Da vergonha de ser honesto um dia Rui falou...
Que saudade dos tempos que os mais velhos, os tios,
Professores, policiais eram ouvidos; nos rios,
Córregos se nadava... mas tudo isto já passou.
Meu grupo escolar sem cerca hoje se cerca de muro.
O banco em frente de casa onde meus pais conversavam
Não existe mais... o nosso medo era apenas do escuro,
De fantasmas, de duendes que nos ameaçavam...
Uma tristeza infinita me deu pelo que perdemos...
Matar, violentar crianças, enganar, passar a perna
Virou banalidade. Regalias que não temos
V irou moda nos presídios. É ser otário, palerma
Se não levarmos vantagem. Ninguém respeita ninguém;
Traficantes comandando; Grades nas nossas janelas;
Crianças morrendo de fome; Valores que não se tem.
Ter é maior do que ser; Drogas, como sair delas?...
Quero de volta a vergonha, quero a solidariedade
Entre os povos, entre irmãos. Quero a alegria a esperança,
Teto decente pra todos. Trabalho, honestidade.
Minha paz quero de volta e também a segurança.
Quero sentar na calçada sem Ter medo de ladrão,
Conhecer os meus vizinhos e abraçar os meus irmãos.
Não quero clone de gente, lista de animais em extinção;
eu quero é cópias de músicas, poesias e orações.
Vamos voltar a ser gente? Ter o amor, fraternidade.
Ajudando uns aos outros? Lutar pelos ideais,
Pela ética e respeito? Não quero mais Ter saudade
Daqueles tempos antigos que não podem voltar mais.
Quero um mundo melhor hoje, vou construir minha parte.
Quero contrariar o Rui pois a honra e a moral
Será a bandeira de todos. Faça então sua parte à parte
E seremos uma força para um mundo mais legal...
por: Mario dos Santos Lima
MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
OS POBRES DE PARIS
O jeito cortes e a amabilidade do povo francês são, de alguma forma, um ranço hereditário que obrigatoriamente é cumprido ainda hoje entre todos. Este legado vem lá da idade média onde o mais rústico camponês estava envolvido nestes valores como num cerimonial ligado à própria existência.
Resolvi conferir estas coisas.
Sobrou uma grana que o filho de uma puta leão não conseguiu afanar de mim, e dei um pulinho até Paris para visitar minha filha. Foram 12 lindos e maravilhosos dias por conta de conhecer e me embebedar com as maravilhas de lá.
Se você ainda não conhece Paris, na sua inocência, imagina de imediato que a droga e a mendicância não existem por lá. Ledo engano. Aos montes, carcomidos, feios e desfigurados pelo álcool que consomem, lá estão eles ocupando bancos de praças, entradas dos metrôs, esquinas movimentadas ou sem movimento, mas sempre rogando misericórdia por algumas moedas. A caridade os veste de pesados sobretudos que os aquece e os protege das intempéries rigorosas européias.
Estes mendigos já fazem parte do cenário bucólico da cidade.
Eles são pobres, mas não perderam a civilidade.
Perto de onde fiquei, bem ao sol nascer, indo a boulangerie comprar o baguette para o café matinal, encontrava sempre o mesmo mendigo e seu cão, sentado recostado na parede do prédio.
Olhar perdido, avermelhado e sonolento, rosto embrutecido pelos sulcos de suas rugas, chapéu escondendo seus brancos cabelos em desarranjo, uma das mãos afagando o cachorro e outra, rude e calejada estendida, semi aberta, pedindo sempre a cada transeunte uma moeda, ou qualquer coisa. Mas antes da súplica, numa voz rouca, de quase duas oitavas abaixo da tonalidade normal, como que num canto gregoriano dizia:
- Bonjour madame, bonjour monsier.
Ao receber a dádiva completava na mesma cantilena:
- merci pour la gentillesse.
Invariavelmente, todos os dias, eu despertava e era impelido a ir até a boulangerie, não pela necessidade da baguette, e sim para apreciar aquela figura rústica e seu cachorro. Para mim aquilo era uma pintura e seu rogar era música gregoriana. Embebia-me de prazer ao me permitir alguns minutos apreciando a cena. Cheguei a investir nele algumas moedas só para ouvi-lo.
