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Eu acho que em algum momento da vida sentimos vergonha, embaraço ou constrangimento por alguma coisa que tenha sido feito por nos e que por acidente veio a público. São momentos vexatórios, humilhantes que fazem parte de nossa bela existência.
A vergonha, segundo Wikipidea é uma condição psicológica consistindo de idéias, estados emocionais, estados fisiológicos que nos leva a ter o conhecimento ou consciência daquilo que nos levou ao vexame.
A vergonha difere do embaraço, principalmente quando o ato praticado vem a público. Isto é terrível!
E eu passei, certa feita por um hilário embaraço deste.
Freqüentava, em Venceslau o primeiro ano da Escola Técnica de Comércio. Em tudo me pautava por uma conduta toda regrada no vestir, no me apresentar, no respeito com meus semelhantes e superiores, na dedicação as tarefas, no zelo as coisas públicas e ao meio ambiente e por isto não admitia e exprobrava as coisas executadas fora desta linha filosófica.
A privada para mim deve ser publica e por isto respeitada e cuidada por todos.
Um dia, em sala de aula não me sentindo muito confortavelmente com o rebuliço intestinal solicitei minha saída e apressadamente fui ao destino apropriado. Quando lá cheguei pude perceber a imundície que pairava por tudo, muito mais provavelmente pelo uso inadequado do que pela falta de limpeza. Fedia e por toda a parte os excrementos estavam placidamente acomodados.
A lâmpada que pendia do bocal estava também emporcalhada por mãos imundas que mal e parcamente iluminava o recinto. Nas paredes, que mais parecia um painel escuro trazendo burlescas frases e poesias indecentes estavam também sacrilejadas por dedos emporcalhados.
Mesmo na penumbra pude ver que o vaso sanitário que originalmente era branco portava entupido um monte de excremento e papeis.
Enojado e com os dedos, o indicador e o polegar de tampão no nariz fiz um diagnóstico geral. Constatei muita sujeira e frente a isto o meu sistema digestivo trancou a possibilidade de qualquer operação naquelas condições ambientais.
Antes de sair desta pocilga quis, como um bom cidadão deixar minha contribuição para amenizar tudo aquilo.
- Uma descarga, por certo seria bem vinda, pensei cá com os meus botões.
Tal qual um detetive perscrutei minuciosamente o local no desejo incontido de encontrar a tal válvula hidra. Com certa dificuldade encontrei-a. Aproximando-me dela, olhei-a enojado e não tive a coragem de meter o meu dedo para pressioná-la, resolvi então fazer a operação usando o meu pé. Meu sapato já estava esmagando e dançando em tudo aquilo e por isto, conclui que mais uma porcaria agregada em sua sola não iria fazer nenhuma diferença. Ergui a perna e direcionei o meu pé na tal válvula. Pressionei e ao invés do barulho característico da descarga recebi um jato de água na área de junção de minhas coxas com o abdômen. Por alguns momentos eu pensei que o mecanismo de descarga estivesse se negando a executar o processo e vomitou em mim alguma coisa líquida. Ou então, pensei a água não quis se misturar aos excrementos e veio se aninhar por entre as minhas pernas.
Olhei pasmo para o vaso sanitário e pude constatar que o tubo condutor de água estava violentamente enferrujado e apresentava um enorme furo por onde a água escapulia mais facilmente.
Abri a porta e sai de dentro daquela imundície e olhando por entre as pernas fiz uma ligeira avaliação. Não estava emporcalhado, mas estava todo molhado dando a entender para quem olhasse que fiz o serviço nas calças. Esgueirei-me por entre as colunas para me safar de olhos curiosos, mas inutilmente, pois fui visto pelos malditos gazeteiros que imediatamente riram de minha desgraça gritando.
- Mijou na calça,! mijou na calça! E seguiam em galhofas apontando para minhas calças molhadas.
Puto da vida, disfarcei a frente prejudicada com alguma coisa e apressadamente entrei na sala para pegar o material e ir embora. Ao sair, ainda escuto o professor sarcasticamente perguntar:
- Não deu tempo?
Por: Mario dos Santos Lima
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