulhava-o no sebo e em seguida trançava com três fios para criar assim um cordel com mais resistência. Tinha duas agulhas curvas com as quais praticava a arte de unir os gomos da bola pela costura. Coisa complicada aos olhos dos outros, mas que para mim era uma festa. Aprendi esta arte com seu Joaquim sapateiro que cansado de toda a semana ter que costurar a bola e nunca poder cobrar, me presenteou as agulhas e de lambuja me ensinou pacientemente a complicada arte de costurar os gomos da redonda que mais parecia um ovo. Assim estrategicamente se livrou de mim e da fedorenta bola.
A bola, embora com todos os cuidados e carinho que se tinha com ela sempre apresentava algum gomo despregado com a câmara sorrateiramente tentando escapar pela fresta dos cordéis arrebentados. O jogo era interrompido e a costura imediatamente iniciada. A gurizada agitada a minha volta tentando ajudar com mil palpites aguardavam o fim da operação. Não me recordo de nenhum jogo ou treino ter acabado de outra forma.
Aquela coisa chamada por nós de bola, por causa daquele sebo acumulado com terra deveria pesar alguns quilos e isto não permitia que ninguém desse os famosos balões. Sempre tinha um ou outro moleque com o dedão do pé quebrado e enfaixado apenas assistindo por algum tempo ao jogo. O jogo transcorria sempre com a bola deslizando loucamente rente ao chão de um lado ao outro. Evitava-se assim alguma cabeça quebrada.
Mesmo perigosa e complicada a bola era adorada e cercada de cuidado por toda a petizada.
Sempre quando eu a estava remendando era como se eu, como médico estivesse fazendo uma cirurgia complicada em alguém muito importante para cada um daqueles moleques. Ficavam em silêncio sepulcral, a minha volta e com a respiração controlada aguardando ansiosamente o meu “pronto pessoal... vamos lá” gritavam então felizes e aos pulos íamos jogar. Eu acredito que era a única bola disponível naquelas cercanias. Não era uma bola de meia recheada de panos velhos. Era uma bola de verdade, de couro e tinha até câmara para armazenar o ar. Não era bem esférica, pois a câmara tinha a aparência com uma bexiga de festa e tinha um bico de uns 20 centímetros por onde se enchia de ar com uma bomba para encher pneu de bicicleta – nem sei de quem era esta bomba, mas sempre estava presente. O processo era um pouco complicado. Enchia, amarrava bem apertado o enorme bico, empurrava para dentro da bola e amarrava a boca com cadarço de couro. Aquela boca arregaçada, violentamente escancarada para fora, parecendo lábios generosamente grandes querendo um beijo, dava um trabalho filho de uma puta tentando deixar a bola mais cilíndrica possível.
Por ser assim tão ovalada, quando batia no chão, no lado do bico todos ignoravam a direção que ela tomaria. Era esta a nossa gloriosa e bendita bola. Pertencia muito mais a turma do que a mim. Por certo eu era seu fiel guardador.
Certo dia, ao final de uma pelada eis que de repente vejo um moleque no lombo de um lindo alazão. Cheguei perto e pedi para dar uma volta.
- Quer trocar pela bola? Perguntou ele de cima daquela maravilha.
Não pensei muito e dei a bola a ele que ao pular do cavalo saiu em louca disparada desaparecendo na próxima esquina.
A molecada boquiaberta puta da vida querendo me bater gritavam:
- Você é um panaca... Veja a situação deste pangaré, está morrendo. Nós queremos a bola de volta. Sem a bola você não faz parte mais do nosso grupo.
A bem da verdade na hora eu estava achando que eles estavam é com inveja de mim. Não podendo ter um lindo cavalo como aquele faziam aquela arruaça infernal.
Isto era perto das 15 horas. Todo feliz amarei o meu lindo cavalo na cerca de balaústre da frente de casa e fui para dentro tentar arrumar as acomodações para o novo integrante da família. Cheguei até a cozinha para dar a notícia para minha mãe e eis que logo em seguida chega o meu pai com os sobrolhos fechados perguntando:
- O que é que aquele cavalo morto, amarrado na nossa cerca, atrapalhando a entrada do portão está fazendo lá?
Fiquei petrificado; não quis acreditar no que ouvia e respondi.
- É meu, mas não está morto não, deve apenas estar descansando.
- Deixa de ser burro, aquele animal sem dente e com todos os ossos aparecendo está morto; Trate de tirar da frente de casa aquele monte de ossos, completou irritado o meu pai.
Não querendo acreditar tratei de arrumar um balde com água e levar umas folhas verdes até a frente de casa para tratar do bicho.
