terça-feira, 17 de maio de 2011

ORAÇÃO DA NOITE


Naquela noite eu saí da sala de aula, antes de seu término iracundo, espumando pelas ventas. Normalmente sou tolerante, mas aquela turma extravasou qualquer limite de tolerância naquela conturbada noite.
Se tivesse que indicar alguém para qualquer cargo administrativo ou gerencial eu os condenaria completamente. Era o sexto período de administração e um bando de moleques travessos e irresponsáveis!
Eu caminhava, a passos largos até a secretaria a fim de entregar o livro de chamada e justificar a não minha presença junto aquele bando de desordeiros.
Na época fiquei realmente bravo considerando uma tremenda falta de respeito, coisa sem propósito, mas hoje eu reconheço que eles foram, além de ridículos, atrevidos e ousados. Ao lembrar a cena hilária não consigo prender o riso.
Fico imaginando cá com os meus botões que provavelmente se estivesse estudando junto com eles provavelmente teria experimentado do mesmo sabor daquela balburdia.
Agora estou me recordando que naquele dia preparei com esmero e carinho a aula de produção para aquele sexto período. Saí com um pouco atraso de casa e com isto entraria em sala com alguns minutos do início.
Cheguei esbaforido a Faculdade.
Atravessei os corredores para alcançar a sala e percebi que naquela noite as outras turmas por onde eu passava aconchegavam espremidos na porta alunos contagiados de uma alegria sem par. Pareciam cães tarados farejando cadelas no cio. Acotovelavam-se com as cabeças no corredor curiosos e ansiosos olhando para a sala em que eu estava por chegar. O murmúrio era tanto que o vozeio perturbava todo o ambiente.
Estranhei, fiquei curioso, mas me coloquei avante.
A sala foi se aproximando perigosamente à medida que meus passos engoliam o corredor. A luz lá fosca e avermelhada me deu a sensação de estar indo para um lugar proibido. Verifiquei primeiro, com um beliscão no braço se realmente estava acordado e medrosamente me vi no umbral da porta de entrada.
O que vi é indescritível, mas vou tentar relatar.
A sala parecia um amplo dormitório.
Aquelas meninas todas nas suas transparentes camisolas, algumas minúsculas deixando lindas tetas quase de fora abraçando sensualmente seus ursinhos de dormir. Suas pantufas lilás ou rosa choque naqueles pés delicados perturbavam meus olhos que safados se deliciavam lambendo suas lindas cochas morenas.
Deveria ter alguns machos por entre elas que por certo desmunhecaram, mas eu nos os vi e nem fiz questão para tanto. Apenas meus olhos se deliciavam e bolinavam aquelas maravilhosas sereias. Musas infernalmente tentadoras.
Foram momentos que quase me levaram ao mais alto grau de excitação olhando tudo aquilo, mas a responsabilidade e o bom senso me acordaram, e então pude, livre de toda a emoção, de todos os calafrios por que passava meu corpo analisar friamente avaliando aquela esbórnia.
A empresa contratada para a formatura estava a postos em diversos ângulos com suas potentes máquinas filmadoras e fotográficas. Por certo o material depois de revelado deve ter saído uma bosta visto que estes tarados profissionais estavam abundantemente babando muito mais que trabalhando apreciando aquelas bundas, aqueles peitos e aquelas cochas. É justificado, pois concordo que ninguém é de ferro.
Por momento petrificado, confesso que também babei, mas me refiz e adentrei sala para tomar conhecimento da desordem, e entendi ali o porquê de toda a Faculdade estar ouriçada também.
- O que significa isto? Perguntei numa voz esganiçada.
- Estamos filmando para a formatura, responderam-me em coro e continuaram:
- Queremos aula!
Quase perguntei se aquele era um curso de administração ou de sacanagem, mas me contive e disse:
- Eu acho que vocês estão mais para dormir que receber conhecimentos, justifiquei.
Por alguns momentos não sabia se saia correndo, se ia até minha casa buscar meu pijama ou...
- Bem pessoal, com minha voz de comando completei:
- Quero todos de joelho! Vamos fazer a oração da noite!
Incontinente todos se puseram de joelho, ao lado das carteiras repetindo a oração da noite comigo.
Eu acho que Deus também gostou muito em ver aquelas lindas criaturas mal vestidas mostrando suas belas formas. Quem não gostou mesmo foi o Diretor que não sendo convidado para a festa aplicou na turma uma semana de suspensão.


