terça-feira, 31 de maio de 2016

JURITI

Até prova em contrário, eu sei que toda criança gosta de animais. Um cachorro, um gato ou um pássaro são os mais comuns do afago interesse das crianças, e eu fiquei nesse comum, pois tive um cachorro como animal de estimação. Na realidade era uma linda cachorrinha vira lata. Juriti era o nome dela. Apareceu no portão lá de casa ainda pequenina, ganindo de fome e frio. Olhei confuso para ela, por entre as fendas das balaustres do portão, e ela olhou para mim com aquele olhar de súplica que só os cachorros sabem fazer, e eu acredito que isto foi amor à primeira vista. Catei-a do chão, enlaçando com meus braços acomodei-a no meu peito, e corri feliz, gritando, mostrar o achado para minha mãe. - Posso ficar com ele? Perguntei num misto de alegre e ansioso. Minha mãe pegou o animal de minha mão, olhou com cuidado virando-o de um lado para outro como que no desejo de descobrir algo, falou: - Não é ele, é ela. - Como é que minha mãe consegue descobrir o sexo dos animais? Pensei admirado, naquele momento. Minha mãe é maravilhosa e competente nisso, ela sabe se é galo ou galinha, se é boi ou vaca, se é cabrita ou bode, se é cavalo ou égua. Quando guri, muitas vezes quis perguntar o segredo disso tudo a ela, mas me contentava simplesmente em acreditar. Ela falou, está falado! - Eu acho que seu pai não vai gostar, completou ela. Depois de muitos “deixa me ficar com ela”, “deixa me ficar com ela”, a Juriti finalmente foi adotada pela família. Foi uma festa geral. Foi crescendo rápida e sapeca, mas morava no quintal, amarrada a uma cordinha para cuidar da casa. Já adulta sua raça lembrava um pouco de Collie. Tinha uma pelagem média mesclada em branco e marrom que dava a ela uma aparência agradável. A mãe dela deveria ser uma cadela com pedigree, que com certeza, andou em más companhias, de vira latas vadios e sarnentos. Desta vadiagem toda nasceu a Juriti que por certo foi abandonada por aí, e veio parar no portão de casa. Eu acho que a Juriti nunca se importou muito com isto, em casa ela era bem tratada e parecia muito feliz. Eu e Juriti nos dávamos muito bem. Ela era um grude, pois onde eu estava, lá ela queria estar também. Latia, mordia meu calcanhar, lambia meus pés. Ela era toda festa. Era a companheira dos meus folguedos em casa e na rua. Gostava de sair, quando eu saia para brincar. Lembro-me perfeitamente como ela toda alegre, presa àquela corda, olhava para mim e de seu rabo em movimento quase gerando um tufão, quando de manhã eu levantava para ir buscar o leite na chácara. Era um bom trecho a ser percorrido. Soltava-a da cordinha e lá íamos nós, eu assoviando e ela latindo, em desembalada correria. Ela cheirava os postes, corria afoita e inutilmente atrás de borboletas e de passarinhos, tal qual uma doidivanas latia feliz para coisa alguma. E eu me divertia com isto. Pelo caminho, muitas vezes além das borboletas e passarinhos cruzavam vadios cachorros enormes e ela com medo se enroscava medrosa em minhas pernas pedindo meu colo. Nem sempre as coisas boas duram para sempre. Uma noite, nossa família foi acordada por um barulho infernal de briga entre cães dentro de nosso quintal. Tarados cachorros, vadios vira-latas, aos milhares deles quebraram o portão e atacaram a inofensiva, pura e virgem Juriti dentro de nosso quintal. O que vi naquela noite foi alarmante. Meu pai aos berros conseguiu com pedaços de paus e pedras afugentar aqueles miseráveis, mas apenas um deles permaneceu e nele, engatada estava a Juriti. Meu pai sentenciou: - Não podemos ficar com esta cachorra aqui em casa. Voltei para cama e triste quase não consegui dormir. Levantei-me de manhã para fazer a minha tarefa de buscar o leite e não encontrei, como de costume, me esperando no quintal a cachorrinha que tanto amava. Chamei-a em vão. Fui, então sem assoviar e sem correr, cabisbaixo buscar o leite. As borboletas e passarinhos pelo caminho voavam desnorteados procurando pela Juriti. Até os vira latas, ao cruzarem por mim, ladrando perguntaram pela medrosa cachorrinha. - Talvez, engatada tenha, aquele miserável cachorro, levado-a de arrasto para outro quintal. Pensei muitas vezes isto. Procurei-a em vão por muitos lugares e por muitos dias. O tempo passou, dois anos talvez, mas a imagem alegre da Juriti nunca me saiu da cabeça. Abatia-me uma tristeza infinda quando de manhã, ao ir buscar o leite não a encontrava ali toda faceira e alegre me esperando. Certa vez, quase ao romper da madrugada ao passar por uma viela mal iluminada, como numa visão maravilhosa vejo uma cadelinha, magra, maltratada, com as tetas grandes que pelo seu porte e pelagem em cores branco e marrom lembrava a minha cachorrinha. Meu coração acelerou. Não me contive, parei e chamei: - Juriti! Aquela cachorra parou de chofre de remover o lixo, virou-se para mim, fez menção de abanar o rabo e com olhar lânguido e triste caminhou cabisbaixa até perder-se na escuridão. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