Ainda bem que ninguém estava por perto. Pude então analisar a cagada que fiz. De fato aquele pangaré estava pedindo para morrer e encontrou um amigo que o acolheu. Encontrou uma cerca amiga que o amparou. Pensei na bola. Pensei no filho de uma puta que me fez de otário.
- Quem conhece o safado? Gritei para todos os lados, mas ninguém conhecia e ninguém sabia. Queria ir atrás tirar satisfação. Foi inútil. Alguns corvos já rondavam o lugar. Quis chorar. Quis passar a mão naquela coisa e acabei ficando com nojo. Pensei em pegar uma faca e tirar um pedaço de couro para fabricar uma bola.
- Alguém me ajuda? Gritei desesperado varias vezes, mas da mesma forma ninguém apareceu para me ajudar.
Pensei em fazer ali mesmo um buraco e enterrar o animal. Analisei e verifiquei que seria impossível realizar sozinho esta empreitada. Fui até onde meu pai trabalhava e pedi ao carroceiro da empresa para me dar uma mãozinha.
Ele chegou até em casa, viu aquela coisa amontoada não contendo o riso sarcasticamente falou:
- Quem foi o imbecil que amarrou este animal aqui?
- Não sei, respondi prontamente.
Amarramos a coisa pelas pernas traseiras e de arrasto levamos até mais para baixo, para sua última morada onde a erosão feita pela chuva criou uma enorme cratera. Enquanto o carroceiro ia indo embora fiz minhas orações finais encomendando a alma daquele miserável para um deus eqüino qualquer.
Arrumei na época com minha turma dois gravíssimos problemas. A bola que troquei pelo falecido animal e o local sagrado das brincadeiras de esconde-esconde que ficou ocupado pela carcaça fedorenta daquele animal nojento.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
UM SANTO MOLEQUE
O moleque que nunca cometeu uma asneira ou praticou uma peraltice malogrará por certo uma vida patusca e estará condenado ao ostracismo social e familiar. Não terá assunto para contar ou bosta nenhuma para mostrar aos outros. Será um inútil na família e um zé ninguém para seus netos.
Eu ainda estou na fase das peraltices e juntando letras para minhas narrativas. Sou moleque patusco, vivido e dos grandes. Vou ter muitas histórias para contar, disto tenho certeza.
Já passei, quando guri por muitas situações complicadas, mas sempre acabei me saindo bem. Nunca fui de colocar em risco a minha preciosa vida, mas muitas vezes criava circunstâncias que acabavam provocando perigo para alguém.
Depois de cumprida as tarefas caseiras e executado os deveres da escola lá ia eu para minhas caçadas armado de estilingue no pescoço e no bolso estufado de pelotas de barro de fabricação caseira. Uma estilingada aqui outra ali até o esvazio completo do bolso. Por sorte da passarinhada nunca fui bom de mira. Quebrei muitas vidraças e acertei muitas pessoas nas minhas estripulias de caçador incontrolável.
Um dia encantei-me com uma brincadeira nova.
Um moleque, o mais corajoso, o mais destemido, o mais suicida se embodocava dentro de um pneu e outro rodava, rodava e soltava em alguma ladeira. O embodocado girava, girava e quase sempre era arremessado para fora antes que o pneu se chocasse com uma cerca ou caísse violentamente numa valeta. Nunca tive coragem de embodocar, mas me divertia muito ver a coragem e o arremesso do moleque como se o pneu o tivesse vomitando.
Meu grande desejo passou a partir daí a de possuir um pneu.
Na minha época poucos carros existiam, meia dúzia no máximo e seus pneus eram fixos e desapareciam com eles em algum ferro velho. Não existia o borracheiro pelo que me lembro e o pneu velho era peça rara e de valor inestimável para a molecada. Quem tinha era o senhor absoluto da brincadeira e o mais respeitado dos moleques.
Um dia consegui um e dos grandes. O moleque me emprestou por alguns dias por um favor que eu tinha feito a ele resolvendo uma tarefa escolar de matemática muito complicada. O pneu chegou com a recomendação:
- Cuide bem dele e me devolva na próxima semana.
E eu imediatamente me dediquei de corpo e alma nesta aventura.
A rua tinha um leve declive que ia morrer na estrada que levava o pessoal até ao quartel da cavalaria. Era um lugar tranqüilo para minha aventura.
Fiz um pouco o rolamento do pneu na parte mais plana para me familiarizar com ele e me aventurei a embodocar. Com um pé para fora dei o impulso inicial, mas ele rodou alguns metros e rodeou fazendo uma circunferência caindo pesadamente no chão.
Assustado sai de dentro avaliando a cagada radical que estava fazendo.
Resolvi dar um tempo a mais para esta doida aventura.
