sábado, 7 de fevereiro de 2015

CARIDADE

Das muitas histórias que meu pai me contou, escolhi esta para escrever. Caridade sempre foi entendida como o amor ao próximo, benevolência, ajuda humanitária. Muitas vezes a caridade não é acompanhada de uma prática altruísta. Meu pai sempre foi um abnegado e comprometido com trabalhos junto aos Vicentinos, e por isso tenho dele o exemplo a seguir do amor, afeto com que tratava seus semelhantes carentes. Ele não tinha muitos recursos financeiros, mas usava de sua habilidade especial para se acercar e pedir ajuda daqueles que dispunham de melhor posse, ou daqueles que de uma forma ou outra conciliavam alguns momento para prestar ajuda humanitária. Uma vez, isto lá pelos idos dos anos cinquenta, seus amigos vicentinos chegaram até meu pai e disseram: - Seu Chico, tem uma família em condições de miséria; a mulher se encontra enferma, e sem condições de se locomover. Meu pai, tranquilamente perguntou: - O que deveremos fazer? - Pegar o dinheiro do caixa da Sociedade, e pagar um médico para ir urgente até lá! Meu pai olhou para eles e de imediato disse. - Não, não vamos precisar do dinheiro dos Vicentinos, vamos até ao hospital e conversar com o médico para atender esta família. E então os dois amigos do meu pai disseram: - Eles não irão! - Como não irão? Perguntou meu pai. - São médicos recém-formados, e estão há pouco tempo aqui no hospital, e precisam ganhar o seu dinheiro. - Vamos lá pedir uma caridade para um deles, completou meu pai. A confiança no sucesso da empreitada era tanta que deixou os dois amigos de meu pai completamente entusiasmados. Chegaram ao hospital. Meu pai entrou na frente seguido dos outros dois apoiadores. - Preciso falar com o médico de plantão! Solicitou meu pai a secretária. Não demorou muito e ao invés de um vieram dois médicos. - Sim! Interpelou um deles. Meu pai então de pronto contou a história da família carente acrescentando: - O Doutor poderia prestar uma caridade a esta família em nome de São Vicente de Paula? O médico, um tanto desconcertado com a súplica olha para seu colega de profissão e diz. - Nós vamos sim fazer esta caridade. - Meu pai e seus dois amigos ficaram tocados pelo fato de ao invés de um, seriam dois os que iriam atender a família. Meu pai todo satisfeito então diz: - vou então chamar o charreteiro para nos levar. - Não, não é preciso, vamos com o nosso carro. E se fez com sucesso o atendimento àquela família. Os amigos vicentinos após o atendimento dos médicos perguntaram ao meu pai: - Como é que você consegue com tanta facilidade o préstimo das pessoas? Meu pai então disse: Quando você invoca com fé uma caridade em nome de São Vicente de Paula, não é você que eles veem, e sim o Santo transfigurado implorando ajuda, desta forma tudo fica mais fácil. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

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