segunda-feira, 7 de março de 2016

EU AMO TODAS AS MULHERES

Eu amo as mulheres... Todas elas, sejam elas Magras, gordas, altas ou baixinhas, Eu amo perdidamente As mulheres loiras, As morenas, As ruivas, As negras, Eu amo as mulheres de todas as raças... Eu amo as virgens, As professoras, As viuvas. as secretárias, Eu amo as médicas, as de todas as profissões. Eu amo as que são mães, Aquelas que ainda não são... Aquelas que adotam seus filhos Aquelas que trabalham, Eu amo perdidamente todas as mulheres Na figura de minha mãe, de minhas irmãs, Na beleza graciosa de minha filha Na lindeza estonteante de minha esposa, Amo incondicionalmente minhas cunhadas, Minhas primas... Eu amo minhas noras como se fossem minhas filhas, Minhas sobrinhas e minhas netinhas. Eu amo todas as mulheres na figura de eternas meninas. Parabens a cada uma, e um abraço perdido de amor. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

domingo, 21 de fevereiro de 2016

ILHA DO MEL

VIAGEM A ILHA DO MEL Mario dos Santos Lima Fevereiro de 2008 A galera resolveu fazer um final de semana de relaxamento na Ilha do Mel, mas antes vamos conhecer um pouco este lugar. A Ilha do Mel é uma ilha brasileira situada na embocadura da Baia de Paranaguá. Segundo alguns historiadores a Ilha do mel teve alguns nomes e a origem de seu nome, segundo a lenda pode ter vindo de uma das quatro vertentes: 1) Até a segunda guerra mundial a ilha era chamada de Almirante Mehl que morava lá e se dedicava a cultura do mel; 2) Pode ter sido porque moravam na ilha muitos marinheiros aposentados que se dedicavam a exploração e cultura da apicultura isto até os anos 60. Chegaram até exportar o mel. 3) Não sei se vocês perceberam aquela água amarelada escura escorrendo antes de chegar ao mar, alguém até sugeriu que era merda em esgoto a céu aberto, pois é minha gente, não é merda não; A água doce da ilha contém mercúrio que em contato com a água salgada causa a coloração amarelada semelhante à cor de favos de mel; 4) Também a origem do nome pode ser bem antiga pelo fato dos antigos moradores, os índios carijós apreciarem o mel e explorarem a apicultura. Bem pessoal, pesquisei e estou dando quatro alternativas para a origem do nome da Ilha do Mel. Pesquisando um pouco mais sobre a ilha vou viajar com a colunista Fernanda Preto que descreveu numa reportagem um pouco da história da Ilha do Mel, localizada no litoral no Paraná. Ela dá dicas dos principais pontos para fotografar e para passear. Diz ela que conhecer a Ilha do Mel é um grande privilégio, pois é um pedacinho do mundo onde é possível relaxar aproveitando as belezas naturais de um lugar acolhedor. Isto eu concordo em gênero e número com ela. A Ilha do Mel é o xodó dos Paranaenses, já foi lugar de hippies nos anos 70 e hoje é lugar de quem busca além de praias, a Mata Atlântica ainda preservada, pois é também uma estação ecológica desde 1982. Para o visitante que chega à ilha são distribuídas máscaras contra fumaça e gás para aquele que se atreve a caminhar à noite adentro por entre as trilhas para que na volta não seja surpreendido e preso por estar ligadão. A neblina que muitas vezes aparece à noite não é neblina não, é a concentração da fumaça provocada pelas folhas e inflorescências dessecadas, trituradas e enroladas em forma de papelotes de cigarro da maconha. Entre caminhadas na praia, na restinga e banhos de mar, a Ilha também permite a prática da escalada esportiva assim como, boulder, um tipo de escalada de até 6 metros de altura sem o uso de corda. No local há rochas muito antigas, da idade Pré-Cambriana, e formações arenosas muito recentes. Hoje afloram nos morros devido à ação da erosão que continuamente remove as camadas superficiais da crosta. Não se recomenda o uso