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terça-feira, 6 de março de 2018
ADEUS A SERESTA - UM TRIBUTO AO LEONICEO
A noite estava tácita. Uma saudade infinda renascia em cada coração ao toque mágico de um violão distante. De repente uma voz e um violão. Aquela voz de sempre, quase que rouca e cansada de uma alma solitária impregnava o ar de uma melodia sublime que se fazia ouvir atenta aos corações apaixonados. Todas as noites era o mesmo sentimento, a mesma paixão da música dedilhada numa cantilena dorida que se perdia além, muito alem. Mas... Nesta noite foi diferente; quem o ouviu, sentiu apreensivo por certo, como se fosse um triste recado, como se fosse o derradeiro adeus; como se fosse uma despedida.
As notas se desprendiam das cordas do violão como lágrimas incontidas. Sua voz melodiosa e chorosa buscava o último alento se perdendo assim na imensidão da noite.
A madrugada viera um pouco fria encobrir a terra e de repente tudo é quietude. Funestamente calma – nem a voz, nem o violão a soluçar alhures, reclamando de saudade por alguém talvez que nunca existiu para ele; alguém maravilhoso que somente fosse sonho, somente fosse o castelo mais lindo no desejo romântico do seresteiro – só ele sabia, só ele conhecia e por isto suas serestas eram lindas, melancólicas e cheias de mistério. Por fim, o dia se fez presente e com o dia veio, no embalar do vento a desventurosa notícia. Ele sucumbiu afogado nas águas do rio, afogando quantos corações que choraram desesperados. Quantas lágrimas que escorreram pelas faces mil, pois sabiam que com ele desaparecia uma alma simples, apaixonada e boa; uma alma boêmia que gostava nas boêmias madrugadas sem fim, passá-las em serenata, embebendo com sua música a quantos fosse na amplidão de sua voz.
Com ele desaparecia o encantamento desprendido dos sonhos despreocupados de paixões sem fim.
Assim, Leoniceo, de onde estiver fique sabendo que agora aqui existe um vazio enorme, como uma chaga invisível, nas noites enluaradas das madrugadas sem fim. Existe também um violão calado a um canto, triste esperando a sua impossível volta – Ele não entende e nem pode compreender que você definitivamente não voltará jamais.
E você foi calado para sempre, sem despedidas, sem flores como se não quiséssemos ouvir mais as suas serenatas; como se não entendêssemos as suas angustias. Não, muito ao contrário, éramos apaixonados pelas suas serenatas e agora sentimos sua ausência.
O rio egocentricamente abraçou você e o levou para sempre.
Agora nada mais, apenas uma sepultura fria e o vento choroso numa falácia tristonha que passa melancólico soluçando na madrugada imensa que não termina mais, como que reclamando quisesse ouvir ainda mais uma vez a sua voz... E há de soluçar sempre, pela vida afora, nesta saudade impossível que jamais voltará. No entanto, há de ficar nos corações daqueles que o conheceram, como uma lembrança carinhosa as serenatas lindas que não mais serão ouvidas.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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