domingo, 24 de agosto de 2014

EXAME ESTOMACAL

O medo é uma bosta mesmo! Ele é um estado de alma, uma sensação que nos leva a uma condição de aleta ao sentir-se ameaçado ou sentir-se frágil diante de um perigo qualquer. O medo nos conduz ao maldito pavor. O pavor estupidamente nos desveste do senso comum; O pavor nos deixa enlouquecido. Minha irmã, que carinhosa eu chamo de Inca, um dia na casa do pai resolveu tomar um chimarrão. Ela é uma mato-grossense não muito familiarizada com a cuia. Por certo o mate já estava contaminado com alguma substância maligna, pois ao iniciar o procedimento de ingerir o líquido verde, ela imediatamente botou as tripas pela boca, e de quatro, admirando o vaso sanitário, suando frio, chorava desesperada clamando: - Alguém me acuda! Eu acho que vou morrer! Não quero morrer longe de meu bem! O bem dela estava bem longe. Foi feito tudo o que se podia para reanimar a menina, dentro dos conhecimentos farmacológicos e enfermagem que nos dispúnhamos. Ela aos gritos caia, desmaiava e logo em seguida levantava, caia e desmaiava. O drama estava funesto. Ficamos deveras preocupados, não tanto pelos desmaios dela, mas sim pela sujeira que ela estava aprontando com seus esverdeados golfejados pelo chão. Encostamos o carro, e a colocamos branca, fria e toda vomitada no banco braseiro. Rumo ao hospital. Nenhuma viva alma se via pelas ruas. O carro desenvolvia uma doida corrida; A buzina ligada para os menos avisados, que por ventura saíssem de suas casas, deixassem o caminho livre. De repente, como voltando de um transe maluco, a Inca de olhos esbugalhados pergunta: - Onde estão me levando? - Ao hospital, respondemos de imediato. Meio atordoada ainda, pergunta de novo. - Por quê? - Vão fazer exame estomacal em você! Ela demora um pouco para conferir e intender a informação, e ainda em meio transe pergunta. - E como é feito isso? A Isa, no alto de sua compaixão e conhecimento, explicou em detalhes para ela. - Você vai ficar pelada e de bruços, eles vão enfiar um tubo pelo seu trapeiro para examinar seu estômago. Ela desesperada grita ao processar rapidamente a notícia recebida dizendo. - No meu cuzinho ninguém vai por a mão não. E como se tivesse recebido uma entidade maluca, tentou abrir o carro gritando desesperada. - Pare o carro, eu quero descer! Ainda bem que estava já na entrada do hospital. Cinco enfermeiros vieram e imobilizaram a Inca com uma camisa de força; Aplicaram nela uma dose elefantar de um tal sossega leão. E a voz se apagando aos poucos a Inca foi gritando desesperada nos braços dos paramédicos. - No meu cuzinho não! No meu cuzinho não! - E aí doutor? Perguntamos. - Tudo bem, foi apenas a síndrome do medo! Respondeu ele. Ficamos de vigília. Depois de umas dez horas, já sem o soro no braço ela acorda, olha desconfiada para nós, e apavorada, mas com muito cuidado, só para conferir, coloca a mão na bunda ainda pelada. POR: MARIO DOS SANTOS LIMA

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