de chinelos para estes passeios principalmente no Morro do Sabão. Na Praia de Encantadas, onde mora a maioria das pessoas, estão as escaladas no Morro do Careca, no Mar de Fora, na Praia do Miguel, na Praia da Bica. É também onde fica a Gruta das Encantadas, e diz a lenda que mulheres de beleza sedutora e de bela voz, encantavam os visitantes que, caminhando pela praia, aproximavam-se da gruta e desapareciam misteriosamente. A bem da verdade, pesquisando apontamentos antigos dos índios Carijós fiquei sabendo que ali era a zona de meretrício deles. Como os deuses proibiam terminantemente o sexo foi única maneira que encontraram de dar umas metidinhas escondidos destes deuses boiolas e doidos. A gruta no começo era apenas um buraquinho, mas com os gritinhos das índias na hora do orgasmo as rochas foram se soltando dando a profundidade e altura que tem hoje. Eu entrei dentro e pude perceber que a caixa acústica da gruta e muito boa e ainda se ouve, se você ficar atento os gritos das índias. Outro atrativo é a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres do século XVIII, na Praia do Forte, que foi construída em 1766. “A Fortaleza marcou a história da colonização paranaense pelo litoral, e também durante a Segunda Guerra Mundial quando se tornou a sentinela de vigilância contra submarinos que pretendessem invadir as águas de Paranaguá”, diz o site da ilha. A Fortaleza é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, mas quem visita pode ver a falta de preservação. O Forte fica no Morro da Baleia. O forte tem: uma casa de guarda; prisões e paiol de pólvora. O local hoje é bem usado pelos caras que vão lá só para esvaziar o tubo digestivo. Os canhões vergonhosamente foram usados duas vezes apenas. A primeira, em 1850 contra o Navio de Guerra Inglês comandado pelo Cormorant que veio aprisionar Navios Negreiros brasileiro no porto de Paranaguá. A segunda em 1894 durante a revolução federalista. Os navios dos federalistas passaram com os marinheiros na maior alegria e mostrando bananas ao pessoal do forte, pois as balas não chegavam até eles. Tomaram Paranaguá por quatro meses e foderam com a cidade. Em 1945 a ilha foi considerada Zona de Guerra, entenda-se de guerra e não de meretrício, mas a bem da verdade foderam com o pessoal da ilha, pois botaram todos para correr para fora dela, índios e não índios confiscando suas propriedades. Foi uma tristeza enorme ver aqueles índios todos, em pranto perderem suas tabas e ocas incendiadas pelos soldados. O Governo colocou no oco deles e proibiu que a rede globo fizesse a cobertura. Instalaram os canhões e trincheiras de pedras no alto do Morro da Baleia. Os índios e gente humilde que não quiseram abandonar a ilha foram usados como bucha de canhão. O Farol da Concha, no lado de Brasília, orienta desde 1872 os navegantes na Baía de Paranaguá. A vista é maravilhosa, principalmente na lua cheia, quando se pode se ver a Serra do Mar, a planície costeira, e o barulho calmo das ondas batendo nas paredes rochosas, e também casais de namorados em juras de amor e na maior sacanagem. A ilha tem quatro agrupamentos de almas: Nova Brasília; Farol; Forte que o pessoal chama de Fortaleza e o agrupamento das Encantadas. Existe uma lei, não sei de quem ou qual o seu número determinando que todos os navios com destino a Paranaguá devem passar pelo Forte – por certo para justificar a sua construção ali, mas os navios teimam em passar pelo Farol das Conchas atrapalhando a passagem dos barcos que levam o pessoal para a ilha. Foi aprovado uma lei para a instalação de um aeroporto moderníssimo na Ilha e também um grupo já comprou um terreno para a construção de um mega shopping. Para a iluminação total da ilha estão pensando num reator igual a que