Lá estava eu com o pneu novamente noutro dia treinando a brincadeira. Na bandagem com a mão dando o impulso corria atrás fazendo as manobras e controlando o seu percurso. Num certo momento o pneu numa bandalha filho de uma puta fez-me cair e aos poucos, pegando velocidade descia feliz a ladeira rumo à estrada.
Pareceu-me que o pneu tinha vida ao rir escancaradamente para mim dizendo:
- Venha me pegar seu moleque vadio! E rolava doido rua abaixo.
Era inútil a minha desembalada corrida para alcançá-lo; Ele ganhava distância e se aproximava perigosamente da estrada.
Imediatamente fiz o sinal da cruz quando meus olhos apavorados avistaram o caminhão que iniciava na estrada o cruzamento da rua. Escondi-me atrás de uma árvore.
O pneu cantarolando, rindo e gritando passando por uma pedra, deu um pulo e foi se chocar num estrondo danado contra a porta do caminhão.
O motorista assustado parou o caminhão para avaliar o que tinha acontecido e pegando o pneu gritava com toda a força de seus pulmões:
- Cadê o filho de uma puta que fez isto?
- Não sou eu a quem ele procura, pensei cá com meus botões, pois minha mãe é uma santa e não uma puta.
Tremia feito vara verde atrás daquela árvore assistindo este melo drama. Vi apavorado que o desgraçado recolhia o pneu na carroceria indo embora.
Passei alguns dias apavorados quase não saindo de casa, pois tinha que devolver um pneu que já não estava mais comigo, e me esconder da polícia que com certeza estaria chafurdando todas as casas e todos os cantos atrás de mim.
E finalmente Deus, na sua infinita misericórdia, para me proteger desta confusão danada, iluminou-me indicando um caminho como saída, e assim, naqueles dias conturbados fugi para o seminário.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
DEFUNTO ATROPELADO
Aquele dia o Padre convidou-me para ajudar a missa na comunidade perto da Ilha Bandeirantes no Rio Paraná. O patrimônio era singelo e de indescritível beleza.
Arrumei-me todo e fui com ele para o lugarejo. Fomos de Jeep. A estrada de terra arenosa em alguns lugares oferecia algum perigo fazendo o Jeep perder o equilíbrio dando algumas derrapadas. A velocidade máxima conseguida era de 40 quilômetros por hora. Levamos aproximadamente 3 horas.
Hoje não sei, mas naquele tempo a estrada era ladeada por densa floresta. Às vezes o medo nos assolava pelo rugido repentino da onça outras vezes o encantamento pelo cantar da passarada. Tudo era tão mágico tão inebriante.
Antes de chegar à localidade passamos por uma casa tosca a beira da estrada onde morava uma pobre e linda menina, de seus quinze anos. Dizia a lenda que era possuída por um espírito maligno. O Pe chegou e a menina incontinenti se escondeu no quarto gritando impropérios. O Pe em vão tentou conversar com ela. Inconformado com a situação, dizendo para os pais dela que ele não tinha o poder de tirar aquele espírito maligno fomos embora deixando para trás uma menina angustiada sabe lá por que raio de coisa.
Chegamos e o povo em festa nos esperava. A Igreja toda enfeitada. Muita gente circulando pelas barracas armadas para a festa do padroeiro. Apenas um acontecimento estava entristecendo o ambiente, uma pessoa importante tinha falecido na comunidade. O velório estava acontecendo na própria casa do defunto.
O padre me pediu para que fosse ate a casa do dito defunto para marcar presença enquanto ele se preparava para a missa.
Nunca gostei de freqüentar estes ambientes macabros, não por medo da morte, mas, muito mais pelo fato do lazarento defunto, de repente ressuscitar e por em polvorosa todo o recinto. Fiquei ali com o cú na mão.
A funesta hora não passava. Era gente que cantava uma maldita melodia sacra desafinadamente. Era gente que rezava o terço se arrastando melancolicamente pelas Ave-marias e o defunto ali quietinho, humildemente agüentando tudo.
O defunto estava na parte principal e central da sala tranquilamente acomodado dentro do seu caixão que perigosamente se equilibrado sobre dois cavaletes. O esquife estava com seus pés voltados para a porta de entrada. A sua volta estavam sentadas, em toscas cadeiras e bancos de madeira as rezadeiras e as carpideiras contratadas para chorar. E como choravam estas malditas velhas! Eu estava num canto da sala, perto da saída observando atentamente toda esta cena. Do lado da porta, encostado, atrapalhando a passagem dos curiosos que por ali obrigatoriamente tinham que transitar encontrava-se um homem, vestido de vaqueiro que soluçava constantemente, provavelmente por excesso de álcool e que, em pé ali desrespeitosamente aproveitava para tirar uma cochiladinha.