OBS. Deixo de mencionar data e a instituição. Quem foi meu aluno na oportunidade com certeza ao ler lembrará do fato que por certo está registrado nos seus álbuns de formatura.

por: Mario dos Santos Lima

UM LADRÃO MODERNO

A vida é feita de surpresas; De muitas surpresas. Muitas vezes alguns acontecimentos nos trazem conseqüências, nos envolvem em situações momentâneas entre desastrosas ou hilariantes. Sempre na hora do fato ela nos é funesta ou desastrosa, mas depois, ao lembrá-la ou comenta-la ela se torna engraçada, muito cômica mesmo.
A Irene comprou o seu carro zero bala e deu nome de princesa. Cercou-o de mil cuidados. Nada pode acontecer a ele. Ele é intocável. Ninguém está autorizado a usá-lo. Para olhar é com olhos e não com os dedos ou mãos. Muitas vezes ela acaba indo de ônibus ao trabalho só para evitar aquelas doidas circunstâncias que possam oferecer qualquer perigo à princesa dela.
Se uma mosca desavisada nos seus vôos mirabolantes senta despreocupadamente na lataria do carro a Irene sempre atenta e ali por perto de guarda espanta-a violentamente ameaçando-a de morte. Imediatamente pega a lupa que sempre está na sua bolsa para verificar se as patas nojentas do inseto causaram qualquer dano à pintura de sua princesa.
O carro já algum tempo guardado estava até com teias de aranha gerando alguns protestos dos moradores principalmente daqueles que tem a garagem contígua ao carro da Irene. Para evitar maiores problemas no condomínio ela resolveu tirar a princesa para tomar uma fresquinha temerosamente solicitando que eu fizesse isto, mas não sem antes fazer mil e umas recomendações. A garagem do prédio é um verdadeiro funil e de estreita passagem e em função disto e das severas recomendações eu levei mais de quarenta minutos para sacá-lo da garagem para a rua. Formou-se atrás, na garagem um congestionamento enorme de carros e um tremendo buzinaço. Quase fui linchado por isto, mas consegui tirar a princesa da Irene sã e salva sem qualquer arranhão.
O dia estava calmo e convidativo para umas voltas.
O carro olhou para mim com aquele olhar de súplica, tal qual uma vadia se desnastrando toda sugerindo:
- Vamos dar uma voltinha na quadra garotão?
Aquele convite de encômio autêntico aguçou minha vontade de dirigir aquele caro cheirando a virgem. Olhei de um lado e olhei de outro e adentrei àquela preciosidade. Eu senti que com esta penetração a princesa deu um suspiro de prazer.
- A Irene nem vai perceber, pensei eu cá com meus botões.
Liguei a ignição e o rádio.
- Ladrão perigoso rouba bicicleta do supermercado e assalta banco colocando todo o dinheiro na cesta de plástico fixado no bagageiro. Esta foi a notícia que eu estava escutando.
Tudo estava indo as mil maravilhas até eu pegar a rua de sentido único. O movimento estava intenso, mas...
Um pouco mais acima vislumbrei um tresloucado de arma em punho pedalando alucinadamente uma bicicleta contra a mão. Logo atrás diversos carros da polícia de sirene ligada e quatro helicópteros metralhando o indivíduo gritando:
- Pega ladrão, e o cara numa desembalada corrida se agigantava cada vez mais contra o carro da Irene.
Todos os motoristas a minha frente abrindo espaço subiam nas calçadas abandonando aos berros seus carros e eu rezava feito um filho de uma puta para todos os santos e deuses que porventura existissem para que tudo aquilo fosse apenas um sonho, fosse uma grande mentira.
E eu acho que Deus e os santos não existem.
As balas assoviavam felizes passando por mim, acertando a princesa e estilhaçando o pára-brisa. Eu já não mais guiava o carro, ele se guiava aos gritos e aos pulos de felicidade acelerava ainda mais de encontro ao ciclista maluco.
A bicicleta veio de encontro e num estrondo gigantesco abraçou como se fosse um sinapismo a princesa da Irene numa foda monumental. O cara vazou pelo pára-brisa e sem perder a postura, de ponta cabeça no banco, por entre as pernas apontou a arma para mim e pediu que eu tocasse rápido para fugir da polícia.
Iniciou a grande fuga radical.
O carro sobe nas calçadas, dá cavalo de pau, faz a curva em duas rodas, passa por canteiros, passa por galerias, quebra muros e postes, derruba árvores deixando a polícia enlouquecida com diversos carros trombados e capotados. E lá vou eu com a arma apontada no pescoço dirigindo em cenas cinematográficas americanas fugindo da polícia ao som funéreo das sirenes, balas sibilando e do povo gritando.
Depois de quase cinco horas de fuga o exército americano, convocado consegue finalmente abater o carro com uma bala de canhão que pesava mais de duzentos quilos. A bala atingiu em cheio a traseira do carro arregaçando completamente fazendo as rodas abrirem pra fora feito uma vadia de pernas abertas. Alguns gemidos de prazer nem sei e a princesa finalmente parou.
Mil armas apontadas para mim.
O ladrão fugiu em desembalada corrida levando o dinheiro e eu me fodi.
Saí de mãos erguidas e me joguei no chão. Fui algemado e preso por ter dado acolhida ao ladrão; por formação de quadrilha; por roubo qualificado; por ter perturbado o sossego público; por dirigir perigosamente, por estacionar em local inadequado; por atropelamento.
A Irene pagou a fiança de soltura e eu saí livre, mas proibido de dirigir qualquer carro que ela futuramente vá comprar.
A princesa dela está em exposição no centro da cidade toda quebrada, riscada, perfurada com a bicicleta fundida na frente e a bala de canhão grudada atrás. Uma verdadeira obra de arte.
por: Mario dos Santos LIma