existe em Angra. Bem, agora que conhecemos com detalhes onde acomodaremos o nosso esqueleto vamos à narrativa de nossa epopéia. A Fran organizou tudo marcando para que a galera se encontrasse às 6 horas da manhã na frente do Jardim Botânico. Eu e Irene, com muito custo para tirá-la da cama marcamos presença pontualmente às 6 horas conforme combinado. Aportando com alguns minutos de atraso chegou Sérgio, Nena, Meyre, Marcos e Gabi. Toda sem jeito, com quase 10 minutos além do combinado chega Fran, Tiago, Luzia, Ubirajara, Irene, Amanda e Bruna. O Jean, Fábio e Thiago aportaram no portão principal do Botânico trazido pelos pais. A Sara, Milton, Bruna e Leandro combinaram que iriam sair de frente da Coca Cola. Só estava faltando a Hedilaine e André. O Tempo estava fresquinho e exigiu dos mais friorentos algum agasalho. O sino de algum campanário por perto anunciando o horário da missa fez com que conferíssemos o relógio. Puta que pariu, sete horas e a Hedilaine não tinha chegado ainda. Como a paciência se esgotou descemos a serra numa desembalada corrida para chegar a tempo de pegar o barco para a travessia. Chegamos na Vila das Encantadas as 9 horas e 30 minutos. A Hedilaine e André, todos sem jeito, desalinhados, despenteados chegaram a Ilha às 11 horas com a desculpa de que tinham dormido demais. Fui até a Lan House da Ilha e descobri o que verdadeiramente aconteceu com os dois. Levantaram às 4 da manhã para atender uma paranóia da Hedilaine. Ela tinha um sonho: - Dar uminha no elevador. Foi o que fizeram. Entraram no elevador, interromperam o funcionamento de energia para as escuras poder praticar o ato libidinoso, mas não contavam com a presença de uma velhinha puritana que aos berros chamou o síndico que imediatamente acionou a polícia. Foram presos e por serem réus primários liberados de imediato. A polícia, comovida com o choro da Hedilaine trouxe os dois de viatura até Pontal do Sul para que pegassem o barco. - Vamos fazer uma caminhadinha pela ilha? Convidou o Sérgio. Estávamos em jejum, mas fomos mesmo assim. Ele não avisou que era preciso levar comida e água. Fui de mãos abanando e de chinelo nos pés. Saímos de Encantadas às 11 horas e 10 minutos. Pegamos uma trilha desviando da Gruta e fomos sair na Praia de Fora. Lá o Sergio tirou a roupa e quase desnudo foi tomar banho. Entrou e logo saiu porque não encontrou nenhum adepto. Seguimos para o Pontal de Nhá Pina e subimos o Morro do Sabão. Estava de chinelo e foi uma loucura fazer esta travessia. Fiquei com a bunda suja de tantos os tombos e escorregões que levei. Na Praia do Miguel paramos para um banho. A caminhada já estava para mais de 2 horas quando passando por uma trilha, perto do Morro do Meio, com uma fome lazarenta o cheiro de pães sendo desenfornados fez toda a turma em desembalada corrida ir até o local. A dona da pousada além de negar dar qualquer fatia de pão aos famintos pedintes, chamou a polícia e soltou os cães. Tínhamos duas alternativas ou enfrentar a polícia e matar os cães para assaltar a panificadora da Pousada ou sair correndo. Optamos pela segunda numa retirada rápida em meio aos xingamentos: - Suas vacas filhas de umas putas, a gente só queria uma fatia de pão. Enfiem todos estes pães na bunda, concluímos nós em coro e correndo. – A noite nós vamos vir aqui para acerto de contas, ainda concluiu o Sergio. Passamos pelas pedras do Morro do Meio e paramos na Praia Grande para um saudável banho de mar. Seguimos adiante contornando a Ponta do Joaquim e aproveitamos para mais um banho na Praia de Fora. Descansados subimos com a língua de fora o Morro das Conchas para visitar o Farol. A vista de lá é maravilhosa. Descemos e aproveitamos para mais um banho na praia do Farol. Os meninos Jean, Fábio e Tiago