domingo, 12 de janeiro de 2014

MEU PAI É FODÃO!

- Meritíssimo, o criminoso não sou eu, é o cara ali! Todo cuidado é pouco, ao falar alguma coisa a seus filhos! A criança, até os sete anos acredita nas fantasias. Não existe muita diferença do que é verdadeiro e do que é ficção para elas. O papai Noel, o coelhinho da páscoa são ficções lindas que para as crianças, com o passar do tempo, vão perdendo a essência, na descoberta da realidade nua e crua. Para os pequenos, os pais são seus principais heróis. Nada é mais importante para eles. Ninguém é mais forte que o pai e nem mais linda que a mãe. Minha neta Vitória, com cinco anos, acabou colocando em xeque mate seus pais. Foi assim: Certo dia, meu filho chegou a casa, e foi acomodar as compras e as verduras na geladeira. Tinha comprado uma pedra de gelo, para deixar a loirinha no isopor mais saborosa. Resolveu triturar o gelo. Pensou numa maneira mais conveniente e fácil. Colocou a pedra num saco plástico, e começou jogando-a de encontro à parede. Barulho daqui, pancada dali, a Vitória chega curiosa e assustada perguntando: - Pai, o que você está fazendo? - Estou quebrando o gelo. - E o pai tá conseguindo? - Estou sim, minha filha, e completa: - Não está vendo que o pai é fodão? Alguns dias depois, a Vitória não volta para casa, e em seu lugar veio a polícia infante juvenil acompanhada da assistência social portando uma ordem de prisão. Meu filho foi algemado e a Flávia desesperada, acompanha gritando por socorro. - Cadê minha filha? Por que estão prendendo meu marido? As lamúrias dela perderam-se inúteis, em tom de chacota, pelos ouvidos mocos dos miseráveis policiais. Meu filho foi posto, frente a frente, a um vetusto e severo juiz. Na sua longa toga, parecendo um urubu faminto, o idoso magistrado, ajeitando os óculos para melhor enxergar pergunta ao policial: - Por que você bateu na sua mulher? O policial chega mais perto da mesa e cochicha ao juiz: - Meritíssimo, o criminoso não sou eu, é este daqui. O Juiz, desconsertado, pigarreia e formula a mesma pergunta ao meu filho. Meu filho nervoso grita ao juiz: - Vossa excelência está maluca! Eu nunca bati em ninguém! E continuou: - Quero uma explicação por esta prisão, e quero também saber onde está minha filha. - Sua filha está recolhida numa clínica psicológica, e você vai perder o pátrio poder. A Flávia, aos gritos suplicava: - Quero minha filha! Quero uma explicação. A sala se manifestou ruidosamente exigindo: - Explica! Explica! - Silêncio no recinto! Interpelou o juiz. - Então vou explicar, rendeu-se o homem da lei. Solenemente o magistrado inicia a história: - Recebi uma denúncia gravíssima da escola que frequenta sua filha. A diretora relatou-me que, além de quebrar tudo em casa, você disse para sua filha que é fodão mesmo. O juiz olhou sarcástico para meu filho e perguntou: - Tem alguma coisa em sua defesa? O meu filho e Flávia se entreolharam e aliviados caíram na gargalhada. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

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