sábado, 7 de maio de 2011

URINOL FURADO

Quando chegava de férias do seminário pouco ficava eu em casa; tinha um prazer enorme em ser convidado pelo Padre Vigário para ajudá-lo nas cerimônias da santa missa. Certa feita me convidou para ir até ao Pontal do Paraná.

A estrada estreita, em terra batida era muito linda e agradável ladeada de mata nativa que em certos trechos até parecia um túnel. De quando em quando a gente tinha o prazer de encontrar com algum bicho silvestre que assustados cruzavam a estrada, ouvir o canto estridente do tucano e o rebuliço das araras em bando. Passava ao largo de Teodoro Sampaio embrenhando-se cada vez mais na mata virgem.

Depois de umas 3 horas de viagem de Jipe - jipe modelo 54 - chegamos a uma grande clareira onde se via ao centro a Igrejinha ladeada por algumas casas em madeira. O sol já se espreguiçando, perdendo a cor teimava em querer desaparecer. Era uma pintura o local. Eu estava boquiaberto admirando tudo aquilo quando o Pe. Rosalvo vira-se para mim e todo feliz numa voz de vitória diz: - “Chegamos”.
Alguns foguetes vieram quebrar a quietude daquele lugar. Os pássaros em revoada abandonaram assustados os galhos das árvores, não sei se de medo do berro do padre ou dos foguetes. Como se tivesse mexido num formigueiro, surgindo não sei de onde uma multidão cantando, gritando, dando vivas nos recebeu em festa. Ali mesmo, cansado da viajem, mas muito feliz pela recepção o padre convidou aquele povo para a reza do terço que aconteceria logo à noite. O povo, na sua imensa alegria nos carregou com malas e tudo igreja adentro. A festa toda tinha um sentido muito nobre e muito grande para aquela gente humilde, pois o padre aparecia de quando em vez por ali.

