MEUS CONTOS PERCORREM TODOS OS TEMPOS E MUITOS LUGARES. AQUI NÃO SOU ESCRAVO, SOU LIVRE, SOU #IRREVERENTE E "ESCRACHADO". MEUS CONTOS SÃO ORAÇÕES DO BOM VIVER.
sexta-feira, 27 de março de 2015
O VERDUGO E A GATA
O amor aos animais é um bichinho que nos contamina por dentro de maneira espantosa, incontida mesmo, e isso é hereditário. Minha mãe amava os animais como se fossem seus filhos, seus dependentes. Minha mana foi contaminada por esse vírus, e desta forma não pode ver qualquer peludo e empenado em sofrimento que imediatamente vai a seu socorro.
Certa feita uma gata...
Rondava a casa dela um felino em busca de migalhas que caia da gaiola ou sobras da ração da cachorra. Minha irmã se encantou por ele; Tentou pegá-lo, mas foi inútil; Não conseguindo captura-lo arquitetou um plano infalível. Foi aos poucos, dias após dias, pacientemente sevando o animal colocando alimento aqui e ali para que ele viesse busca-lo. A primeira ração foi colocada bem distante, e a cada dia trazia mais para perto, até que a última colocou dentro de uma armadilha. Um enorme barulho, miados angustiados, e assim lá estava o gato capturada.
Pense no capeta recebendo água benta!
Pelo temperamento hostil e barraqueiro minha mana descobriu que era uma gata.
A gata xingou, disse impropérios, ameaçou e cuspiu raiva, mostrando suas afiadas unhas para quem tentasse se aproximar do artifício no qual estava presa.
Minha mana, não tendo coragem de abrir a armadilha, chamou o corpo de bombeiro, que com luvas especiais em raspa de couro e com revolver em punho tirou a gata de dentro da armadilha dizendo para minha mana.
- Puta merda esta gata tem um gênio feroz, é bom que você leve ao veterinário para castrar e dar um sossega leão nela!
Com a licença do IBAMA o próprio batalhão se encarregou de fazer isso; Escoltado pela polícia militar, levaram a fera até ao veterinário.
A gata tentou escapar pulando do caminhão, mas foi contida em caganeira provocado pelo gás de efeito moral lançado pela polícia, e pelo forte jato d’água jogado pelo bombeiro.
O veterinário abriu a barriga do capturado animal arrancando os miúdos dela. Foi uma castração de sucesso.
A gata passou quatro dias sonolenta pelo efeito da anestesia. Aos poucos, voltando ao estado normal, aceitou a convivência com minha mana e recebeu na pia batismal o nome de Teca.
A Teca rosnava livremente pela casa; Esfregava sensualmente pelas pernas de quem estivesse por perto; Fazia montinhos de merda pelos cantos da casa para marcar o território; Arranhava desfiando cortinas e sofás na maior liberdade e aquiescência da dona da casa.
Mas um dia...
Desesperada minha mana procurou a Teca pela casa encontrando apenas as cortinas e sofás arranhados e os montinhos de sujeira. Sai pelas ruas, e numa caminhada continuada, sem se alimentar e dormir, em busca, por dias seguidos, da gata que tanto amava.
- Teca! Teca! Gritava loucamente pela cidade.
Colocou aviso na televisão, no jornal. Para continuar a busca pediu verba extra para a Petrobrás, pediu ajuda para a Dilma. As verbas que chegavam eram insignificantes para manter o projeto da busca; A prefeitura não participou porque queria criar o GATÃO para desviar verba, mas a minha irmã não aceitou.
O tempo passa e o desespero aumenta. Muitas lágrimas.
Um dia minha mana recebe um estranho pacote.
Dentro do pacote foram encontrados, uma unha felina, a foto do Prefeito encapuçado com uma navalha no pescoço da Teca e um bilhete em cd onde se ouvia.
- A sua gata vai ser decapitada e eu comerei um gostoso churrasquinho com a carne dela! Ah! Ah! Ah!
O prefeito tinha uma rixa política religiosa com minha irmã. Andava aprontando sempre botando fogo na casa de outra irmã, jogando pedra na cabeça de meu pai e outras tantas tramas cruéis.
O desespero tomou conta dela. Ela postou no facebook a terrível foto da degola. Teve, em poucos minutos mais de um milhão de acesso. Até o Papa Francisco curtiu a página lamentando.
Quando já tudo parecia consumado eis que um dia minha mana escuta uns toque toque na porta e vai correndo abri-la e grita de alegria:
- Teca, você voltou?
E a gata, toda machucada, manquitola, ensanguentada num olhar suplicante, com voz sumida, erguendo em súplicas as patas dianteiras, diz:
- Sim sou eu. Escapei milagrosamente ao arranhar o pinto murcho do filho de uma puta do prefeito, e estou de volta.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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