Certa manhã, a chuva fina, ordinária, sem trégua, castigava impertinente o aventureiro que perambulava pelas ruas. Peguei um guarda-chuva e desci para o costumeiro passeio. Enquanto subia pela calçada molhada e escorregadia pensava um pouco triste, que com certeza não iria encontrar o mendigo. Ele estaria em qualquer lugar coberto livre da chuva menos ali. Mas fui, no meu caminhar ligeiro, quase desmotivado com destino a boulangerie.
A chuva continuava severa caindo.
Quando alcancei a esquina, lá mais adiante vi feliz que o mendigo estava no mesmo local sentado encostado na parede. Apurei melhor minha visão e notei que ele estava com um guarda chuva. Imaginei confortado que ele estivesse protegido da chuva.
Fui chegando e o que vi foi para mim uma grande lição de amabilidade, cortesia e afabilidade.
Ele, com seu roto chapéu preto, encharcando-se, com seu rosto molhado, impassível educadamente rogava por caridade e do seu lado, protegido da impertinente chuva, o cachorro todo encolhido, recostado a seu colo desfrutava sozinho do conforto do guarda chuva.
por: Mario dos Santos Lima
Resolvi conferir estas coisas.
Sobrou uma grana que o filho de uma puta leão não conseguiu afanar de mim, e dei um pulinho até Paris para visitar minha filha. Foram 12 lindos e maravilhosos dias por conta de conhecer e me embebedar com as maravilhas de lá.
Se você ainda não conhece Paris, na sua inocência, imagina de imediato que a droga e a mendicância não existem por lá. Ledo engano. Aos montes, carcomidos, feios e desfigurados pelo álcool que consomem, lá estão eles ocupando bancos de praças, entradas dos metrôs, esquinas movimentadas ou sem movimento, mas sempre rogando misericórdia por algumas moedas. A caridade os veste de pesados sobretudos que os aquece e os protege das intempéries rigorosas européias.
Estes mendigos já fazem parte do cenário bucólico da cidade.
Eles são pobres, mas não perderam a civilidade.
Perto de onde fiquei, bem ao sol nascer, indo a boulangerie comprar o baguette para o café matinal, encontrava sempre o mesmo mendigo e seu cão, sentado recostado na parede do prédio.
Olhar perdido, avermelhado e sonolento, rosto embrutecido pelos sulcos de suas rugas, chapéu escondendo seus brancos cabelos em desarranjo, uma das mãos afagando o cachorro e outra, rude e calejada estendida, semi aberta, pedindo sempre a cada transeunte uma moeda, ou qualquer coisa. Mas antes da súplica, numa voz rouca, de quase duas oitavas abaixo da tonalidade normal, como que num canto gregoriano dizia:
- Bonjour madame, bonjour monsier.
Ao receber a dádiva completava na mesma cantilena:
- merci pour la gentillesse.
Invariavelmente, todos os dias, eu despertava e era impelido a ir até a boulangerie, não pela necessidade da baguette, e sim para apreciar aquela figura rústica e seu cachorro. Para mim aquilo era uma pintura e seu rogar era música gregoriana. Embebia-me de prazer ao me permitir alguns minutos apreciando a cena. Cheguei a investir nele algumas moedas só para ouvi-lo.
Certa manhã, a chuva fina, ordinária, sem trégua, castigava impertinente o aventureiro que perambulava pelas ruas. Peguei um guarda-chuva e desci para o costumeiro passeio. Enquanto subia pela calçada molhada e escorregadia pensava um pouco triste, que com certeza não iria encontrar o mendigo. Ele estaria em qualquer lugar coberto livre da chuva menos ali. Mas fui, no meu caminhar ligeiro, quase desmotivado com destino a boulangerie.
A chuva continuava severa caindo.
Quando alcancei a esquina, lá mais adiante vi feliz que o mendigo estava no mesmo local sentado encostado na parede. Apurei melhor minha visão e notei que ele estava com um guarda chuva. Imaginei confortado que ele estivesse protegido da chuva.
Fui chegando e o que vi foi para mim uma grande lição de amabilidade, cortesia e afabilidade.