Depois da reza do terço o padre ficou acomodado na parte dos fundos da igreja num quartinho singelo, mas posto em ordem e eu fiquei na casa da família logo ao lado da Igreja.

O quarto era grande, cama de casal e urinol branco, louçado – coisa de rei – reluzente ele dava sinal de vida indicando de que eu não precisaria sair lá fora para fazer minhas necessidades – à noite sempre me apavorou com seus mistérios e uivos desconhecidos. Conferi tudo. A cama de palha bem mexida. Uma coberta de pena de ganso – as noites nestes lugares encravados na floresta sempre são mais frias. Um criado mudo e uma lamparina a querosene em cima iluminava parcamente o local com sua luz crepitante. Olhei para o teto e fiquei deveras preocupado. Não tinha forro e meu quarto era contíguo ao quarto do casal. Tinha que ser comedido nos meus movimentos para não atrapalhar com o barulho o sono inocente de meus anfitriões. Andava nas pontas dos pés. Cuidadosamente me pus por debaixo das cobertas. Imperceptíveis ruídos se espalharam pelo ambiente acreditando eu que não ultrapassou a parede que dividia meu quarto com o deles. Lá fora ainda escutei o piado sorumbático de uma coruja e um calafrio perpassou toda minha espinha. Apaguei a lamparina, fiz minhas orações da noite e adormeci apreensivo, mas feliz.


De madrugada acordei com o cacete aprumado. Como não tinha tido nenhum sonho erótico verifiquei que era apenas minha bexiga avisando de que precisava ser esvaziada. Pus-me mansamente fora da cama, me inclinei e peguei o penico. Preocupou-me na hora o ruído característico que o jato de urina faria no fundo do urinol que, por certo acordaria assustada a população toda – os humanos e os bichos.

Por alguns minutos tracei um plano para atingir o meu objetivo inicial de não fazer qualquer ruído que atrapalhasse o santo e justo sono daquela população e em especial a dos meus vizinhos de quarto. A situação estava cada vez mais crítica e exigia uma ação rápida, pois já não mais agüentava toda a pressão urinária. O cacete estava bonito, mas a situação estava feia.

Acomodei o branquinho por cima das cobertas com a finalidade de abafar o ruído e finalmente puxei um ar para os pulmões, fechei os olhos e satisfeito comecei a descarregar o líquido. Como tinha tomado muita gasosa ao jantar fiquei ali aliviando a coisa por quase 10 minutos.

Terminei a operação completa de chacoalhar e guardar e ao pegar o urinol para posicioná-lo novamente debaixo da cama quase caí de costa – não foi por estar pesado ou coisa parecida, mas simplesmente porque dentro do recipiente não se encontrava qualquer tipo de líquido. Apalpei-me e vi que estava acordado e que isto não era um sonho; apertei minha bexiga e ela se encontrava prazerosamente vazia. Comecei a examinar o penico e com espanto verifiquei que havia um orifício enorme na parte de baixo. O fato apavorou-me.

Começou então a santa inquisição. Se estou acordado, se já não estou mais com vontade de urinar, se eu urinei aonde foi parar o dito líquido? Na hora quis que tivesse acontecido um milagre da evaporação e fui com a mão diretamente em cima das cobertas. Lá estava a urina toda acomodada e muito feliz esparramada no chão por debaixo da cama e por quase todo o quarto. Fiquei tão espavorido com a situação que não mais dormi. Perdi a tesão e fiquei sem condições de deitar naquela cama toda mijada. Fiquei sentado aos pés da cama o resto da noite.