reclamavam o tempo todo da falta de mulher na ilha; Tentaram atacar três velhinhas que tomavam sol com as tetas de fora mas elas deram um fora neles. O André de agasalho completo e tênis foi arrastado pelo Sérgio, Marcos, Nena, Meyre e Irene para dentro da água e aos berros falava: - Deixe-me, deixe-me dizia André para a turba o que direi para minha querida Hedilaine?. E foi impiedosamente arrastado mesmo assim. O menino acabou gostando tanto da água que não mais quis sair. Refeitos seguimos até o povoado de Nova Brasília. O barco Paraíso nos esperava. Para nós aquilo não era um barco e sim um iate – enorme, confortável e lindo. Quando chegamos até a Ilha viemos de Pontal num barco bem precário prestes a naufragar e ao cruzar com uma galera num barco chamado Diretoria saudamo-los com as mãos agitadamente e os bostas simplesmente nos ignoraram. O Paraíso nos deu outro status, pois na travessia de Brasília para Encantadas ao cruzar os mesmos indivíduos não foi preciso suplicar saudações, pois aqueles merdas só faltaram saltar da embarcação para vir beijar os nossos pés. A noite chegou sorumbática com o piar agonizante das corujas. O Sérgio, já um tanto skollizado chamou toda a galera e muito alterado disse: - Vamos até aquela panificadora e dar um corretivo naquelas velhas sovinas e mesquinhas? Todo muito concordou e assim de paus, facas, espetos e garfos rumamos sendo aos poucos engolidos pelas trilhas da ilha. Cercamos o local e com frase do dia – Queremos pão fresco suas frescas, fomos gentilmente atendidos pelas velhas que suando, brancas e tremendo de medo iniciaram e terminaram o processo da fabricação de gostosos pães. Fartamo-nos e fomos tomar um banho na Praia do Miguel. O Sérgio mais pra lá do que pra cá dava aulas de geografia, enrolando toda a língua e se apoiando na Nena. - Vocês estão vendo aquelas luzes lá adiante, apontava com dificuldade para o alto mar, lá é Paranaguá concluía ele. - Meu Nego, Paranaguá fica do outro lado, dizia a Nena apoiando o Sergio para ele não cair. Aquelas luzes estão em movimento e são dos navios que irão para a baia. - Nena, você não entende mesmo nada de ciência, falava o Sérgio mais cuspindo do que falando. A terra não é redonda? Então, aquelas luzes que parecem em movimento não estão em movimento e é Paranaguá. O André, Tiago, Marcos e Milton fizeram uma maca e transportaram o Sérgio até a Pousada que resmungava o tempo todo: - Vocês não acreditam mas lá é Paranaguá. O Sérgio teve que ficar amarrado na cama para que tio Milton e Sara preparassem o gostoso churrasco da noite. No dia seguinte um passeio com toda a turma até a gruta encantada para dentro da caverna conferir os gritinhos sensuais das índias carijós. O almoço foi tipicamente francês. À tarde, em altas lamentações tal qual no Horto das Oliveiras ou na Salve Rainha o povo derramava lágrimas aos montões, quase inundando a Ilha. Foi uma tristeza só ver aquela gente toda arrumando as malas. A noite chegava rápida trazendo uma chuvinha chata já quando todos nós acomodados estávamos no Iate Paraíso. O Iate se afastava veloz dançando alegremente ao sabor das ondas. Em bandos, em revoadas rasantes as gaivotas retornavam aos seus ninhos. Aos poucos, as luzes da Ilha iam se esmaecendo deixando para traz uma vontade louca de voltar. Inutilmente aos prantos, no convés os olhos fixos nas luzes da Ilha. POR MARIO DOS SANTOS LIMA

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CARIDADE

CARIDADE Pessoal estamos precisando de ajuda. Temos 150 famílias e só temos 80 cestas básicas até agora. Ganhamos bastante brinquedos mas está faltando os papeis para presente. VAMOS FAZER ESTA GENTE FELIZ NESTE NATAL!... CONTATO VERA TEL 3366 1069 RUA MARIAN TADEUSZ LASLOWSKI, 4 - CAJURU - CURITIBA