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domingo, 9 de março de 2014
UM CAVALO URINOL
Segundo estudiosos, e conforme o senso comum, preguiçoso é aquela pessoa avessa às atividades que lhe exijam esforço físico ou mental. Ela quer se mexer pouco e pensar... nem pensar.
O preguiçoso muitas vezes acaba pagando o mico pela sua indolência, ou então arrumando uma boa desculpa para fugir da troça.
E foi o que aconteceu.
Seu Peterson, – nome fictício – lá pelos idos do início do século passado, vivia na pequena localidade chamada de Antônio Olinto. Ele era autoridade na cidade, um rábula muito conhecido e respeitado pela sua prática com as leis. O que seu Peterson fazia ou dizia era sagrado, e se tornava muitas vezes ato corriqueiro na cidade.
Naquela época, carro era artigo de luxo apenas visto nas revistas; na cidade tão somente carroças, os equinos e muares para a logística de transporte de cargas e pessoas.
Seu Peter tinha um vistoso cavalo lusitano, e com ele fazia, faminto, taradão, as rondas pela cidade atrás de rabos de saia. Pelo modelo de transporte e pelo seu porte físico era o galã na região.
Quando retornava de suas andanças sempre trazia novidades, e por essa razão era cercado, mesmo antes de apear, para relatar os acontecidos. Era, por assim dizer, um repórter fofoqueiro ambulante.
Um dia, após um desses misteriosos passeios em busca do nada ou de muitas coisas, seu Peter voltava para casa no lombo de seu cavalo. O trotear lerdo pelo poeirento caminho quebrava o silêncio do entardecer. O tempo se vestia rapidamente de negro, e nuvens escuras anunciava chuva.
- Estas nuvens aliadas a dor de meu joelho com certeza vai chover! Matutava alto seu Peter.
- O que você acha meu cavalo? Perguntou ele batendo no dorso do animal.
O animal se vira, relincha e muito mais preocupado com estrada responde.
- Não chove não, seu Peter.
O trotear, agora mais acelerado, engolia a estrada, mas o caminho ainda era longo.
A cerveja que ele bebeu na última bodega começou a pressionar a bexiga.
- Que merda! eu vou ter que apear para urinar! Um pouco contrariado pensou alto o cavalgante.
- Já que vai chover, vou urinar aqui no cavalo e ninguém ira saber! A chuva irá lavar tudo! Pensou novamente alto o cavaleiro.
- Nada disso! Reclamou o animal. Não sou penico! Pare com isso!
Nada adiantou as súplicas relinchadas do pobre animal, pois seu Peter desaguaxou seu órgão mijador. A urina quente, feito uma cachoeira escorreu pelas pernas dele e pelo lombo do cavalo.
O cavalo ficou puteado e disse impropérios ao seu Peter, completando.
- Vá mijar na sua mãe, seu desgraçado! Tomara que não chova só para que este filho de uma puta pague o mico!
Dito, praguejado e feito; Não choveu.
- Puta que os pariu! Que merda de tempo! Não vai chover! Gritou desconsolado, apavorado seu Peter.
A cidade rapidamente chegava ao final da estrada, e lá estava o povo reunido ansioso por novidades.
E que novidades!
- O que é isso seu Peter, suas calças e o cavalo todo molhado?!
Seu Peter pensou, pensou e respondeu.
- Para fugir da chuva galopamos rapidamente, e ao passar por uma poça d’água ela nos molhou por baixo.
E o povo simplesmente acreditou, mas o cavalo enlouquecido, em discordância total, corcoveou, peidou relinchando feito um espiritado.
POR: MARIO DOS SANTOS LIMA
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