CORRENDO ATRÁS DO VENTO: A MULHER E OS PEÕES DE OBRA: A mulher é a arte maravilhosa que Deus caprichou. O ser humano por natureza é sedento por elogios, por coisas que massageie seu ego, e ...
Mario dos Santos Lima
MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
O MISTERIOSO INCÊNDIO
Segundo os entendidos da arte de fazer fogo, um incêndio é uma ocorrência de labaredas rebeldes que querem foder com tudo e com todos. O fogo se apresenta como um elemento que é quente para caralho, e que louco, descontrolado, pode ser extremamente perigoso para os seres vivos respirantes, para as plantas e para as moradias.
Da mesma forma que o diabo tem medo da cruz o fogo se urina todo de medo da água.
Certa feita o corpo de bombeiros foi à casa da Isa para fiscalizar as condições da moradia, e aplicou uma tremenda multa porque viu lá soltas as putas labaredas por toda a casa.
Só o bombeiro consegue ver estas coisas porque usa óculos especiais.
- Dona Isa! Disse educadamente o bombeiro entregando a multa, pausadamente continuando:
- Pode acontecer um incêndio na sua casa, e isso vai ser uma tremenda de uma merda porque irá acabar com nossa folga e o nosso sossego!
- Mas... Quis interromper a Isa
- Não tem, mas nem menos! Pague a multa, e elimine os quatro capetinhas que estão por aí.
- Que capetas são estes? Não vejo nenhum!
- O prefeito pediu apenas para vir aqui e multar. O bombeiro, dizendo isso, virou-se e se mandou.
- Filho de uma puta desse bombeiro que veio só para colocar os capetas aqui em casa! Mas que capetas são estes que não vejo nenhum?
- Mário, quais são os quatro capetas que podem botar fogo aqui em casa?
O Mário, depois de um tempo pensativo, olhou preocupado para a Isa, botou a mão na testa dela e disse:
- Não sei não, pergunte para sua filha!
- Fer, que merda de capetas podem botar fogo aqui em casa?
- Quem é que disse isso mãe?
- O filho de uma puta do bombeiro! Ele disse que tem quatro capetas aqui, e por isso me multou.
- Mãe, na realidade o bombeiro é meio abobado ou então achou a senhora meio abobada, e por isso falou dessa forma.
- Abobado é o cu da mãe dele.
- Mãe, na realidade são as quatro formas de propagação do fogo.
- Ah! Disse a Isa fazendo de conta que entendeu.
O dia transcorreu calmamente, mas os malditos capetinhas ficaram peraltas martelando a cabeça dela o tempo todo.
A mortalha anoiteceu, e ela foi dormir com os quatro diabinhos soltos na cachola.
Sonhou tormentos, e sonhou que estava no inferno e por isso desesperada gritou:
- Senhor capeta, poderia ligar o ar condicionado para mim?
E o capeta ria gargalhadas na cara da Isa.
Naquele momento o calor estava infernal! E a Isa, feito doida continuava gritando!
- Puta que os pariu como é quente aqui no inferno! Quero sair! Alguém me tira daqui!
E o fogo encanzinado já lambia tarado os cambitos da Isa queimando os cobertores que a cobria.
- Seu diabo, por favor, ligue o ventilador! Eu sou a ex-primeira dama! Gritava desesperada se debatendo a Isa.
E os quatro capetas, a mando do diabo maior, lambiam vorazmente tudo – o forro, os armários, colchões, cobertores e as pernas da Isa.
- Socorro, socorro, alguém me tire desse inferno!
De repente, alguém entra no quarto estapeando violentamente a Isa:
- Acorda mulher, acorda! O fogo dominou toda casa, e vai te queimar!
Um jato de água na cama, de uma mangueira qualquer, amainou um pouco o fogo acordando de vez a Isa, que aos gritos saiu toda chapiscada no colo dos vizinhos.
Enquanto as labaredas, numa dança macabra, lambiam o céu, lá nos fundos do quintal alguém furtivamente fugia pulando o muro.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
sábado, 29 de março de 2014
A MULHER E OS PEÕES DE OBRA
A mulher é a arte maravilhosa que Deus caprichou.
O ser humano por natureza é sedento por elogios, por coisas que massageie seu ego, e a mulher por excelência é ávida por isso. O elogio é o santo remédio para qualquer desapontamento ou azedamento no relacionamento.
O elogio é como uma poção que consegue transformar magicamente o humor desencantado em amenidade, principalmente em se tratando da mulher. É o combustível que a mantem sempre linda e brejeira.
Segundo o dicionário, o elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou alguém. É um poderoso motivador para aumentar a autoestima.
Embora, como alguém já disse que o elogio tal qual o ouro e os diamantes tem seu valor pela escassez, não podemos menosprezar os preciosos momentos que surgem para praticar o processo do elogio. Os peões de obra são craques nisso e dão exemplo, principalmente quando trepados nos andaimes.
Ao passar por uma obra, a mulher é divina para aqueles cafajestes. Para eles, ela pode ser gorda, magra, alta, baixinha, feia ou bonita – sempre será a gostosona. Lá do andaime, proliferam elogios que caem sobre a vivente como chuvas de flores perfumadas.
Estes tarados dos andaimes, quase com certeza são casados estúpidos que não sabem valorizar a joia que tem na própria casa. Para sua companheira de suas bocas saem apenas vómitos de reclamação, de desdém. Mas quando em matilha são ávidos em gentileza, e de seus lábios partem elogios aos montões.
João era um desses peões de obra que tratava a mulher na ponta do casco. Na obra a voz dele se unia a dos outros canalhas para despejar toneladas de grosseiros elogios ao rabo de saia que passasse lá em baixo.
