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domingo, 6 de abril de 2014
O MISTERIOSO INCÊNDIO
Segundo os entendidos da arte de fazer fogo, um incêndio é uma ocorrência de labaredas rebeldes que querem foder com tudo e com todos. O fogo se apresenta como um elemento que é quente para caralho, e que louco, descontrolado, pode ser extremamente perigoso para os seres vivos respirantes, para as plantas e para as moradias.
Da mesma forma que o diabo tem medo da cruz o fogo se urina todo de medo da água.
Certa feita o corpo de bombeiros foi à casa da Isa para fiscalizar as condições da moradia, e aplicou uma tremenda multa porque viu lá soltas as putas labaredas por toda a casa.
Só o bombeiro consegue ver estas coisas porque usa óculos especiais.
- Dona Isa! Disse educadamente o bombeiro entregando a multa, pausadamente continuando:
- Pode acontecer um incêndio na sua casa, e isso vai ser uma tremenda de uma merda porque irá acabar com nossa folga e o nosso sossego!
- Mas... Quis interromper a Isa
- Não tem, mas nem menos! Pague a multa, e elimine os quatro capetinhas que estão por aí.
- Que capetas são estes? Não vejo nenhum!
- O prefeito pediu apenas para vir aqui e multar. O bombeiro, dizendo isso, virou-se e se mandou.
- Filho de uma puta desse bombeiro que veio só para colocar os capetas aqui em casa! Mas que capetas são estes que não vejo nenhum?
- Mário, quais são os quatro capetas que podem botar fogo aqui em casa?
O Mário, depois de um tempo pensativo, olhou preocupado para a Isa, botou a mão na testa dela e disse:
- Não sei não, pergunte para sua filha!
- Fer, que merda de capetas podem botar fogo aqui em casa?
- Quem é que disse isso mãe?
- O filho de uma puta do bombeiro! Ele disse que tem quatro capetas aqui, e por isso me multou.
- Mãe, na realidade o bombeiro é meio abobado ou então achou a senhora meio abobada, e por isso falou dessa forma.
- Abobado é o cu da mãe dele.
- Mãe, na realidade são as quatro formas de propagação do fogo.
- Ah! Disse a Isa fazendo de conta que entendeu.
O dia transcorreu calmamente, mas os malditos capetinhas ficaram peraltas martelando a cabeça dela o tempo todo.
A mortalha anoiteceu, e ela foi dormir com os quatro diabinhos soltos na cachola.
Sonhou tormentos, e sonhou que estava no inferno e por isso desesperada gritou:
- Senhor capeta, poderia ligar o ar condicionado para mim?
E o capeta ria gargalhadas na cara da Isa.
Naquele momento o calor estava infernal! E a Isa, feito doida continuava gritando!
- Puta que os pariu como é quente aqui no inferno! Quero sair! Alguém me tira daqui!
E o fogo encanzinado já lambia tarado os cambitos da Isa queimando os cobertores que a cobria.
- Seu diabo, por favor, ligue o ventilador! Eu sou a ex-primeira dama! Gritava desesperada se debatendo a Isa.
E os quatro capetas, a mando do diabo maior, lambiam vorazmente tudo – o forro, os armários, colchões, cobertores e as pernas da Isa.
- Socorro, socorro, alguém me tire desse inferno!
De repente, alguém entra no quarto estapeando violentamente a Isa:
- Acorda mulher, acorda! O fogo dominou toda casa, e vai te queimar!
Um jato de água na cama, de uma mangueira qualquer, amainou um pouco o fogo acordando de vez a Isa, que aos gritos saiu toda chapiscada no colo dos vizinhos.
Enquanto as labaredas, numa dança macabra, lambiam o céu, lá nos fundos do quintal alguém furtivamente fugia pulando o muro.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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