Seis horas da manhã bateu num relógio de parede e antes que alguém levantasse fugi assustado, apavorado revoltado daquela casa.

Por falta de sorte mesmo o padre foi convidado para almoçar justamente naquela casa. Convidaram-me através do padre, mas não apareci. Simulei uma doença brava qualquer e fiquei escondido na parte traseira do jipe durante todo o dia até a hora de irmos embora.

Até hoje existe na região a lenda do menino que se desintegrou transformando-se em xixi. Foi a única maneira encontrada por aquela gente simples para explicar como alguém dormindo pudesse urinar por cima das cobertas.
por: Mario dos Santos Lima

sábado, 30 de abril de 2011

TALVEZ

Na sala mal cabia o corpo, mas o povo compareceu em peso. Era Terça feira, 15 horas. “Qual o nome do defunto?” – alguém obstinadamente perguntou para um... para outro... principalmente para aqueles que, de olhos marejados de lágrimas, contritamente cabisbaixos estavam mais próximos do cadáver. “ Não conhecemos...” foi a resposta que bateu todos recordes, estatisticamente falando.

Mas... pela cara sofrida, amarela, barba por fazer e já esbranquiçada, e sulcada pelos anos ou pelos sonhos desfeitos, vamos batizá-lo de José.

Seu Zé talvez tivesse sido aquele homem que juntou numa trouxa o pouquinho que tinha, nalgum ponto qualquer deste imenso nordeste, mais mulher e penca de filhos e veio tentar a vida neste sul tão prometido.

Talvez tenha até conseguido um pedaço de terra; “este é o nosso pedaço de chão, muié” – dizia ele, certamente muito feliz, às tardes, quando retornava, suado, sujo, da labuta.

Talvez a seca... talvez algum financiamento... e lá se foram suas terras para o leilão.

Tentou, quem sabe, invadir alguma terra devoluta juntamente com outros infortunados iguais a ele. Talvez tenha apanhado de cassetete da polícia, pois, no meio de todos os sulcos que se via em sua testa, percebia-se perfeitamente um corte, mal costurado, que avançava por entre seus cabelos grisalhos e em desalinho.

Talvez tenha vindo para a cidade tentar emprego. “Ô vô. O senhor não sabe fazer nada e está na hora de se aposentar”. – foi talvez a resposta mais ouvida pelo seu Zé, ao bater de porta em porta pedindo emprego.

Tentou talvez vender rifa, mas o pobre diabo provavelmente não tivera o privilégio de freqüentar escola.

Com muito custo, talvez tenha conseguido se aposentar pelo Funrural e era talvez com estas míseras migalhas que seu Zé estivesse pagando os dois cômodos de fundo, de piso de chão batido.

Alguém solícito trouxe café em pó alguém fez fogo no fogão de taipa. Lenha verde ou chaminé entupida provocou uma fumaceira dos diabos.

Alguém puxou o terço... e aquela multidão toda contrita acompanhou. Poucos rezavam porque sabiam; a grande maioria, de cabeça baixa, abrindo e fechando a boca, dublava, porque não sabia... mas tinha que mostrar serviço.

Ninguém ousava conversar ou mesmo contar piadas, mas... quase todos exibiam crachás, bonés, camisetas e nos seus carros estava escrito...

O esquife sai... caixão de primeira; havia até uma faixa escrita, com coroas.

Segue o cortejo lentamente pela avenida... O comércio cerra as portas em sinal de respeito... O povo a pé – umas trezentas pessoas – faz lembrar uma grande jibóia, rebolando, pronta para o bote final. O eleitor, admirado, se acotovelando na calçada, perguntava curioso: “Quem morreu?” – e a pergunta morria no ar...

O seu Zé, talvez a vida toda não tivesse tido sorte. Nasceu pobre; não pode estudar; perdeu o pouco que tinha conseguido, mas foi um felizardo: teve um enterro de gente de bem ao morrer antes das eleições.

por: Mario dos Santos LIma