Cafajeste na obra, mas canalha em casa.
Ele não sabia, mas Maria, sua esposa sentindo-se mal amada buscava sempre a autoestima passando propositadamente pelos prédios em construção. Voltava sempre renovada.
Um dia, como sempre, depois das grosserias sofridas pelo canalha marido, saiu à rua para se abastecer de bons fluidos, e conseguir assim seu ego massageado.
Passou por um prédio em construção que amainou um pouco o seu sofrimento, ouvindo deles:
- Gostosona! Linda!
Aquele dia ela estava muito desolada e saiu então para uma construção maior, e quando já estava chegando perto começou a ouvir a linda sinfonia que em casa não tinha:
- Gostosa!
Ficou com vontade de parar e agradecer, mas permitiu-se apenas o prazer do momento e recatada, de ouvidos bem abertos, continuou seu caminho de volta para casa.
Eram milhares de peões que se aglomeravam nos andaimes para quase babando, como cães vadios tarados, gritar elogios a ela. Era de uma grosseria a toda prova, mas para ela era a música suave que há tempo não ouvia.
Assovios estridentes no seu fiu, fiu e palavras de ordem.
- É a nora que minha mãe queria em casa!
E a sinfonia continuava implacável, e ela em passos quase trôpegos caminhava ouvindo feliz tudo aquilo.
- Que bunda gostosa! Que seios! Poderosa!
Mas o João, que estava no meio deles gritando, de repente parou, olhou atônito, e ficou desconcertado quando viu que a gostosa lá de baixo era sua esposa.
Foi a melhor lição que ele teve para seu relacionamento.
O grosseirão, o canalha de sempre, ao final do expediente, passou por uma floricultura, e rapidinho em casa foi abraçar a gostosona dos peões, pedindo mil perdões.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
segunda-feira, 24 de março de 2014
DESASTRADA DECISÃO
Segundo o dicionário, desastrada é aquela pessoa incapaz de fazer qualquer coisa sem que isso dê errado, dê em merda, embora eu bata de frente discordando dessa definição. Eu acho que desastrada é a pessoa que tenta fazer alguma coisa, e a maldita estatística é contra ela – quase tudo dá em trapalhada.
Segundo a Bíblia nós viemos do pó assumindo tudo que nele existe. Por essa razão as vibrações da natureza sempre vão conspirar a nosso favor. Mas a santa natureza é ignorante, e não sabe o que é bom ou ruim para o nosso pobre corpo, e assim, tudo o que desejamos, acreditamos ou assumimos consciente ou inconscientemente, a natureza se encarregará de fazer acontecer.
A Laura deve, quando criança ainda, ter quebrado acidentalmente alguma coisa, e de imediato foi batizada solenemente de: - "Você é uma desastrada”.
E inconscientemente ela se vestiu disso. E assim carrega esta roupagem por todos os lugares por onde passa.
Ela já foi ao pai de santo, ao psicólogo, as montanhas, nas cavernas, para ver se descarregava do corpo esta sina, mas nada foi potente o suficiente para reverter a situação.
A Laura foi sempre muita ativa, hábil e estrategicamente sapeca em conseguir alguma coisa, mas estatisticamente desastrada em se tratando de louças. Louça é como se fosse uma maldição para ela.
Em casa ela era proibida de lavar e guardar os pratos, sobrando então a tarefa para mim. Para evitar a quebra financeira da família, o pai, depois de grandes desastres, comprou copos e pratos em alumínio.
Eram tantas as louças compradas que certa feita a Laura recebeu uma menção honrosa de um fabricante de pratos, xícaras e copos por ser ela uma destemida e contumaz usuária de seus produtos. – Os filhos de uma puta não sabiam que ela era sim uma contumaz exterminadora dos produtos deles.
Ainda menina, foi chamada para fazer teste em uma cerâmica de porcelana, mas desastrada como sempre, logo no teste inicial quebrou todo o mostruário, foi reprovada, e desolada, acabrunhada, macambuzia acabou indo para o convento.
Mas antes de ir ao convento muita coisa aconteceu.
Um dia em casa foi escalada para arrumar a mesa para o almoço. O relógio desesperado gritava para todo mundo que o pai já estava chegando. A mãe nos finalmente no fritar dos bifes, e a Laura apavorada na arrumação da mesa, e eu só olhando para um dia escrever esta crônica.
Os pratos! Ah sim os pratos para serem colocados na mesa! Eles estavam no armário, na prateleira de cima.
Nesse armário tinha tudo de mais precioso que a mãe possuía. Porcelanas finíssimas, lembranças de solteira e coisas que ganhou no dia do casamento.
- Mário o que faço? Os pratos estão na prateleira de cima!
- Suba na cadeira e os pegue, respondi de imediato.
Ela pensou, e num relance decidiu por escalar o armário.
Desastrosa decisão!
Os pratos gritavam não! Por favor, não! Mas a Laura teimosa começou a escalada radical.
O armário suplicava: - Não Laura, por favor, Não me escale!
De nada adiantou tamanhas súplicas.
O armário gemeu, tentou se grudar na parede, mas num grito desesperado começou a inclinar.
Com o gemer do armário e os gritos da Laura pedindo socorro, a mãe que estava atenta ao fogão, desvirou-se, e de olhos arregalados apenas deu rapidamente um pulinho do lado para que os cacos não a ferissem.
- O que é isso minha filha? Em desespero, minha mãe, com a mão na boca, cai desmaiada.
Em meio aos cacos, por debaixo do armário, meio zonza, assustada, apareceu a Laura, toda ensanguentada que disse chorosa:
- Eu deveria ter pegado a cadeira! Não é mesmo?
Depois do sermão, e chineladas na bunda naquele dia nós comemos diretamente das panelas.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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