Ele, com seu roto chapéu preto, encharcando-se, com seu rosto molhado, impassível educadamente rogava por caridade e do seu lado, protegido da impertinente chuva, o cachorro todo encolhido, recostado a seu colo desfrutava sozinho do conforto do guarda chuva.
por: Mario dos Santos Lima
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
FALTAVA VOCÊ
A pintura que eu via estava quase perfeita...
daquele por de sol o azul quase lilás
Por entre os montes verdes como se na espreita
Sperando o astro rei com ternura e muita paz .
O riacho pequeno entre pedras correndo
Que na curva mostrava a canoa encalhada,
Em cima no barranco muito humilde se erguendo
Uma casa de sapé por palmeiras amparada...
A estrada que morria na porteira quebrada
Dava um ar tão bucólico na pintura que eu via.
Os bois já não comiam rumavam pra invernada...
Olhei por muito tempo este quadro na moldura...
Lindo, quase perfeito, pois lá não existia
A minha amada para completar a pintura.
por: Mario dos Santos LIma
daquele por de sol o azul quase lilás
Por entre os montes verdes como se na espreita
Sperando o astro rei com ternura e muita paz .
O riacho pequeno entre pedras correndo
Que na curva mostrava a canoa encalhada,
Em cima no barranco muito humilde se erguendo
Uma casa de sapé por palmeiras amparada...
A estrada que morria na porteira quebrada
Dava um ar tão bucólico na pintura que eu via.
Os bois já não comiam rumavam pra invernada...
Olhei por muito tempo este quadro na moldura...
Lindo, quase perfeito, pois lá não existia
A minha amada para completar a pintura.
por: Mario dos Santos LIma
domingo, 30 de outubro de 2011
A BARAFUNDA NA SEXTA FEIRA
Comi uma feijoada mineira antes de dormir e tive um violento pesadelo. Descrevo-o a seguir.
Toda cerimônia de colação de grau é linda e emociona qualquer um, mesmo que nela se cometam algumas gafes.
Em quase quarenta anos de magistério em curso superior e mais de cem homenagens recebidas jamais assisti a uma formatura tipo pastelão.
Conto o milagre, mas não conto o santo.
Era uma vez, em uma cidade distante... muito distante.
Poucos alunos, nove ao todo, resolveram eles mesmos, por medidas econômicas, enfrentar e organizar a cerimônia de formatura.
Um desastre.
Às vezes o barato sai caro.
Pagaram o preço e receberam a mercadoria.
A acadêmica organizadora do evento trabalharia na minha empresa pela sua coragem e determinação, mas por outro lado não trabalharia pela falta de planejamento, pela falta de humildade e por não aceitar ajuda e por proporcionar um verdadeiro circo de trapalhadas, tipo as das comédias com Laurel e Hardy, na colação de grau que ela tentou organizar.
Ela, pelo que me parece não procurou informações a respeito do grau de importância e do que representa a solenidade de colação de grau de um curso.
A conclusão do curso além de ser uma celebração do estudante pela sua grande conquista é um momento de magnitude da Instituição de Ensino, quando dirigentes, professores, funcionários, pais e acadêmicos externam seus sentimentos para provar que a missão de ensinar foi cumprida e o esforço valeu a pena.
É claro, para que esse evento saia de acordo como a turma o idealizou é mister que tenha um mínimo de planejamento e siga as normas de protocolo para a Solenidade de Colação de Grau.
Nada disto, me pareceu que foi cumprido.
Não sei por que, mas foi organizado em segredo de estado, visto que apenas, com uma hora de antecedência o coordenador do curso foi comunicado da data e hora do evento.
A presidente da comissão organizadora desconhece completamente a hierarquia da Instituição, já que ao se dirigir ao coordenador do curso, em tom de pilheria falou:
- Como você é apenas uma figura decorativa vai ficar lá no canto da mesa.
- Será que ela não procurou saber como seriam as autoridades na composição da mesa? Será que ela desconhece o cerimonial público das universidades brasileiras? Com certeza sim.
Eu acho que ela acabou metendo os pés pelas mãos, senão vejamos.
Pelas atrapalhadas apresentadas, por certo convidou o cerimonial de último momento. Linda voz, mas completamente por fora do que estava acontecendo. O Diretor Geral seguia um programa enquanto o mestre de cerimônia lia outro. Chamou a professora paraninfa para ler seu discurso e quando a professora já estava quase a postos mudou o roteiro para a entrega das lembranças aos homenageados. O povo riu imaginando que isto fizesse parte da cerimônia.
