sábado, 17 de janeiro de 2015

LINDA HISTÓRIA DE AMOR

O amor por si só é um estado de alma em que dois seres se entrelaçam em sentimentos mil, em longos pensamentos, se abrigam felizes no aconchego das palavras para, numa magia do espaço e do tempo, finalmente se encontrarem e viverem felizes por momentos. O passado é o instante que já não existe mais, mas se foi bem vivido, retornar a ele faz um bem danado. Meu pai estava todo recordação, e desta forma aproveitei a oportunidade para perguntar: - Meu querido pai, gostaria de saber como foi, e onde foi o início de seu namoro com nossa mãe. Embora esteja fazendo algum tempo que minha mãe já não mais pertença a este mundo, meu pai precisou de uma boa respiração, um longo fechar de olhos para então narrar o que solicitei. Rabisco aqui com minhas palavras o que escutei dele. - Sua mãe morava na Água Azul (1) onde o sogro tinha uma serraria. Eu morava no Lageadinho (2), completou ele. Deu uma paradinha, pigarreou um pouco, e com um leve, mas não disfarçado sorriso no canto da boca continuou. - Meu sogro gostava de organizar uns bailes, ou na casa dele ou então na escolinha. Meu pai, com um ar maroto diz. - Eu sempre ia lá, e algumas vezes até dancei com a Marina. Bailes bons aqueles! Relembrou saudoso. Marina era o apelido carinhoso de minha mãe. Agora um pouco mais sério, e com um franzir de sobrolho continuou: - Eu estava ainda incorporado no 1º Batalhão de Sapadores fazendo o curso para cabo em Itaiópolis. Tinha desmanchado o meu noivado com a Gertrudes e estava livre e desimpedido. Parou um pouco para organizar o assunto. - Com mais frequência, nas minhas folgas, comecei a ir aos bailes do pai dela. Com uma satisfação enorme prosseguiu a narrativa: - Um dia, ao entrar no baile, a Marina estava de porteira. Apertou minha mão demoradamente perguntando-me se ainda era noivo. - Não, não sou mais. Uma pequena pausa, e deu seguimento a prosa. - Ela apertou mais forte ainda minha mão, e eu senti uma sensação muito boa, inexplicável que percorreu todo meu ser. - E daí, o que aconteceu? Perguntei curioso para ele. - No final do baile, ela segredou para mim que iria dia 20 de janeiro na festa de São Sebastião na Vargem Grande (3). - Mas como foi este encontro com minha mãe se você estava incorporado ainda? Perguntei para ele. - Consegui uma licença, e vim até a Vargem Grande no dia da festa. - Ela já estava lá? Perguntei. - Não, não estava; Chegou depois. Franziu a testa, organizou seus pensamentos e prosseguiu: - O dia estava bonito! Muita gente nas suas fatiotas domingueiras, buliçosas, passeando, de um lado a outro, festejando sem parar. O foguetório era intenso, e eu alheio a tudo aquilo tão somente com o pensamento na Marina. Busquei-a ansioso por todos os cantos, e já estava ficando aflito, um tanto contristado, pensando que ela não viria mais. - Mas e daí? Interrompi. Ele sorriu para mim, e com olhos brilhando intensamente concluiu: - Sua beleza era inconfundível. Mais adiante, no meio da multidão eu a vejo ansiosamente buscando por alguém. Ela me vê, fica imóvel por instante, sorri feliz e vem correndo ao meu encontro. Meu pai parou um pouco a narrativa para tomar um fôlego e organizar seus pensamentos. - E como foi a conversa? Perguntei aflito. - Eu, um pouco nervoso indaguei para ela se aceitaria namorar comigo. Vi seus olhos lindos azuis brilharem, e num rompante respondeu-me que sim. - E aí então começou oficialmente o seu namoro com nossa mãe? Perguntei. - Sim, respondeu-me ele todo faceiro. Parou um pouco e continuou. - Foi o início de nosso namoro, e de nossos setenta anos de amorosa convivência. E um pouco triste, com um olhar perdido no espaço, completou: - Eu tenho muita saudade dela meu filho! O tempo passou muito depressa para nós! Parece que foi ontem! Vi algumas lágrimas em seu rosto, e num abraço demorado eu segredei em seu ouvido: - Eu também meu pai, eu também tenho muita saudade de minha mãezinha, a linda menina dos olhos azuis. Nota (1) (2) e (3) Patrimônios pertencentes a São Mateus do Sul POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

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