quarta-feira, 14 de outubro de 2015

UTOPIA

Me envolvo e resolvo... não me escondo, respondo problemas banais. Mas me anima a estima que recebo da turma. Crio e recrio, e a fórmula aparece... é a glória... a vitória... e a turma nunca esquece. É o alguém que no vai-e-vem, me chama pelo nome; e a vida na corrida, que não pára de passar; mas... me anima a estima... Me envolvo e resolvo... crio e recrio, pois curto este culto sempre oculto de ser professor. POR MARIO DOS SANTOS LIMA

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

UM MUNDO MELHOR

Da vergonha de ser honesto um dia Rui falou... que saudade dos tempos que os mais velhos, os tios, professores, policiais eram ouvidos; nos rios, córregos se nadava... mas tudo isto já passou. meu grupo escolar sem cerca hoje se cerca de muro. O banco em frente de casa onde meus pais conversavam não existe mais... o nosso medo era apenas do escuro, de fantasmas, de duendes que nos ameaçavam... uma tristeza infinita me deu pelo que perdemos... matar, violentar crianças, enganar, passar a perna virou banalidade. Regalias que não temos virou moda nos presídios. É ser otário, palerma se não levarmos vantagem. Ninguém respeita ninguém; Traficantes comandando; Grades nas nossas janelas; Crianças morrendo de fome; Valores que não se tem. Ter é maior do que ser; Drogas, como sair delas?... Quero de volta a vergonha, quero a solidariedade entre os povos, entre irmãos. Quero a alegria a esperança, teto decente pra todos. Trabalho, honestidade. minha paz quero de volta e também a segurança. Quero sentar na calçada sem ter medo de ladrão, conhecer os meus vizinhos e abraçar os meus irmãos. Não quero clone de gente, lista de animais em extinção; eu quero é cópias de músicas, poesias e orações. Vamos voltar a ser gente? Ter o amor, fraternidade, ajudando uns aos outros? Lutar pelos ideais, pela ética e respeito? Não quero mais ter saudade daqueles tempos antigos que não podem voltar mais. Quero um mundo melhor hoje, vou construir minha parte. Quero contrariar o Rui pois a honra e a moral será a bandeira de todos. Faça então sua parte à parte e seremos uma força para um mundo mais legal... POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

segunda-feira, 6 de julho de 2015

SARAU, ARTE LIVRE

Puta que pariu! Minha nossa! Quando me apercebi lá estava eu no meio da sala, nervoso com mil olhos a me fixar e mil ouvidos sedentos por cultura. – Pai, comece você, foi assim que Alexandre abriu oficialmente este sarau. De repente, não mais do que isto me vi muito longe dali a muito tempo também. A sala do clube, reservada para o sarau tinha um toque feminino e foi cuidadosamente arrumada pela Vanda. Ela era violinista e adorava tocar nos saraus; Tocava Stravisnki, Bach e outros. Ela não era linda, mas de um coração belo, de uma gentileza finíssima, de companheirismo incansável e apaixonadíssimo pelos saraus. Ela se realizava; se entregava toda nos afazeres de organizar o cerimonial – Por que você não se apresenta para uma grande platéia? Você toca tão bem, sempre tinha alguém incentivado a Vanda. – Não; prefiro aqui porque estamos entre amigos e todos vocês tem apreço pelo que faço, respondia ela, humildemente com um sorriso amarelo no canto da boca e ficava o tempo todo tocando, como fundo musical enquanto se recitava ou se fazia a leitura de trecho de algum clássico. O sarau acontecia aos domingos à tarde. Lendo os versos alexandrinos, completamente absorto, seduzido pelo ambiente. O som do violão que o Daniel fazia como fundo musical pareceu-me o som de um violino, fiquei confuso, meu coração se descompassou e por instante não sabia em que época estava. 45 anos atrás ou agora? Mas o som das palavras é forte e decisivo – Este soneto eu fiz para minha filha, foi esta frase que me trouxe para a realidade, do hoje, do agora. O sarau homenageou Chiquinha Gonzaga, Graciliano Ramos e Grande Otelo. O apartamento 204, bloco 10 do Tívolli estava todo preparado ao gosto anarquista do Alexandre e com um toque feminino da Bela. Pedras, livros, cartazes e até algumas páginas dos famosos catecismos pornográficos dos anos 60 que a Maira sensualmente apresentou para a galera. A sopa de feijão estava ótima, mas o Xandão, com medo de que faltasse a gororoba pediu ajuda para Irene no patrocínio de uns salgadinhos. Todos entraram no clima como se já fosse um velho costume; em silêncio prestavam atenção nos trechos apresentados; suspiravam ao toque maravilho que o Daniel empreendia ao violão num Vila Lobos clássico ou se envolviam na apresentação da Sol; na poesia do Bruno; na poesia de Fernando Pessoa declamada pela Calinka ou na fala final da Bela. O ambiente às 23,30 horas era tranqüilo, mas bastante animado com luzes apagadas e todos dançando um tango na voz de Mercedes Sosa no comando da Bela, tão animado que fez o representante do síndico deste bloco chegar até a porta e delicadamente soca-la. O Alexandre vai atender imaginando mais alguém interessado no sarau e dá de chofre de encontro com uma cena dantesca. O indivíduo, representante máximo da autoridade do condomínio, espumando por um canto da boca, com os olhos avermelhados, esbugalhados, vestindo do lado avesso apenas à parte de cima do pijama; um pé com chinelo e outro não; o cacete a mostra, meio duro meio mole – por certo deveria estar numa tentativa final. O cabra estava bonito para um filme de terror. Olha para o Alexandre e grita: - Que caralho é isto? Eu quero dormir. O Alexandre, que tinha acabado de ver a apresentação da Sol e estava embebido nos rebolados do tango imaginando que o cara estava ali tão somente representando uma peça dramática deu então sua colaboração, apontando para o bilau dele, num tom teatral fala: – Meu nobre, se é isto ai, relaxadamente pendurado no meio de tuas pernas!!! Cara!!! e fazendo uma pausa, comprimindo seus lábios e meneando a cabeça de um lado para outro, arriscando mais uma olhadela para aquela coisa bruta mole acrescenta em tom solene: - é muito mole e não fará sucesso algum nesta festa. Botando a mão no ombro dele quis completar: - enfim... Não terminou a frase. Foi o fim da festa, pois o cara ficou mais possesso, derrubou o Alexandre com um golpe e não fosse à galera toda vir acudir a esta hora o Alexandre já era. As meninas apavoradas aos gritos, vendo aquele caralho mole correram para os quartos, privadas, cozinha, dispensa e para debaixo da mesa. Os meninos como não tinham para onde correr foram juntos com diplomacia tentar conversar e convencer o animal: - Tio, estamos indo embora, volte dormir tranqüilo. O tiozinho, com uma mão tampando o mole e com outra encobrindo a bunda desceu a escadaria de ré. O Alexandre, livre do sufoco se levanta rápido e com os braços erguidos para cima da cabeça grita: - Otimismo!!! Otimismo!!! Galera, a festa continua e tem surpresa à meia noite lá na rua. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