Uma triste comédia!
As bandeiras Nacional, do Estado e da Instituição foram banidas da cerimônia. Não se encontravam presentes.
E para coroar de êxito a grande trapalhada o mestre de cerimônia, orientado pela presidente da comissão, anunciou a contagem regressiva para o famoso jogar de capelos ao alto, antes da finalização da cerimônia. O Diretor Geral olhou para um lado, olhou para outro bestificado por não poder encerrar a seção. Com esta patuscada indigesta a cerimônia até o presente momento ainda não acabou e o MEC pode embargar a colação.
Que Deus os proteja!
E o vomitório fez-me acordar com ânsia.
Obs. – qualquer semelhança com fatos e pessoas é pura coincidência, mas se a carapuça serviu, por favor, sinta-se a vontade.
por: Mario dos Santos Lima
Toda cerimônia de colação de grau é linda e emociona qualquer um, mesmo que nela se cometam algumas gafes.
Em quase quarenta anos de magistério em curso superior e mais de cem homenagens recebidas jamais assisti a uma formatura tipo pastelão.
Conto o milagre, mas não conto o santo.
Era uma vez, em uma cidade distante... muito distante.
Poucos alunos, nove ao todo, resolveram eles mesmos, por medidas econômicas, enfrentar e organizar a cerimônia de formatura.
Um desastre.
Às vezes o barato sai caro.
Pagaram o preço e receberam a mercadoria.
A acadêmica organizadora do evento trabalharia na minha empresa pela sua coragem e determinação, mas por outro lado não trabalharia pela falta de planejamento, pela falta de humildade e por não aceitar ajuda e por proporcionar um verdadeiro circo de trapalhadas, tipo as das comédias com Laurel e Hardy, na colação de grau que ela tentou organizar.
Ela, pelo que me parece não procurou informações a respeito do grau de importância e do que representa a solenidade de colação de grau de um curso.
A conclusão do curso além de ser uma celebração do estudante pela sua grande conquista é um momento de magnitude da Instituição de Ensino, quando dirigentes, professores, funcionários, pais e acadêmicos externam seus sentimentos para provar que a missão de ensinar foi cumprida e o esforço valeu a pena.
É claro, para que esse evento saia de acordo como a turma o idealizou é mister que tenha um mínimo de planejamento e siga as normas de protocolo para a Solenidade de Colação de Grau.
Nada disto, me pareceu que foi cumprido.
Não sei por que, mas foi organizado em segredo de estado, visto que apenas, com uma hora de antecedência o coordenador do curso foi comunicado da data e hora do evento.
A presidente da comissão organizadora desconhece completamente a hierarquia da Instituição, já que ao se dirigir ao coordenador do curso, em tom de pilheria falou:
- Como você é apenas uma figura decorativa vai ficar lá no canto da mesa.
- Será que ela não procurou saber como seriam as autoridades na composição da mesa? Será que ela desconhece o cerimonial público das universidades brasileiras? Com certeza sim.
Eu acho que ela acabou metendo os pés pelas mãos, senão vejamos.
Pelas atrapalhadas apresentadas, por certo convidou o cerimonial de último momento. Linda voz, mas completamente por fora do que estava acontecendo. O Diretor Geral seguia um programa enquanto o mestre de cerimônia lia outro. Chamou a professora paraninfa para ler seu discurso e quando a professora já estava quase a postos mudou o roteiro para a entrega das lembranças aos homenageados. O povo riu imaginando que isto fizesse parte da cerimônia.
Uma triste comédia!
As bandeiras Nacional, do Estado e da Instituição foram banidas da cerimônia. Não se encontravam presentes.
E para coroar de êxito a grande trapalhada o mestre de cerimônia, orientado pela presidente da comissão, anunciou a contagem regressiva para o famoso jogar de capelos ao alto, antes da finalização da cerimônia. O Diretor Geral olhou para um lado, olhou para outro bestificado por não poder encerrar a seção. Com esta patuscada indigesta a cerimônia até o presente momento ainda não acabou e o MEC pode embargar a colação.
Que Deus os proteja!
E o vomitório fez-me acordar com ânsia.
Obs. – qualquer semelhança com fatos e pessoas é pura coincidência, mas se a carapuça serviu, por favor, sinta-se a vontade.
por: Mario dos Santos Lima
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