Entra gente, sai gente pulando por cima das pernas do maldito dorminhoco e de repente alguém, distraído olhando mais para o defunto, figura principal deste cenário tropica nos pés do bêbado filho de uma puta. e vai cair nos braços aflitos das rezadeiras. Tumulto geral e muitos ui ui ui das rezadeiras.
Nem mesmo isto fez o bêbado dorminhoco acordar, que feito um palanque foi escorregando, escorregando batendo nos pés do cavalete. O impacto dos pés do bêbado no cavalete foi o suficiente para que o defunto fosse perturbado e lançado de dentro do caixão violentamente ao chão. Só vi, apavorado o caixão todo arrebentado, flores por todos os lados e o miserável cadáver todo enrijecido de mãos postas no peito sorrindo para mim. Na confusão todos se lançaram porta à fora aos gritos de socorro. Eu, é claro estava no meio da galera sendo esmagado na porta estreita de saída.
Lá dentro ficaram abandonados estendidos no chão o bêbado, agora confortavelmente deitado dormindo e ao seu lado o infeliz defunto atropelado com enorme hematoma na testa.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
URINOU NO QUARTO DA NOIVA
A mulher, em todos os sentidos, sempre foi mais recatada, mais discreta, mais delicada que o homem, principalmente quando tem vontade de fazer xixi; Ela vai fazer xixi com elegância, como quem vai passear; Vai disfarçadamente a lugar reservado, e sempre pede a companhia de uma amiga. O homem, pelo contrário, já é mais relaxadão, é um brutamonte, é mais porcalhão; Se estiver com a bexiga para estourar desocupa a urina em qualquer lugar; Atrás de uma árvore, atrás de um carro, atrás de uma moita sempre serão lugares encantadores, apaixonantes para espumar a urina no chão. Vou contar o pecado, mas preservando a figura do pecador. Eram dois amigos inseparáveis. Quase irmãos. Um deles gostava de usufruir em demasia do líquido que os passarinhos se recusam a tomar. Um dia, para o casamento da filha do que sempre se mostrava sóbrio, o amigo bebum foi convidado, como não poderia ser de outra maneira. Ele foi e bebeu pra cacete. A festa se desenrolava solta e alegre na casa da noiva. Muitos convidados se cotovelavam pela sala, pelos quartos, cozinha e quintal. A noite já pintava tudo de negro. A lua cheia, lá no alto, permitia com seu brilhar que as pessoas não se trombassem no quintal. A casa era simples e de madeira. No quarto, na cama de casal, se amontoavam dezenas de presentes. O líquido estonteante, espumando nos copos, rolava solto. As mulheres faziam fila na única privada que existia na residência – era uma casinha em madeira lá no fundo do quintal. Os homens aliviavam-se por de trás da casa. O amigo do pai da noiva sentiu-se na obrigação, no elevado dever de dar conforto a seu esqueleto, e para aliviar sua bexiga começou a dura procura pelo lugar adequado. A mangueira que ele tem no meio das pernas, usada para esvaziar a urina, estava exageradamente endurecida causando certo constrangimento no mulherio presente, que fugiam em gritinhos de temor ou de saudade. Cambaleando, sem se preocupar com o vexame, procura o bêbado incessantemente um lugar adequado para se aliviar. Por fim ele abre uma porta. O lusco fusco do ambiente que se descortinou, misturado com o álcool que ele ingeriu, deu uma visão de uma linda e convidativa privada para o quarto repleto de presentes. Não teve dúvidas e começou com dificuldade abrir a braguilha. A noiva se retocava a um canto na penumbra, e quando viu aquele jumento acomodando, para o lado de fora da braguilha, seu instrumento urinário, pensou que seria estuprada antes do noivo. Quando ela percebeu que não era ela o objeto do desejo do bêbado, e sim o conforto que o atrás da porta trazia para ele, começou a gritar. O bêbado ouvindo os gritos pensou que fosse seu cacete dando à bronca, e com voz entrecortada diz: - Calma meu companheiro, já estou te aliviando! A urina corria, caudaloso rio, por debaixo da porta invadindo o corredor e tomando conta dos aposentos. A noiva aos gritos, fugindo do quarto escorrega naquela imundície e cai de prancha. O pai dela vem em seu socorro enquanto o povo pisando nas pontas dos pés tapava as narinas para evitar o forte cheiro de ureia. Quando o pai da noiva vê o bêbado saindo de trás da porta, pega-o pelo colarinho e espumando de raiva grita. - Seu porco imundo, veja o que você fez! O bêbado, quase caindo, babando, coloca a mão no ombro do amigo para não cair, e com voz conturbada diz: - Bonita festa meu amigo, quero beber para comemorar! POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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