domingo, 19 de abril de 2015

UM CAPITÃO DESOLADO

- Lamentavelmente foi o destino! O destino existe? A fatalidade é uma realidade insofismável? Será que o destino é a concepção de uma sucessão inevitável de acontecimentos obedecendo a uma possível ordem cósmica? Às vezes fico em dúvida. Meu pai me contou uma história muito relacionada a isso, e eu escrevo exatamente tal qual ele me relatou. Vamos lá então! Ele servia o exército na Companhia dos Sapadores em Pedra Preta. A Companhia trabalhava na abertura da estrada. O sistema de transporte da tropa era bastante precário e radical; usava-se, para o transporte dos soldados, caminhão basculante. Um dia, o caminhão estava apinhado de soldado em cima da caçamba pronto para sair. O capitão chegou bufando soltando labaredas pelas ventas. Seu motorista particular – o chamado bagageiro - não tinha deixado o leite preparado para seu café. Dirigindo asperamente ao seu bagageiro diz: - Hoje você vai para frente de trabalho! Apontou para um soldado, que estava em cima da caçamba, fazendo-o descer dizendo: - Hoje você vai ser meu bagageiro! Naquele dia o capitão amanheceu mesmo com os grãos trocados ou sua mulher tinha dormido de calça. Foi até ao cárcere e dizendo ao prisioneiro: - Chega de moleza, você vai trabalhar hoje! Apontou para outro soldado que já estava no caminhão pedindo para que descesse. Ao passar pela enfermaria o soldado enfermo suplica ao Capitão: - Não aguento mais ficar nessa cama, quero ir trabalhar na abertura da estrada. O médico tinha recomendado repouso total. O Capitão não se fez de rogado ao apelo do soldado adoentado, e fez descer o terceiro soldado para que o enfermo tomasse o lugar dele. O capitão entrou no alojamento pisando duro sem ver o caminhão perder-se na poeira da estrada. Meu pai contou que nesse dia estava de folga. Perto do almoço um esbaforido desconhecido, a galope, passa gritando: - A guerra começou, tem um monte de soldado morto na estrada! O capitão estranhou aquele mensageiro e se perguntou: - Mas que guerra? Bem ao entardecer a tragédia foi desvendada. Um carroção chega trazendo muitos feridos e oito mortos. O momento era funesto e lamentoso. - O que aconteceu? Desesperado grita o capitão. - O caminhão caçamba tombou quando chegava! Respondeu o carroceiro todo ensanguentado. Dois grupos de trabalho foram designados; Um para atender os ferido e outro para preparar os cadáveres. Meu pai ficou no segundo grupo construindo as urnas mortuárias e preparando os mortos. Quando o capitão conferiu os mortos ficou inconformado ao ver que entre eles estavam seu bagageiro, o prisioneiro e o enfermo que ele fez subir na caçamba. Pôs a mão na cabeça e inconsolável aos prantos gritou: - Eu sou o culpado pela morte deles! Eu sou o culpado! Alguém, tentando consolá-lo, coloca a mão no ombro dele dizendo: - Lamentavelmente foi o destino! POR: MARIO DOS SANTOS LIMA